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Joias do Saara promovem desenvolvimento local na Argélia
Teve início nesta terça-feira na cidade de Tamanrasset, no sul da Argélia, uma missão de avaliação final do projeto "Transferência de conhecimento para a produção de gemas lapidadas, joias e artesanato mineral" , que se realizará entre os dias 17 e 24 de julho.
Com duração de uma década, a iniciativa de cooperação técnica procurou contribuir para o aumento da renda dos artesãos argelinos por meio da utilização de pedras do Saara na produção de joias e outras peças de artesanato local, fato inédito no país até então.
Estudos geológicos mostram que o sul da Argélia é repleto de minas, que guardam gemas preciosas de alta qualidade, mas as mesmas não estavam sendo utilizadas até então. De modo a explorar este potencial, era preciso então unir mineração e ourivesaria, aproveitando os recursos minerais locais para aperfeiçoar as habilidades técnicas e artísticas dos artesãos, aprimorando a sua confecção.
Foi assim que surgiu este projeto de cooperação técnica, desenvolvido por meio de uma parceria entre a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) , a Associação Brasileira de Pequenos e Médios Produtores de Joias, Mineradores e Garimpeiros (ABRAGEM) e a Câmara de Artesanato e Ofícios (CAM) da cidade de Tamanrasset, na Argélia.
Ao longo da semana, a delegação brasileira, que conta com representantes da ABC e da ABRAGEM, realizará uma série de entrevistas e visitará as instalações da então criada Escola-piloto de artesanato, na qual tem sido realizadas capacitações para o aperfeiçoamento dos artesãos de Tamanrasset e de outras regiões do país. Além de realizarem a avaliação final do projeto, o objetivo é também identificar eventuais necessidades ou dificuldades ainda encontradas, para a idenificação de possíveis soluções conjuntas.
Durante estes dez anos, especialistas da ABRAGEM deslocaram-se a Tamanrasset, onde permaneciam por cerca de 90 dias, para ministrarem capacitações em oito áreas: lapidação facetada, lapidação artesanal, ourivesaria, fundição de joias, design manual de joias, design de joias 3D (técnica inovadore e utilizada em poucos países do mundo), artesanato mineral e cooperativismo. Posteriormente, os formandos locais tornaram-se professores da escola e realizaram a transmissão do conhecimento adquirido para novos alunos.
Outro aspecto que merece destaque é a inclusão de mulheres nas capacitações realizadas no âmbito do projeto. O setor de ourivesaria e artesanato era, na Argélia, predominantemente de homens. Por sugestão do Brasil, representantes do sexo feminino passaram a integrar os cursos na Escola-Piloto e, aos poucos, ganham espaço e reconhecimento local. O projeto já formou artesãs em ourivesaria, design de joias manual e 3D, e artesanato mineral.
Adicionalmente, a iniciativa apoiou ainda os artesãos na criação de uma cooperativa, além de procurar estabelecer, junto às instituições parceiras argelinas, canais eficientes de comercialização dos produtos. "A cooperativa é o canal mais eficiente para o escoamento dos produtos. Juntos vocês serão mais fortes" , afirmou Harilton Vasconcelos, presidente da ABRAGEM.
O orçamento destinado pelo governo brasileiro para a realização da iniciativa chegou a quase um milhão de dólares. Ao longo dos anos de implementação do projeto, foi possível verificar a importância dada pelo governo argelino ao projeto com o Brasil, fato comprovado pelo aporte expressivo de recursos financeiros ao projeto.
Conheça aqui todas as informações sobre a iniciativa, em uma publicação elaborada especialmente para a ocasião.
Autor: Janaina Plessmann







