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Síntese de Resultados e Comentários

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Publicado em 01/02/2023 16h44 Atualizado em 04/02/2026 10h07
    • Introdução

      Apresenta-se a seguir uma síntese das estimativas de incidência para cada ano do triênio de 2026 a 2028 no Brasil, assim como breves comentários sobre cada tipo de câncer incluído nesta Estimativa.

    • Câncer de mama

      O número estimado de casos novos de câncer de mama no Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 78.610 casos, com risco estimado de 71,57 casos novos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama feminina é o mais incidente no país. O maior risco estimado é observado na região Sudeste, de 88,29 por 100 mil mulheres. O risco é de 77,91 casos por 100 mil na região Sul; de 61,32 casos por 100 mil na região Centro-oeste; de 58,02 casos por 100 mil na região Nordeste; e de 31,28 casos novos por 100 mil mulheres na região Norte (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O câncer de mama é uma neoplasia maligna que se origina, principalmente, no tecido glandular mamário e apresenta ampla diversidade morfológica e molecular, sendo o carcinoma ductal o tipo histológico mais frequente. A classificação molecular permite identificar subgrupos com características distintas de prognóstico e sensibilidade às terapias. Quando diagnosticado e tratado precocemente, apresenta, na maioria dos casos, prognóstico favorável (Who Classification of Tumours, 2019a; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      Os principais fatores de risco para o câncer de mama podem ser agrupados em fatores endócrinos e reprodutivos, relacionados ao estilo de vida, a exposições ambientais e a fatores hereditários e genéticos. A idade acima de 50 anos é o principal fator de risco, refletindo o acúmulo de exposições hormonais e alterações biológicas do envelhecimento. O risco também aumenta com maior exposição estrogênica ao longo da vida, incluindo menarca precoce, menopausa tardia, nuliparidade, uso de contraceptivos orais combinados e terapia de reposição hormonal na pós-menopausa (Who Classification of Tumours, 2019a; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020). Entre os fatores modificáveis, destacam-se o excesso de gordura corporal, a inatividade física e o consumo de álcool (World Cancer Research Fund; American Institute for Cancer Research, 2018). A exposição à radiação ionizante e o trabalho noturno, reconhecidos como fatores ocupacionais de risco, também contribuem para o aumento do risco. Já os fatores genéticos, especialmente mutações nos genes BRCA1, BRCA2, PALB2, CHEK2 e outros, representam de 5 a 10% dos casos (Larsen et al., 2014; Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, 2021a).

      Mundialmente, o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres e o segundo no ranking global, representando 11,6% do total de casos. Em 2022, foram estimados cerca de 2,3 milhões de casos novos, o equivalente a 23,8% de todos os cânceres em mulheres, excluídos os casos de pele não melanoma. As maiores taxas de incidência foram observadas na França, na Austrália e na Nova Zelândia, além da América do Norte e de países da Europa Ocidental. As taxas de incidência por câncer de mama vêm aumentando rapidamente em países em transição, como os da América do Sul, da África e da Ásia. Esse crescimento reflete mudanças nos fatores reprodutivos, no estilo de vida e no acesso ao diagnóstico, incluindo o maior uso do rastreamento mamográfico (Bray et al., 2024; Migowski et al., 2018).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 20.165 óbitos por câncer de mama feminina, correspondendo a um risco estimado de 18,59 mortes por 100 mil mulheres (Instituto Nacional de Câncer, [2025a]).

    • Câncer de próstata

      O número estimado de casos novos de câncer de próstata no Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 77.920, com risco estimado de 74,62 casos novos a cada 100 mil homens (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata ocupa a segunda posição entre os cânceres mais incidentes no país. Entre os homens, é o câncer mais incidente no Brasil e em todas as regiões, com risco estimado de 94,90 casos a cada 100 mil homens na região Sudeste; 70,49 casos a cada 100 mil na região Nordeste; 68,95 casos a cada 100 mil na região Centro-oeste; 56,09 casos a cada 100 mil na região Sul; e 29,94 casos a cada 100 mil na região Norte (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O câncer de próstata é, na maioria dos casos, uma neoplasia maligna que se origina nas células epiteliais das glândulas prostáticas, sendo composto predominantemente por adenocarcinomas acinares, responsáveis por mais de 95% dos casos diagnosticados. Subtipos histológicos menos comuns incluem carcinomas ductais, escamosos e neuroendócrinos (Who Classification of Tumours, 2022b). Sua evolução clínica varia conforme a idade do diagnóstico e o estádio da doença.

