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Brasil e Alemanha assinam acordo para desenvolvimento da missão espacial CO2Image
Assinatura da Declaração Conjunta de Intenções para o desenvolvimento da Missão Espacial CO2Image
Foi assinada, em 20 de abril de 2026, em Hannover (Alemanha), a Declaração Conjunta de Intenções entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) da República Federativa do Brasil e o Ministério Federal da Pesquisa, Tecnologia e Espaço e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR) da República Federal da Alemanha para o desenvolvimento da Missão Espacial CO2Image.
O acordo representa um passo fundamental para a concretização da parceria técnico-científica entre os dois países na área espacial. O ato foi um dos formalmente adotados por ocasião da Visita de Estado do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a Hannover, nos dias 19 e 20 de abril de 2026.
Sobre a Missão Espacial CO2Image
A Missão Espacial CO2Image tem como objetivo detectar e quantificar fontes de dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄) em todo o mundo, com capacidade de identificar emissões a partir de 1 milhão de toneladas por ano. O novo sensor para medição da emissão de gases de efeito estufa poderá complementar outra missão brasileira: enquanto os instrumentos atualmente planejados operam com resolução espacial na ordem de 2 km — o que já representa um avanço significativo —, o sensor do CO2Image entregará uma resolução espacial de 50 metros.
Pelo documento, o Brasil, por meio do INPE, será responsável pelo desenvolvimento do módulo de serviços do satélite, que será baseado na Plataforma P100. Desenvolvida pela área de Engenharia do Instituto, a P100 é uma nova plataforma multimissão na classe de 100 kg, sendo modular e com maior versatilidade. Ela se diferencia dos módulos de serviços de satélites de maior porte já desenvolvidos pelo Instituto, como o Amazônia-1 (com porte de 750-800 kg) e a linha CBERS (de cerca de 2 toneladas), buscando otimizar custos e tempo de desenvolvimento a partir do conhecimento e da experiência acumulados em 40 anos de engenharia espacial no país. O módulo de serviços será integrado à carga útil, que ficará a cargo da Alemanha, e o segmento operacional de solo será compartilhado entre os dois países.
Próximos passos e a importância da missão para o Brasil
Nos próximos passos, o INPE será responsável por desenvolver as especificações técnicas detalhadas da Plataforma P100. Paralelamente, em regime de colaboração com o DLR, o Instituto participará da construção conjunta do projeto da Missão CO2Image, contemplando aspectos como arquitetura da missão, interfaces entre a plataforma e a carga útil, e conceito de operações. Os resultados desses trabalhos serão consolidados em um documento técnico, a ser submetido para aprovação.
"Além das importantes questões científicas, a possibilidade de termos um medidor de gases de efeito estufa em 50 metros amplia nossa capacidade de auxiliar a qualidade do inventário nacional de emissões e de trabalhar esta questão com um conjunto de setores produtivos do país, em particular a indústria de óleo e gás. Nas missões planejadas teremos capacidade para medidas de 2 km de resolução, o que é ótimo. Mas este novo sensor em desenvolvimento, no estado da arte em termos de resolução espacial, combinado com o que já teremos, seria um passo gigante para produtos inovadores no campo e para o setor espacial", declarou Antonio Miguel Vieira Monteiro, diretor do INPE.
A parceria reforça o compromisso do INPE, em articulação com o MCTI e a Agência Espacial Brasileira (AEB), com o desenvolvimento de missões científicas de relevância global, alinhadas com as missões brasileiras em curso, com a agenda de compromissos internacionais do Brasil na pauta climática e com o fortalecimento da autonomia tecnológica do Brasil no setor espacial.