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Novos estudantes do Instituto Rio Branco conhecem o funcionamento da ABC
"Diplomacia é conversação”, afirmou o diretor da Agência Brasileira de Cooperação durante a apresentação. “Coordenar cooperação é também conversar”, completou, ao destacar o caráter articulador da atuação da Agência.
A observação surgiu em resposta a uma pergunta da estudante Priscila Cotarelli sobre os desafios de coordenar cerca de 300 instituições brasileiras envolvidas em projetos de cooperação internacional liderados pela ABC. A interação integrou a sessão de perguntas e respostas que se seguiu à exposição sobre o trabalho desenvolvido pelos 126 especialistas da Agência, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, ao longo de quase quatro décadas de atuação em múltiplas áreas.
Além do interesse pelas ações da ABC, os novos diplomatas também demonstraram curiosidade sobre a trajetória profissional do embaixador, integrante de uma das últimas turmas do curso do Instituto Rio Branco realizadas no Rio de Janeiro, no Palácio do Itamaraty, em 1973. Wilson Fernandes questionou diretamente como foi a experiência naquele contexto. “Éramos uma turma muito inquisitora, desafiadora e libertária para os tempos que vivíamos”, relembrou Ruy Pereira, referindo-se ao período da ditadura no país. “Ainda assim, era uma turma profundamente compromissada com as melhores tradições desta Casa, orientadas por valores permanentes”, acrescentou.

- Augitorio do IRB
Ao ser perguntado pela estudante Iolanda sobre os principais critérios para a aprovação de projetos de cooperação internacional coordenados pela ABC, o diretor destacou três pontos essenciais: a iniciativa deve gerar impacto na redução da vulnerabilidade das populações; considerar a capacidade de gestão do organismo proponente; e demonstrar relevância para o conjunto das políticas públicas do país parceiro.
“Todo projeto precisa ser tecnicamente consistente, mas também deve ter um olhar voltado para o social”, enfatizou. Segundo o diplomata, a cooperação internacional deve ter como objetivo central a melhoria das condições de vida das pessoas, o que exige esse compromisso social desde a concepção das iniciativas.
A mensagem encontrou forte ressonância entre os presentes. A nova turma do Instituto Rio Branco se destaca pelo perfil diverso e inclusivo, com expressiva representatividade étnico-racial e o maior percentual histórico de mulheres entre os aprovados.
O terceiro-secretário Douglas Almeida, integrante da turma, tem ganhado destaque recente na imprensa e foi recebido pelo Lula no Palácio do Planalto por sua trajetória de superação. Filho de uma faxineira e de um pedreiro, o ex-garçom sabe bem a importância das políticas públicas voltadas para a inclusão social.
“Temos grande orgulho de contar com uma equipe formada majoritariamente por mulheres, que representam 58% da ABC”, destacou o diretor. Ele mencionou ainda a existência de um grupo de trabalho dedicado aos temas de raça, etnia e gênero, bem como ao desenvolvimento de projetos alinhados à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

- Palestra da ABC no IRB