O número estimado de casos novos de câncer de mama no Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 78.610 casos, com risco estimado de 71,57 casos novos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama feminina é o mais incidente no país. O maior risco estimado é observado na região Sudeste, de 88,29 por 100 mil mulheres. O risco é de 77,91 casos por 100 mil na região Sul; de 61,32 casos por 100 mil na região Centro-oeste; de 58,02 casos por 100 mil na região Nordeste; e de 31,28 casos novos por 100 mil mulheres na região Norte (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).
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O câncer de mama é uma neoplasia maligna que se origina, principalmente, no tecido glandular mamário e apresenta ampla diversidade morfológica e molecular, sendo o carcinoma ductal o tipo histológico mais frequente. A classificação molecular permite identificar subgrupos com características distintas de prognóstico e sensibilidade às terapias. Quando diagnosticado e tratado precocemente, apresenta, na maioria dos casos, prognóstico favorável (Who Classification of Tumours, 2019a; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).
Os principais fatores de risco para o câncer de mama podem ser agrupados em fatores endócrinos e reprodutivos, relacionados ao estilo de vida, a exposições ambientais e a fatores hereditários e genéticos. A idade acima de 50 anos é o principal fator de risco, refletindo o acúmulo de exposições hormonais e alterações biológicas do envelhecimento. O risco também aumenta com maior exposição estrogênica ao longo da vida, incluindo menarca precoce, menopausa tardia, nuliparidade, uso de contraceptivos orais combinados e terapia de reposição hormonal na pós-menopausa (Who Classification of Tumours, 2019a; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020). Entre os fatores modificáveis, destacam-se o excesso de gordura corporal, a inatividade física e o consumo de álcool (World Cancer Research Fund; American Institute for Cancer Research, 2018). A exposição à radiação ionizante e o trabalho noturno, reconhecidos como fatores ocupacionais de risco, também contribuem para o aumento do risco. Já os fatores genéticos, especialmente mutações nos genes BRCA1, BRCA2, PALB2, CHEK2 e outros, representam de 5 a 10% dos casos (Larsen et al., 2014; Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, 2021a).
Mundialmente, o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres e o segundo no ranking global, representando 11,6% do total de casos. Em 2022, foram estimados cerca de 2,3 milhões de casos novos, o equivalente a 23,8% de todos os cânceres em mulheres, excluídos os casos de pele não melanoma. As maiores taxas de incidência foram observadas na França, na Austrália e na Nova Zelândia, além da América do Norte e de países da Europa Ocidental. As taxas de incidência por câncer de mama vêm aumentando rapidamente em países em transição, como os da América do Sul, da África e da Ásia. Esse crescimento reflete mudanças nos fatores reprodutivos, no estilo de vida e no acesso ao diagnóstico, incluindo o maior uso do rastreamento mamográfico (Bray et al., 2024; Migowski et al., 2018).
Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 20.165 óbitos por câncer de mama feminina, correspondendo a um risco estimado de 18,59 mortes por 100 mil mulheres (Instituto Nacional de Câncer, [2025a]).