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Cooperação Sul-Sul consolida ferramenta brasileira para gestão de riscos climáticos na agricultura centro-americana

- ncerramento do Projeto Inovação para a redução de riscos agroambientais no Corredor Seco Centro-Americano e recursos hídricos
A iniciativa foi implementada no âmbito da Cooperação Sul-Sul desenvolvida entre o Brasil e a FAO, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), e em articulação com países e instituições do Sistema de Integração Centro-Americana (SICA).
Ao longo de sua execução, o projeto promoveu avanços relevantes na adaptação e aplicação do ZARC na Guatemala, em El Salvador e em Honduras, contribuindo para qualificar a tomada de decisões no campo, reduzir perdas produtivas e fortalecer a resiliência da agricultura familiar.
A gerente de projetos da ABC, Mariana Falcão Dias, destacou que o projeto funcionou como um piloto para a região. “A ideia foi dar um impulso inicial para que os países pudessem implementar a ferramenta, testá-la em campo e, com o apoio do Brasil, realizar os ajustes necessários para garantir melhores resultados e maior renda para os produtores”, ressaltou.
Durante o encontro, representantes de governos, instituições de pesquisa e organismos internacionais sublinharam que o processo foi construído de forma conjunta, com base no intercâmbio de conhecimentos e na adaptação às realidades locais — princípios da Cooperação Sul-Sul que orientam a atuação dos parceiros.
Além dos governos dos três países, participaram do evento representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da Embrapa, responsável pelo desenvolvimento do ZARC há 30 anos, e do Banco do Nordeste, instituição parceira do governo federal no financiamento de produtores da agricultura familiar no Brasil.
Santiago Cuadra, da Embrapa Digital, que apresentou a implementação do ZARC no Brasil, lembrou que a ferramenta não se limita à indicação de datas de plantio. “Essa é uma ferramenta de orientação para sistemas de produção e adoção de tecnologias climaticamente resilientes”, afirmou.
O ministro Alexandre Siqueira, encarregado de negócios da Embaixada do Brasil na Guatemala, afirmou que a contribuição brasileira foi além da transferência de uma solução técnica. “Incorporamos uma experiência institucional consolidada e o conhecimento científico desenvolvido pela Embrapa para apoiar a gestão do risco climático na agricultura da região”, completou.
O vice-ministro da Secretaria de Agricultura e Pecuária (SAG) de Honduras, Ricardo Peña, destacou que o ZARC “será muito útil para a tomada de decisões no setor público, a formulação de políticas agrícolas e a articulação com outros atores, incluindo o setor privado”.
Resultados
O encontro também evidenciou resultados concretos da iniciativa, como a capacitação de mais de 130 técnicos, o desenvolvimento de mais de 190 mapas de risco agrícola e a implementação de 120 parcelas piloto em 30 municípios. Esses avanços fortaleceram as capacidades institucionais e a governança na gestão do risco climático, promovendo o uso de dados climáticos, de solo e de cultivos na elaboração de recomendações técnicas adaptadas aos contextos locais.
O projeto incentivou a adoção de práticas agrícolas mais resilientes, como o uso de pluviômetros, sementes melhoradas e sementes crioulas, além do ajuste das datas de plantio para janelas climáticas mais seguras, reduzindo os impactos da seca e da irregularidade das chuvas.
Representando o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAGA) da Guatemala, o diretor de Informação Geográfica, Estratégica e Gestão de Riscos (DIGEGR), Rafael López, ressaltou que atualmente já existem instrumentos capazes de antecipar impactos climáticos, melhorar o planejamento agrícola e diminuir riscos. “Passamos de reagir às crises para nos preparar para evitá-las, com uma tomada de decisões baseada em evidências e conhecimento”, afirmou.
Destaques
A principal mudança observada nas lavouras após o uso do ZARC foi o ajuste das datas de plantio de grãos básicos — principalmente milho, feijão e sorgo e, em alguns territórios de Honduras, gergelim — para janelas de menor risco climático. Essa prática melhorou a sobrevivência e os rendimentos das culturas em comparação com plantios realizados fora do período recomendado, reduzindo perdas associadas à seca e à irregularidade das chuvas.
Durante o evento, o agricultor familiar Ricardo Ramírez, participante do processo de validação do ZARC na Guatemala, compartilhou sua experiência. Ele destacou que o ajuste da janela de plantio, aliado ao acompanhamento técnico, permitiu alcançar melhores resultados produtivos em relação a cultivos realizados fora do período recomendado.
As mulheres rurais também tiveram participação destacada no projeto, por meio de ações de fortalecimento de capacidades relacionadas ao ZARC e à segurança alimentar. Na Guatemala, participaram 112 mulheres; em Honduras, 167; e, em El Salvador, mais de 80 participantes, entre lideranças e técnicas do Centro Nacional de Tecnologia Agropecuária e Florestal (CENTA), envolvidas em cursos e capacitações.
Como encaminhamento, os países participantes reforçaram o compromisso de ampliar o uso do ZARC, incorporando-o de forma mais estruturada aos processos de planejamento agrícola, pesquisa e formulação de políticas públicas. A ferramenta se consolida, assim, como referência técnica para políticas públicas, programas de financiamento e estratégias de extensão rural, sendo apresentada como um exemplo bem-sucedido de integração entre ciência, governança pública e gestão de riscos.

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