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Cooperação trilateral impulsiona inovação e sustentabilidade na Amazônia
Uma missão de intercâmbio técnico do projeto de cooperação trilateral Brasil–Colômbia–Alemanha (COTRICOOP) foi realizada, entre os dias 23 e 27 de março de 2026, no Pará. A iniciativa, financiada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores (ABC), e pelo Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha, tem como objetivo fortalecer empreendimentos de base comunitária em territórios amazônicos, promovendo o desenvolvimento econômico sustentável, o acesso a mercados e o fortalecimento de mecanismos de governança e integridade. 
O projeto é executado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) do Brasil e, pela Secretaria de Transparência da Presidência da República da Colômbia, além da cooperação alemã, por meio da GIZ.
Participaram da missão representantes de organizações comunitárias, instituições públicas e parceiros da cooperação internacional, com foco na promoção da aprendizagem prática, na troca de experiências e no fortalecimento de capacidades na sociobioeconomia amazônica.
Durante a missão, foram priorizadas ações de aprendizado em campo, com observação direta, diálogo entre pares e espaços de reflexão coletiva, favorecendo a troca horizontal de conhecimentos e a identificação de soluções aplicáveis a diferentes territórios, especialmente nos contextos amazônicos brasileiro e colombiano.
Entre as experiências visitadas, destacam-se iniciativas relacionadas às cadeias produtivas de cacau, borracha e produtos florestais não madeireiros, evidenciando a integração entre conservação ambiental e geração de renda. A programação, que contou com o apoio de projetos da GIZ que atuam no território, como o DeveloPPP Natura-Symirse e o Bioeconomia para Florestas, incluiu visitas a empreendimentos de base comunitária, como os localizados nas ilhas de Cotijuba e do Combu, além de cooperativas e empresas como Natura e Symrise. As atividades permitiram aos participantes conhecerem, na prática, modelos produtivos sustentáveis, estratégias de agregação de valor e formas de organização coletiva.
Diálogo
Após três dias de visitas técnicas, a missão culminou no diálogo “Integridade e Resolução de Conflitos”, entre as instituições participantes e as comunidades, que reuniu 29 participantes de organizações de base comunitária do Brasil e da Colômbia, além de instituições públicas, de apoio e organismos de cooperação internacional.
O encontro evidenciou que, apesar das diferenças contextuais, os territórios enfrentam desafios estruturais comuns que impactam a governança, a integridade e a sustentabilidade dos empreendimentos, como a grilagem de terras, a captura de órgãos fundiários por interesses políticos, dificuldades no acesso a crédito, atuação de intermediários informais (“coopergatos”) e fragilidades na governança interna das cooperativas.
Ao mesmo tempo, foram destacadas boas práticas relevantes, como parcerias com instituições públicas e cooperação internacional, intercâmbios entre cooperativas, planos de sucessão, mediação de conflitos pela promotoria agrária, fortalecimento da participação de mulheres, articulações territoriais como o Consórcio Bajo Tapajós e iniciativas em sistemas agroflorestais.
Essas experiências demonstram capacidades locais consolidadas que podem ser ampliadas por meio de intercâmbio e aprendizagem, reforçando o papel da cooperação trilateral na promoção de soluções contextualizadas e no fortalecimento da integridade territorial, da governança organizacional e do acesso justo a mercados sustentáveis.
Entre os principais aprendizados da missão, ressaltam-se a importância da agregação de valor no território, o papel central da organização comunitária e da governança, a relevância do protagonismo feminino, o potencial da inovação a partir de saberes locais e a necessidade de fortalecer a articulação com o setor privado para ampliar o acesso a mercados.
As visitas também evidenciaram o papel estratégico das parcerias entre comunidades, empresas e instituições públicas na estruturação de cadeias de valor sustentáveis, baseadas em princípios de rastreabilidade, repartição de benefícios e respeito à biodiversidade.


