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Ecossistemas abertos da Mata Atlântica são tema de nova edição do Boletim do Museu de Biologia Mello Leitão – Série INMA
A diversidade da Mata Atlântica vai além das florestas densas. Ambientes abertos, como campos de altitude, restingas e afloramentos rochosos, formam paisagens ricas, únicas, com papel essencial na manutenção da biodiversidade do bioma, embora ainda sejam pouco reconhecidos e frequentemente negligenciados em políticas públicas.
É nesse contexto que a nova edição do Boletim do Museu de Biologia Mello Leitão - Série INMA traz à tona um tema urgente: os ecossistemas abertos da Mata Atlântica. Intitulada “Ecossistemas Abertos na Mata Atlântica” (v.2, n.2, 2025), a publicação reúne sete artigos científicos que envolvem revisões históricas e mapeamentos dessas áreas até discussões sobre a necessidade de uma legislação específica para sua proteção.
Os estudos destacam que ambientes como campos rupestres, restingas e inselbergues — conhecidos popularmente como “pães-de-açúcar” — são fundamentais para a manutenção da biodiversidade. Esses espaços abrigam espécies altamente especializadas, apresentam elevados níveis de endemismo e registram processos ecológicos e evolutivos singulares dentro da Mata Atlântica.
Apesar de sua relevância, esses ecossistemas seguem, em grande parte, invisibilizados. Por não se enquadrarem na imagem tradicional de “floresta”, acabam frequentemente negligenciados em estratégias de conservação e políticas ambientais, o que aumenta sua vulnerabilidade frente a pressões como expansão urbana, mineração e mudanças no uso do solo.
A nova edição do boletim, organizada pelos pesquisadores do INMA Danilo Pacheco Cordeiro e Pedro Lage Viana, busca justamente reverter esse cenário, oferecendo subsídios científicos que fortaleçam o debate público e orientem a criação de instrumentos legais e áreas protegidas que contemplem a real diversidade do bioma. “Ao reunir diferentes abordagens e evidências, a publicação contribui para ampliar o reconhecimento dos ecossistemas abertos como componentes essenciais da Mata Atlântica — e para reforçar a urgência de sua conservação”, destaca a editora-chefe do Boletim, Juliana Lazzarotto.
“Ambientes abertos na Mata Atlântica são partes fundamentais da paisagem, abrigando muita riqueza biológica, altos níveis de endemismo, processos ecológicos únicos e registros únicos da história evolutiva da Mata Atlântica. Infelizmente, esses ambientes sofrem com a negligência sistemática nas políticas públicas de conservação”, alerta Pedro Viana.
A nova edição pode ser acessada no link https://editora.inma.gov.br/index.php/mbml/issue/view/2