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Cooperação Brasil–Angola em saúde transforma formação de profissionais e fortalece sistemas públicos

Intercambistas, egressos e profissionais brasileiros destacam os impactos da cooperação entre os dois países na formação em saúde
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Publicado em 11/03/2026 00h00 Atualizado em 11/03/2026 16h55
Intercambistas, egressos e profissionais brasileiros destacam os impactos da cooperação entre os dois países na formação em saúd
Intercambistas, egressos e profissionais brasileiros destacam os impactos da cooperação entre os dois países na formação em saúd
Profissionais de saúde de Angola que participam do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde Brasil–Angola têm destacado o impacto da iniciativa para a qualificação profissional e para o fortalecimento dos serviços de saúde no país. Enquanto novos participantes iniciam sua formação em instituições brasileiras de referência, profissionais que já concluíram suas especializações compartilham experiências sobre o aprendizado adquirido e os resultados alcançados após o retorno ao país africano.

O programa é coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores, em parceria com o Ministério da Saúde do Brasil, o Ministério da Educação, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e o Ministério da Saúde de Angola. A iniciativa promove a formação de profissionais angolanos em diversas áreas da saúde por meio de cursos, estágios, residências e outras modalidades de capacitação oferecidas por universidades e hospitais brasileiros. O programa conta ainda com financiamento do Banco Mundial.

Para muitos participantes, a experiência de formação no Brasil representa uma oportunidade de ampliar conhecimentos e aplicar novas práticas no cotidiano dos serviços de saúde em Angola. Faustino Lussati, médico do Hospital Municipal do Caxiongo e especialista em Medicina de Família e Comunidade, destacou que o estágio realizado no Brasil contribuiu para fortalecer sua atuação na atenção primária. “Durante minha formação realizei um estágio curricular em Minas Gerais, onde adquiri conhecimentos importantes sobre o trabalho em medicina de família e comunidade. Hoje aplico esse aprendizado em atividades de promoção da saúde e prevenção de doenças junto à comunidade”, afirmou.

Segundo o médico, a atenção primária desempenha papel central na organização dos sistemas de saúde. “A medicina de família é a pedra angular de um sistema nacional de saúde mais forte. Se conseguirmos aplicar plenamente esses conhecimentos, teremos avanços importantes na organização da atenção primária”, ressaltou.

A enfermeira Augusta Domingo Ibumbas Antonio, especialista em assistência de enfermagem em oncologia pediátrica, também destacou o impacto da formação realizada no Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Rio de Janeiro. “Durante minha formação no Brasil desenvolvi competências importantes no cuidado de enfermagem a crianças e adolescentes com câncer, incluindo o uso de protocolos de quimioterapia e práticas de segurança na administração de medicamentos”, explicou.

Para ela, o fortalecimento da atenção primária e da formação contínua é essencial para melhorar o diagnóstico precoce e o atendimento aos pacientes. “Precisamos investir na formação contínua e fortalecer a atenção primária. Muitos pacientes chegam aos serviços especializados em estágios avançados da doença. Melhorar a prevenção e o diagnóstico precoce é fundamental”, afirmou.

Profissionais que já concluíram a formação no Brasil também relatam mudanças significativas em sua prática profissional após o retorno a Angola. É o caso de Deuzia Batista, profissional do Hospital Central do Lubango, na província da Huíla, que realizou formação em oncologia no Instituto Nacional de Câncer. “Depois da formação no Brasil passei a oferecer uma assistência mais assertiva aos pacientes oncológicos, o que contribui para reduzir complicações e acelerar a recuperação”, destacou.

Segundo ela, o conhecimento adquirido tem sido compartilhado com outros profissionais. “Hoje me vejo como uma multiplicadora. Tenho trabalhado com a equipe na implementação de protocolos de segurança do paciente e na adoção de práticas baseadas em evidências. O conhecimento se torna completo quando é compartilhado”, afirmou.

Profissionais que atualmente participam das atividades formativas no Brasil também destacam o aprendizado proporcionado pelo intercâmbio. João Doutor Tavaixo, que realiza formação no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), em Uberaba (MG), ressalta a importância da experiência prática. “A formação inclui atividades no ambulatório, onde acompanhamos pacientes diariamente. Essa experiência tem sido extremamente importante para o meu aprendizado”, explicou.

Segundo ele, a recepção nas instituições brasileiras também tem sido fundamental para a adaptação dos participantes. “Fomos muito bem recebidos pela equipe e pela direção da instituição. O apoio que recebemos tem sido essencial para aproveitar ao máximo essa oportunidade de formação”, afirmou.

A troca de experiências também é valorizada pelos profissionais brasileiros que participam da formação dos estudantes angolanos. Para Cláudia Marques, gerente de Ensino e Pesquisa do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE), a cooperação internacional amplia horizontes acadêmicos e institucionais. “Quando falamos em internacionalização, não estamos falando apenas de mobilidade acadêmica. Estamos falando em construir conhecimento em parceria e ampliar horizontes por meio da cooperação”, afirmou.

Segundo ela, a experiência tem gerado ganhos concretos para as instituições envolvidas. “Ao receber estudantes angolanos e desenvolver projetos conjuntos, ampliamos nossa compreensão sobre diferentes contextos de saúde. Essa cooperação fortalece nossas redes de pesquisa, qualifica nossos profissionais e aprimora práticas assistenciais e educacionais”, destacou.

Profissionais brasileiros também ressaltam o impacto humano da convivência entre estudantes e equipes de diferentes países. “Brasil e Angola compartilham história, língua e laços culturais. No ambiente hospitalar, isso se traduz em cooperação, aprendizagem e fortalecimento da assistência. O conhecimento sempre traz esperança, transformação e futuro”, afirmou um médico do Hospital das Clínicas em Salvador.

Ciclo 2026

As experiências relatadas por profissionais angolanos e brasileiros refletem os resultados concretos alcançados pelo programa, que vem ampliando progressivamente sua escala e seu impacto na formação de recursos humanos em saúde. Desde sua criação, o Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde Brasil–Angola vem se consolidando como uma das mais abrangentes iniciativas de cooperação Sul-Sul na área da saúde. No ciclo de 2026, o programa amplia significativamente sua escala. Ao todo, 66 instituições formadoras brasileiras ofertaram 1.403 vagas de capacitação em diferentes modalidades de formação.

Até março de 2026, 1.284 profissionais de saúde foram indicados por Angola, dos quais 771 já foram aprovados para iniciar suas atividades formativas no Brasil. Os participantes desenvolverão atividades de formação em hospitais universitários, serviços de saúde, laboratórios e centros de pesquisa, em modalidades que incluem estágios de curta duração, além de especializações e programas de aprimoramento médico e multiprofissional de média e longa duração.

Desde o início do programa, em 2024, os resultados vêm se ampliando de forma consistente. Atualmente, 551 profissionais angolanos encontram-se em formação no Brasil, enquanto 232 já concluíram suas especializações e retornaram a Angola, onde aplicam os conhecimentos adquiridos no fortalecimento do sistema público de saúde do país. Paralelamente, 634 profissionais de saúde foram capacitados diretamente em Angola por instituições brasileiras, ampliando o alcance da cooperação e fortalecendo as capacidades locais de formação e assistência em saúde.

Comunicações e Transparência Pública
Tags: Brasil–Angola Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde São Paulo
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