Notícias
Portal gratuito terá imagens espaciais com variados níveis de resolução para mapeamento de favelas
INPE participa da construção de Cubo de Dados para Favelas
Plataforma pública com informações qualificadas sobre favelas e seu entorno, o Cubo de Dados para Favelas (BDC-Favelas) apresentará imagens desses territórios produzidas por diferentes tecnologias, que poderão ser acessadas de forma gratuita e aberta. O BDC-Favelas é baseado no projeto Brazil Data Cube (BDC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), no âmbito do CEFAVELA, um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Cepid-Fapesp).
A proposta do BDC-Favelas é organizar conjuntos de imagens de diferentes fontes – incluindo satélites brasileiros e internacionais, além de drones – com níveis variados de resolução, capazes de mostrar desde áreas mais amplas até detalhes com alta precisão.
As imagens para o BDC-Favelas foram geradas por drones em abril na cidade de Mauá, situada na Região Metropolitana de São Paulo, por pesquisadores do INPE e da Universidade Federal do ABC (UFABC).
Os dados do BDC-Favelas serão armazenados e mantidos pelo INPE, em parceria com a UFABC, instituição sede do CEFAVELA, e poderão ser consultados por moradores, pesquisadores, gestores públicos, entidades da sociedade civil, entre outros públicos, assim que a plataforma estiver disponível.
Um aspecto central do BDC-Favelas é seu caráter participativo e customizável. “Como a plataforma é baseada em tecnologia nacional e pública, é possível discutir com cada comunidade como o território será representado e quais dados estarão disponíveis. Assim, as representações poderão ser co-produzidas, envolvendo moradores e lideranças locais na obtenção e disponibilização de imagens, na construção das cartografias e nas interpretações do território”, destaca Antonio Miguel Vieira Monteiro, diretor do INPE que atua como pesquisador principal e coordenador do CEFAVELA.
Mapeamento de riscos ambientais
A plataforma BDC-Favelas funcionará como um visualizador interativo, por meio do qual se poderá explorar dados e, futuramente, associar informações adicionais sobre o território e seu entorno. Entre essas informações poderão estar mapeamentos de riscos ambientais – como enchentes, deslizamentos e ilhas de calor, que foram o foco do trabalho com os drones em Mauá –, infraestrutura urbana, cobertura do solo e outros indicadores de interesse público.
O termo “cubo de dados” refere-se a uma estrutura que organiza grandes volumes de imagens espaciais de forma padronizada e contínua no tempo, permitindo analisar mudanças, comparar informações de diferentes períodos e extrair indicadores de maneira mais eficiente.
“Neste trabalho de campo, foram realizados registros com drones operados em diferentes altitudes, gerando diferentes tipos de imagens – RGB, multiespectrais e termais – com variadas resoluções espaciais. O objetivo foi tanto formar um conjunto de dados que sirva como protótipo para orientar campanhas de coleta, quanto avançar na elaboração de um protocolo para a coleta de dados em favelas”, explica Isabel Escada, pesquisadora do INPE que faz parte do CEFAVELA.
Os drones utilizados geraram imagens com resolução espacial de aproximadamente três centímetros. Para efeito de comparação, as imagens orbitais obtidas por sensores a bordo de satélites como o Landsat têm resolução de 30 metros.
Com informações do CEFAVELA-Cepid/Fapesp