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DARWIN DAY
Darwin Day 2026 reúne pesquisadores e estudantes no Instituto Nacional da Mata Atlântica
Evolução, conservação, ecologia, genômica e ensino de ciências são alguns dos temas do Darwin Day 2026 que acontece até quinta-feira (12/02) no Instituto Nacional da Mata Atlântica, em Santa Teresa.
O evento reúne professores, pesquisadores e estudantes e também celebra os 100 anos da teoria do gene. As impressões de Darwin sobre a visita ao Brasil em 1832 foi o tema da palestra do professor da UFRJ, Pablo Gonçalves.
“Foi a primeira vez que ele contato com essa biodiversidade frondosa de uma floresta tropical, de um ecossistema aqui da América do Sul e, por outro lado, por conta das questões sociais, foi a primeira vez que ele teve contato com um país escravocrata, uma sociedade e um governo bastante desestruturados. Então ele teve uma percepção mista de sentimentos de maravilhamento e tristeza”.
O professor também destacou como a experiência na Mata Atlântica influenciou o cientista.
“A observação que ele fez sobre os seres aqui da Mata Atlântica já lançou algumas ideias pra ele como dispersão das espécies, a luta pela sobrevivência, as interações ecológicas entre as espécies, todos processos importantes para sedimentar sua teoria da evolução anos depois. Ele também reforçou o lado humanista, reforçou as convicções pessoais contra a escravidão”, completou o professor.
O Darwin Day é promovido pela Sociedade Brasileira de Genética e Sociedade Brasileira de Biologia Evolutiva.
“O Darwin Day funciona como uma ferramenta de divulgação do conhecimento. Darwin tem uma história muito rica, não só do ponto de vista científico. A teoria darwiniana é transversal no que diz respeito ao estímulo do pensamento crítico, o estímulo a confiar no conhecimento que a ciência produz. A teoria da seleção natural é capaz de interconectar vários vértices que ligam o conhecimento e a transmissão desse conhecimento pra sociedade. É impensável você imaginar tudo que a gente vive hoje sem o conhecimento científico. Todos os benefícios terapêuticos que nós temos, todas as tecnologias que nós usamos surgem de experimentação, observação e geração de conhecimento”, ressaltou o presidente da Sociedade Brasileira de Genética, Lyderson Facio Viccini.
Viccini também falou sobre o papel da ciência no combate à desinformação.
“Eu acho que só há uma maneira de combater o negacionismo e as fake news que é gerando informação de qualidade. Na medida em que você vai propagando esse tipo de informação - juntando aqueles que já acreditam com aqueles que estão abertos a receber esse conhecimento - você vai aumentando a massa crítica em torno daquilo que, de fato, é real”.
O Darwin Day é uma realização do INMA, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES).
“O mais interessante que a gente está observando aqui é a questão da interdisciplinaridade. Ontem tivemos pesquisadores da Genética, hoje da Ecologia, da Zoologia, da Botânica, então a gente vê como áreas que são tão diferentes conseguem encontrar um tema em comum e conversar, então eu acho que isso é muito bacana”, comentou a pesquisadora do INMA, Juliana Hipólito, que também palestrou no evento.
“Eu estou achando muito interessante, principalmente pelo ambiente, é um lugar novo. Em relação ao evento, tenho muita curiosidade sobre evolução, gosto muito da questão de mutações, fiquei empolgado assistindo”, comentou o estudante de biologia da UFRJ, Lucas Moreira.
“Eu estou gostando muito do evento, também da cidade, Santa Teresa é uma cidade muito bonita. Juntar vários pesquisadores de várias áreas diferentes pra fazer esse networking é uma coisa interessante que eu gosto muito”, completou o estudante de biologia, também da UFRJ, Richard Benevides.