      O risco aumenta com o envelhecimento, especialmente após os 60 anos. A hereditariedade é um fator de risco relevante, destacando-se as mutações no gene BRCA2 e a síndrome de Lynch (Who Classification of Tumours, 2022b), e sua ocorrência é mais frequente em homens negros (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020). Entre os fatores modificáveis, destaca-se o excesso de gordura corporal (World Cancer Research Fund; American Institute for Cancer Research, 2018). Quanto às exposições ocupacionais, o trabalho noturno, a exposição à radiação ionizante, a alguns metais e a agentes utilizados na produção de borracha estão associados ao aumento do risco, embora com evidências ainda limitadas em humanos (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, 2021a).

      Mundialmente, o câncer de próstata é o quarto mais incidente entre todos os tipos de câncer e o segundo mais incidente entre os homens. Em 2022, foram estimados aproximadamente 1,5 milhão de casos novos, representando 14,2% de todos os cânceres em homens e 7,3% de todos os cânceres na população em geral. As maiores taxas de incidência foram observadas no Norte da Europa, na Austrália, na Nova Zelândia, no Caribe e na América do Norte (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 17.258 óbitos por câncer de próstata, correspondendo a um risco estimado de 16,71 mortes por 100 mil homens (Instituto Nacional de Câncer, [2025a]).

    • Cânceres de cólon e reto

      O número estimado de casos novos de cânceres de cólon e reto para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 53.810 casos, com risco estimado de 25,11 casos por 100 mil habitantes. Desse total, são estimados 26.270 casos entre os homens e 27.540 casos entre as mulheres. Esses valores correspondem aos riscos estimados de 25,16 casos novos a cada 100 mil homens e de 25,07 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, os cânceres de cólon e reto ocupam a terceira posição entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil. As maiores taxas de incidência são observadas nas regiões Sul e Sudeste para homens e mulheres. São o segundo tipo de câncer mais incidente entre os homens na região Sul (35,44 casos por 100 mil homens), assim como no Sudeste (33,41 por 100 mil homens), no Centro-oeste (23,02 por 100 mil homens) e no Nordeste (13,15 por 100 mil homens). Na região Norte, ocupam a quarta posição (8,24 por 100 mil homens). Entre as mulheres, são o segundo mais frequente nas regiões Sudeste (33,55 por 100 mil mulheres), Sul (32,57 por 100 mil mulheres) e Centro-oeste (21,68 por 100 mil mulheres). Nas regiões Nordeste (14,00 por 100 mil mulheres) e Norte (8,72 por 100 mil mulheres), são o terceiro câncer mais incidente.

      Comentários

      Os cânceres de cólon e reto iniciam-se no intestino grosso, podendo ocorrer em qualquer segmento do cólon ou do reto, imediatamente antes do ânus. É uma doença heterogênea e multifatorial, que se desenvolve predominantemente a partir de mutações genéticas em lesões benignas, como pólipos adenomatosos e serrilhados. O tipo histológico adenocarcinoma corresponde a mais de 90% dos casos diagnosticados (Who Classification of Tumours, 2019b).

      Os principais fatores de risco são os comportamentais, como tabagismo, sedentarismo, excesso de gordura corporal, consumo de bebidas alcoólicas, consumo elevado de carne vermelha e carnes processadas, além do baixo consumo de alimentos ricos em f ibras, como cereais integrais, leguminosas, frutas e vegetais (World Cancer Research Fund; American Institute for Cancer Research, 2018). Outros fatores incluem condições genéticas ou hereditárias, como doença inflamatória intestinal crônica e histórico pessoal ou familiar de pólipos adenomatosos ou câncer colorretal, além de exposições ocupacionais a radiações ionizantes (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      Possuem alto potencial de prevenção primária por meio de ações voltadas para hábitos de vida saudáveis. No Brasil, têm sido priorizados o diagnóstico precoce e a abordagem personalizada para situações de alto risco (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, 2021b).  Em 2023, foi instituído um Grupo de Trabalho para o enfrentamento dos cânceres de cólon e reto, com o objetivo de fortalecer a prevenção, a detecção precoce e o tratamento dessa doença no Brasil. Entre os produtos previstos, estão a elaboração de diretrizes para o rastreamento e a organização de ações para sua implementação (Instituto Nacional de Câncer, 2025b).

