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Evento na Guatemala apresentará resultados de projeto de Cooperação Sul-Sul sobre Zoneamento Agrícola de Risco Climático e Recursos Hídricos

- Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC)
Os resultados alcançados no âmbito do projeto “Inovação para a redução de riscos agroambientais no Corredor Seco Centro-Americano”, desenvolvido no contexto da cooperação Sul-Sul entre o Brasil, a FAO, a Guatemala, Honduras e El Salvador, serão apresentados durante o evento de encerramento da iniciativa, a ser realizado na Cidade da Guatemala, nos dias 21 e 22 de abril. O encontro reunirá representantes do governo brasileiro, dos países parceiros e da FAO para compartilhar avanços, lições aprendidas e perspectivas de continuidade e fortalecimento da cooperação.
O evento representa oportunidade para o diálogo e a articulação regional, com foco na institucionalização da ferramenta nos países participantes e na construção de caminhos para a sustentabilidade da iniciativa.
O projeto contribui para a promoção de sistemas agroalimentares mais resilientes e inclusivos, em consonância com as prioridades da agricultura familiar e com iniciativas globais voltadas à segurança alimentar e ao desenvolvimento sustentável. A adaptação do ZARC ao Corredor Seco busca otimizar o uso dos recursos hídricos e contribuir para a segurança alimentar em áreas altamente vulneráveis.
Participarão autoridades locais, representantes governamentais de El Salvador, Guatemala e Honduras, além de especialistas das instituições brasileiras envolvidas no projeto, como a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), o Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar (MDA), a Embrapa e o Banco do Nordeste (BNB). Também estarão presentes representantes da FAO dos quatro países, organismos regionais e instituições de pesquisa agrícola.
Resultados
Ao longo de dois anos de implementação, o projeto contribuiu para identificar e criar estratégias relacionadas à gestão do risco agroclimático em territórios altamente vulneráveis do Corredor Seco.
A adaptação e aplicação da ferramenta ZARC nos três países permitiram aprimorar a tomada de decisões no campo, especialmente no que se refere ao calendário de plantio, reduzindo perdas produtivas e aumentando a resiliência dos sistemas agrícolas.
Houve o compartilhamento técnica da ferramenta, cuja metodologia foi adaptada, calibrada e validada com dados climáticos, de solos e de cultivos locais, incluindo o uso de informações de satélite para suprir lacunas nacionais. Como resultado, foram produzidos mais de 190 mapas de risco climático agrícola.
Outro avanço relevante foi o fortalecimento das capacidades institucionais. Mais de 130 técnicos foram capacitados no uso da ferramenta, superando amplamente a meta original, além do envolvimento de mais de 20 instituições públicas nos três países. Esse processo incluiu treinamentos, webinários com a Embrapa e o MDA e atividades práticas de modelagem e aplicação do ZARC na tomada de decisão.
No campo, a validação e aplicação da tecnologia ocorreram por meio da implementação de 120 parcelas de validação em 30 municípios prioritários (10 por país). Essa etapa permitiu testar os calendários de plantio recomendados pelo ZARC, aprimorar a precisão dos modelos e demonstrar a redução de riscos produtivos. Agricultores receberam insumos, equipamentos e orientação técnica, aproximando a ferramenta da realidade produtiva.
Também houve avanços na articulação institucional e no uso estratégico da informação. O projeto fortaleceu o diálogo entre diferentes atores, incluindo instituições financeiras e seguradoras, promovendo o uso do ZARC em políticas públicas, crédito e seguros agrícolas. Destacam-se ainda ações voltadas à gestão do conhecimento, ao empoderamento de mulheres rurais e à integração da ferramenta à agenda de segurança alimentar.
ZARC
O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), criado pela Embrapa nos anos 1990, indica épocas ideais de plantio com base em riscos climáticos, utilizando dados meteorológicos, de solos e agronômicos para gerar mapas. No Brasil, especialmente no semiárido nordestino, a ferramenta contribuiu para reduzir perdas em culturas como milho e feijão em até 30%, além de estar integrada a políticas públicas como o PRONAF.

- Projeto de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC)

- Projeto de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) em El Salvador

- Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC)

- Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC)