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Com participação do INPE, estudo internacional detecta planeta de baixa massa
Publicado no The Astronomical Journal, estudo internacional com a participação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) analisou dois novos sistemas exoplanetários identificados por meio do fenômeno das microlentes gravitacionais. Os dados foram obtidos no Observatório do Pico dos Dias (OPD), em Brazópolis (MG).
“Nas microlentes gravitacionais, a gravidade de um astro amplia temporariamente a luz de uma estrela mais distante se estivermos observando um quase alinhamento. Se esse astro é uma estrela que possui um planeta, a variação do brilho da estrela distante se comporta de maneira muito específica, que pode ser modelizada para revelar informações da estrela que possui o planeta”, explica Ted Leandro de Almeida, pesquisador da Divisão de Astrofísica do INPE e responsável pelos dados obtidos no OPD.
No evento KMT-2025-BLG-0912, o telescópio de 0,6 metro do OPD realizou 171 medidas fotométricas, com aproximadamente uma imagem por minuto. Esta alta cadência permitiu registrar a primeira parte da anomalia planetária. A curva de luz do evento apresentou duas elevações de brilho da estrela mais distante, sendo que a primeira das elevações foi bem registrada pelos dados do OPD, juntamente com os telescópios do Manet e do Observatório do Teide, contribuindo para definir a forma da anomalia e caracterizar o sistema planetário.
A análise indica que KMT-2025-BLG-0912Lb possui massa próxima de oito vezes a massa da Terra. O planeta deve orbitar uma estrela de massa muito baixa, possivelmente uma pequena anã vermelha ou um objeto próximo ao limite das anãs marrons, a uma separação projetada de aproximadamente 0,8 unidade astronômica.
O pesquisador do INPE acompanhou remotamente as observações, apoiado por pós-graduandos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). “A campanha de 2025 representou a primeira experiência dos alunos em uma campanha científica real”, informa Ted Leandro. “A experiência reforça a importância de treinamentos observacionais para estudantes de graduação, mestrado e doutorado. Além da formação técnica, essas atividades permitem que jovens pesquisadores participem de todo o processo científico, desde a obtenção das imagens até a publicação dos resultados”.
O pesquisador do INPE colabora com a equipe Microlensing Follow-Up Network (μFUN) desde 2018, sendo responsável pelos dados coletados no Brasil desde 2021.
Os resultados mostram a importância das colaborações internacionais envolvendo pesquisadores do INPE e da utilização de observatórios nacionais em redes de monitoramento. A combinação entre infraestrutura científica, experiência observacional e formação de novos pesquisadores permite que o Brasil contribua para a descoberta e a caracterização de mundos localizados a milhares de anos-luz da Terra.