      Mundialmente, os cânceres de cólon e reto são o terceiro mais incidente, com aproximadamente 1,9 milhão de casos novos estimados em 2022, representando 9,6% de todos os cânceres. Entre os homens, ocuparam a terceira posição, com 10,4% dos casos de câncer, e, entre as mulheres, também foram o terceiro mais incidente, correspondendo a 8,9% dos cânceres (Bray et al., 2024). As maiores taxas de incidência de cânceres de cólon foram observadas na Europa, na Austrália, na Nova Zelândia e na América do Norte, com destaque para a Dinamarca entre os homens e a Noruega entre as mulheres. Para o câncer de reto, a distribuição regional foi semelhante, embora as taxas na Ásia Oriental estejam entre as mais elevadas, superando as da América do Norte (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 23.953 óbitos por cânceres de cólon e reto. Entre os homens, foram registrados 12.094 óbitos (11,71 por 100 mil homens), e, entre as mulheres, 11.859 óbitos (10,94 por 100 mil mulheres) (Instituto Nacional de Câncer, 2025a).

    • Cânceres de traqueia, brônquios e pulmão

      O número estimado de casos novos de cânceres de traqueia, brônquio e pulmão para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 35.380 casos, com risco estimado de 16,51 casos por 100 mil habitantes. Desse total, são estimados 18.730 casos entre os homens e 16.650 entre as mulheres. Esses valores correspondem aos riscos estimados de 17,95 casos novos a cada 100 mil homens e de 15,14 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, os cânceres de traqueia, brônquio e pulmão ocupam a quarta posição entre os tipos de câncer mais incidentes. Nas regiões Sul e Sudeste, são observadas as taxas de incidência mais elevadas para homens e mulheres. Em homens, são a terceira neoplasia mais frequente nas regiões Sul (30,02 por 100 mil homens), Sudeste (19,07 por 100 mil homens), Centro-oeste (16,49 por 100 mil homens) e Norte (9,70 por 100 mil homens). Na região Nordeste (12,83 por 100 mil homens), ocupam a quarta posição. Entre as mulheres, são o terceiro câncer mais incidente nas regiões Sul (22,35 por 100 mil mulheres) e Sudeste (16,74 por 100 mil mulheres). Já nas regiões Centro-oeste (12,85 por 100 mil mulheres) e Norte (7,66 por 100 mil mulheres), ocupam a quarta posição. Na região Nordeste (11,79 por 100 mil mulheres), são o quinto mais incidente (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O câncer de pulmão é dividido em dois grandes grupos histológicos, que diferem quanto à origem celular, agressividade e resposta ao tratamento: os carcinomas de células não pequenas, que incluem adenocarcinoma, carcinoma de células escamosas e carcinoma de grandes células, e o carcinoma de pequenas células (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020). Frequentemente, apresenta sintomas iniciais inespecíficos, como tosse persistente, dispneia e perda de peso, o que dificulta o diagnóstico precoce (Miranda--Filho et al., 2021).

      O principal fator de risco é o tabagismo ativo, seguido da exposição passiva à fumaça do tabaco. Diversos agentes ocupacionais e ambientais são classificados como carcinogênicos para humanos (Grupo 1 da Iarc), com evidência suficiente de associação com câncer de pulmão, incluindo amianto, sílica cristalina, compostos de arsênio, cádmio, cromo VI, berílio, níquel, fuligem, alcatrão de hulha, emissões de motores a diesel, poeiras de carvão, processos de coque, fundições de ferro e aço, mineração de hematita, produção de alumínio e borracha, além de fumos de solda, gases radioativos como o radônio, radiação ionizante e poluição do ar ambiente (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020). Muitos desses agentes têm um efeito sinérgico com o tabagismo (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, 2021a).

      Mundialmente, o câncer de pulmão é o segundo mais incidente, com aproximadamente 2,5 milhões de casos novos estimados em 2022, representando 12,4% de todos os cânceres. Entre os homens, foi o mais incidente, correspondendo a 15,3% dos casos, e, entre as mulheres, ocupou a segunda posição, com 9,4% dos casos. As maiores taxas de incidência de câncer de pulmão foram observadas na América do Norte, na Ásia Oriental e no Norte da Europa, sendo a Hungria o país com a maior taxa estimada (Bray et al., 2024).

