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Pesquisadores realizam coleta de dados a bordo do navio polar brasileiro Almirante Maximiano
Projeto ATMOS 2 inicia nova fase de estudos no Oceano Austral
O projeto Antarctic Modelling and Observation System 2 (ATMOS 2) iniciou uma nova fase de pesquisas de campo em 5 de outubro, a bordo do navio polar Almirante Maximiano, da Marinha do Brasil. Coordenado por Luciano Ponzi Pezzi, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o projeto estuda a interação entre os sistemas oceânico, atmosférico e a criosfera no Atlântico Sudoeste e no setor Atlântico do Oceano Austral.
Como parte da 44ª Operação Antártica, o ATMOS 2 investiga processos dinâmicos e termodinâmicos relacionados à interação entre gelo marinho, oceano, atmosfera e ondas, com foco nas trocas de calor, CO₂, momentum e energia turbulenta. As pesquisas são realizadas em diferentes escalas — local, regional e global — e têm ênfase na região de conexão entre a Antártica e a América do Sul.
Durante a travessia ao continente antártico, a equipe multidisciplinar do projeto realiza a coleta de dados in situ, utilizando equipamentos como torres micrometeorológicas, balões atmosféricos (radiosondas) e perfiladores oceânicos (XBTs). Paralelamente, serão utilizados modelos acoplados do Sistema Terrestre e dados de reanálises climáticas para investigar fenômenos de teleconexão climática, com impactos diretos no clima do Brasil e da América do Sul.
Os dados obtidos contribuirão para aprimorar as parametrizações físicas dos modelos numéricos do INPE, além de fortalecer a formação de uma rede de pesquisadores especializados nas áreas de clima, oceanografia e criosfera.
A missão segue as diretrizes do Plano Decenal para Ciência Antártica do Brasil (2023–2032), promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e representa um avanço estratégico da ciência brasileira, consolidando a posição do país nas pesquisas internacionais sobre mudanças no sistema climático global.
Desenvolvido no Laboratório de Estudos do Oceano e da Atmosfera (LOA) do INPE, o projeto faz parte de um esforço científico internacional alinhado aos programas SCAR (Scientific Committee on Antarctic Research), CliC (Climate and Cryosphere/WCRP) e SOOS (Southern Ocean Observing System).