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NOVA ESPÉCIE
Nova espécie de cipó é descoberta no Espírito Santo e faz homenagem a Charles Darwin
Uma nova espécie de cipó foi descoberta em Santa Teresa, na região serrana do Espírito Santo. Conduzida por cientistas vinculados ao Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), Universidade de São Paulo (USP), Ghent University (Bélgica) e Goethe Universität (Alemanha), a pesquisa acaba de ser descrita em artigo publicado na revista internacional Plant Ecology and Evolution, do Jardim Botânico Nacional da Bélgica.
A descoberta é resultado do trabalho de doutorado do pesquisador Luiz Fonseca, da Goethe Universität (Alemanha) e combinou análises de material de herbário com estudos genéticos de DNA. A partir da revisão de coletas botânicas realizadas em Santa Teresa e da análise de dados genéticos de espécimes depositados no Herbário MBML, do Instituto Nacional da Mata Atlântica, os pesquisadores confirmaram que se tratava de uma espécie ainda desconhecida pela ciência.
A nova espécie recebeu o nome Adenocalymma darwinii, em homenagem ao naturalista e evolucionista Charles Darwin. Ela pertence à família Bignoniaceae, a mesma dos ipês. “Charles Darwin é conhecido como um dos pais da teoria da evolução por seleção natural. Suas descobertas e ideias inauguraram uma nova perspectiva sobre como a biodiversidade é percebida e compreendida. Esta homenagem também serve como um lembrete da importância de suas ideias e de sua permanente influência”, comenta o pesquisador Luiz Fonseca.
Segundo o biólogo Ricardo Ribeiro, que participou do estudo como bolsista de pesquisa do INMA na época, um dos maiores desafios foi localizar a planta em campo com flores. “O material usado inicialmente estava preservado em herbários, e, nesse processo, a cor das flores se perde. Como espécies aparentadas do Espírito Santo apresentam flores alaranjadas e outras amarelas, era fundamental observar a coloração em campo. Foram necessários quatro anos de expedições em Santa Teresa até conseguirmos encontrar indivíduos floridos e confirmar definitivamente a identidade da espécie”, explica o pesquisador.
O grupo também avaliou o status de conservação da espécie, que foi classificada como DD (Dados Deficientes), segundo os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). “Isso indica que ainda há poucas informações disponíveis e que novos estudos são necessários para determinar se a espécie está ameaçada de extinção”, destaca Ricardo, que também é especialista na família dos ipês e tem mapeado e monitorado as espécies no Espírito Santo.
Um ponto de atenção levantado pelos pesquisadores é que a espécie não foi registrada em nenhuma das duas principais unidades de conservação de Santa Teresa, o que acende um alerta sobre sua proteção. “A ausência da espécie em áreas oficialmente protegidas sugere que suas populações naturais podem estar vulneráveis, reforçando a importância de ações de conservação e de novos levantamentos de campo”, concluem os autores.
O artigo completo pode ser acessado em: https://doi.org/10.5091/plecevo.172513