      O observado declínio das taxas de incidência em homens em diversos países reflete a redução da prevalência do tabagismo, iniciada há algumas décadas. Em contraste, as taxas em mulheres continuam a aumentar, com tendência de estabilização ou queda apenas em alguns países, como os Estados Unidos. Como resultado, as taxas de incidência em mulheres vêm se aproximando ou mesmo superando as taxas observadas em homens nas faixas etárias mais jovens, apontando para um provável aumento da carga da doença entre mulheres nas próximas décadas (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 31.237 óbitos por cânceres de traqueia, brônquio e pulmão. Entre os homens, foram registrados 16.758 óbitos (16,23 por 100 mil). Entre as mulheres, 14.479 óbitos (13,35 por 100 mil) (Instituto Nacional de Câncer, [2025a]).

    • Câncer de estômago

      O número estimado de casos novos de câncer de estômago para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 22.530 casos, com risco estimado de 10,52 casos por 100 mil habitantes. Desse total, são estimados 13.830 casos em homens e 8.700 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 13,25 casos novos a cada 100 mil homens e de 7,92 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de estômago ocupa a quinta posição entre os tipos de câncer mais incidentes no país. As maiores taxas são observadas na região Sul, para ambos os sexos. Em homens, é o segundo mais incidente na região Norte (13,30 por 100 mil homens) e o terceiro na região Nordeste (12,99 por 100 mil homens). Nas regiões Sul (15,75 por 100 mil homens) e Centro-oeste (10,25 por 100 mil homens), ocupa o quarto lugar. Na região Sudeste (13,12 por 100 mil homens), é o quinto mais incidente. Para as mulheres, é o quinto mais frequente na região Norte (6,83 por 100 mil mulheres); e o sexto mais frequente nas regiões Sul (9,06 por 100 mil mulheres) e Nordeste (8,00 por 100 mil mulheres). Na região Centro-oeste (6,12 por 100 mil mulheres), ocupa a sétima posição; e, na região Sudeste (8,03 por 100 mil mulheres), a oitava (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O câncer de estômago pode ser classificado de acordo com a localização anatômica (proximal ou distal) e segundo a classificação de Lauren, que diferencia o tipo intestinal, geralmente associado à inflamação crônica, e o tipo difuso, mais relacionado a alterações genéticas hereditárias, como mutações no gene CDH1. O adenocarcinoma é o tipo histológico mais frequente (Who Classification of tumours, 2019b). Na maioria dos casos, o diagnóstico ocorre em estágios avançados, em razão da ausência de sintomas específicos nos estágios iniciais (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      A infecção pela bactéria Helicobacter pylori é o principal fator de risco conhecido para o câncer gástrico. Apesar de ser uma causa necessária, não é suficiente. Fatores como tabagismo e aqueles relacionados à alimentação e à nutrição, como o consumo de alimentos conservados no sal, o consumo de álcool e o excesso de gordura corporal, contribuem para o risco de desenvolvimento da doença. Condições preexistentes, como gastrite atrófica crônica, metaplasia intestinal e anemia perniciosa, aumentam a chance de progressão para adenocarcinoma. Em menor proporção, fatores hereditários, como mutações germinativas no gene CDH1, estão associados ao câncer gástrico difuso hereditário. Exposições ocupacionais a poeiras, substâncias químicas e metais pesados também podem contribuir para o aumento no risco (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, 2021a; Who Classification of tumours, 2019b; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020; World Cancer Research Fund; American Institute for Cancer Research, 2018).

      Mundialmente, o câncer de estômago ocupa a quinta posição em incidência, com aproximadamente 968 mil casos novos estimados em 2022, representando 4,9% de todos os cânceres. Entre os homens, foi o terceiro mais incidente, correspondendo a 6,1% dos casos (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 14.823 óbitos por câncer de estômago. Entre os homens, foram registrados 9.310 óbitos (9,02 por 100 mil) e, entre as mulheres, 5.513 óbitos (5,08 por 100 mil) (Instituto Nacional de Câncer, [2025a]).

