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ANTÚRIO-DAS-PEDRAS
Nova espécie de antúrio é descoberta no Espírito Santo
Pesquisadores do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) e Universidade de São Paulo (USP) descobriram uma nova espécie de antúrio, planta comum na jardinagem e decoração, em função de sua exuberância e longevidade de suas flores.
A planta que cresce sobre as rochas recebeu o nome de antúrio-das-pedras (Anturium petraeum). A espécie, coletada no município de Linhares durante uma expedição científica em março de 2022, foi descrita em um artigo científico publicado recentemente na revista internacional de botânica Phytotaxa.
“O objetivo da expedição era localizar e mapear espécies ameaçadas de extinção fora de unidades de conservação. Coletamos quase 100 amostras botânicas e, entre elas, encontramos um antúrio que crescia sobre rochas. Quando levamos o material ao especialista em antúrios da UFES, o doutor em botânica Rodrigo Valadares, ele suspeitou que se tratava de uma espécie nova”, conta o pesquisador Ricardo Ribeiro, um dos autores do artigo.
Estudos adicionais no acervo botânico do Museu de Biologia Professor Mello Leitão, no Instituto Nacional da Mata Atlântica em Santa Teresa, ajudaram a confirmar o ineditismo do achado. A descoberta científica foi um dos resultados de um projeto interdisciplinar e interinstitucional de conservação de 184 espécies de animais e plantas.
“O Plano de Ação Territorial de Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção do Território Espírito Santo-Minas Gerais (PAT Capixaba-Gerais) é coordenado pelo Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo (IEMA) em parceria com o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF) e tem como objetivo reduzir as ameaças sobre as espécies com engajamento da sociedade”, explica Ricardo Ribeiro. “O PAT Capixaba-Gerais resulta do Projeto Pró-Espécies, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, operacionalizado pela WWF e finalizado em 2025, e para sua execução conta com apoio de pesquisadores especialistas de várias instituições”, completa o pesquisador.
Até o momento, o antúrio-das-pedras é considerado endêmico do Espírito Santo, com registros nos municípios de Linhares e Marilândia. Os pesquisadores indicam que são necessários mais estudos para avaliar as ameaças que a nova espécie enfrenta. Contudo, suspeitam que a espécie pode estar ameaçada de extinção, devido aos efeitos do desmatamento na região. Além disso, o uso crescente de antúrios na decoração torna essas espécies vulneráveis.
“Os antúrios têm sido alvo de biopirataria, extração predatória e comércio ilegal. Práticas que vêm contribuindo para o desaparecimento de diversas espécies”, finaliza Ribeiro.
O artigo completo pode ser acessado em https://phytotaxa.mapress.com/pt/article/view/phytotaxa.732.3.6