    • Câncer do colo do útero

      O número estimado de casos novos do câncer do colo do útero para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 19.310, com risco estimado de 17,59 casos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do colo do útero ocupa a sexta posição entre os tipos mais incidentes de câncer. Nas mulheres, é o terceiro câncer mais incidente. Quanto à distribuição geográfica, é o segundo mais incidente nas regiões Norte (22,79 por 100 mil mulheres) e Nordeste (20,76 por 100 mil mulheres). Na região Centro-oeste (19,58 por 100 mil mulheres), ocupa a terceira posição; na região Sul (17,72 por 100 mil mulheres), a quarta; e, na região Sudeste (14,06 por 100 mil mulheres), a quinta posição (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O câncer do colo do útero é causado pela infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV (Who Classification of Tumours, 2020). Entre os 12 HPV de alto risco, os tipos 16 e 18 são responsáveis pela maioria dos casos diagnosticados. O carcinoma de células escamosas é o tipo histológico mais frequente, seguido pelo adenocarcinoma. A persistência da infecção pode induzir alterações celulares progressivas, levando ao surgimento de lesões precursoras, que, se não forem detectadas e tratadas de forma oportuna, podem evoluir para câncer invasivo (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      Quando detectado precocemente e tratado de forma adequada, o câncer do colo do útero apresenta alto potencial de cura, sendo considerado altamente prevenível por vacinação e rastreamento organizado (Who Classification of Tumours, 2020). Embora a infecção persistente por tipos oncogênicos de HPV seja condição necessária para o desenvolvimento do câncer do colo do útero, diversos cofatores podem influenciar a persistência viral e a progressão das lesões precursoras para câncer invasivo. Entre os principais, cofatores, estão a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e outras condições de imunossupressão, as coinfecções por outras infecções sexualmente transmissíveis, como Chlamydia trachomatis, o uso prolongado de contraceptivos orais e a multiparidade (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020; Who Classification of Tumours, 2020).

      Em 2022, o câncer do colo do útero foi o quarto mais incidente entre as mulheres no mundo, com aproximadamente 661 mil casos novos, representando 6,8% de todos os cânceres em mulheres. No ranking global, ocupa a oitava posição em incidência, correspondendo a 3,3% de todos os casos de câncer. As maiores taxas de incidência de câncer do colo do útero foram observadas na África Subsaariana, bem como em países da América do Sul e do Sudeste Asiático (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 7.209 óbitos por câncer do colo do útero, correspondendo a um risco estimado de 6,65 mortes por 100 mil mulheres (Instituto Nacional de Câncer, [2025a]).

    • Câncer da cavidade oral

      O número estimado de casos novos de câncer da cavidade oral (C00-C10) para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 17.190 casos, com risco estimado de 7,98 por 100 mil habitantes. Desse total, são estimados 12.260 casos novos em homens e 4.930 em mulheres. Esses valores correspondem aos riscos estimados de 11,68 casos novos a cada 100 mil homens e de 4,46 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer da cavidade oral ocupa a sétima posição entre os tipos de câncer mais incidentes. Em homens, é o quarto mais incidente na região Sudeste (14,07 por 100 mil homens). Ocupa a quinta posição nas regiões Sul (13,89 por 100 mil homens), Centro-oeste (10,16 por 100 mil homens) e Nordeste (9,57 por 100 mil homens). Na região Norte (4,77 por 100 mil homens), é o sexto mais frequente. Entre as mulheres, é o 11.º mais incidente na região Sudeste (5,57 por 100 mil mulheres), o 12.º na região Centro-oeste (3,58 por 100 mil mulheres) e o 13.º na região Norte (2,20 por 100 mil mulheres). Nas regiões Nordeste (4,00 por 100 mil mulheres) e Sul (3,93 por 100 mil mulheres), ocupa a 14.ª e a 16.ª posições, respectivamente (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      Os cânceres de lábios e cavidade oral (C00-C06), glândulas salivares (C07-C08) e orofaringe (C09-C10) reúnem o grupo de neoplasias malignas que acometem lábios, língua, gengiva, assoalho da boca, mucosa jugal, palato duro, outras partes da boca, bem como glândula parótida, outras glândulas salivares maiores, palato mole, úvula, amígdala e orofaringe. Apresentam comportamento clínico variável conforme a localização, originando-se predominantemente do epitélio escamoso que reveste a mucosa oral. O carcinoma espinocelular é o tipo histológico mais frequente, respondendo por mais de 90% dos casos diagnosticados (Miranda-Filho et al., 2025; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020; Who Classification of Tumours, 2022a;).

      O principal fator de risco para o câncer da cavidade oral é o tabagismo, seguido do consumo de bebidas alcoólicas, sendo o risco significativamente maior quando esses fatores estão combinados. Para o câncer de lábio, a exposição prolongada à radiação solar sem proteção adequada é o fator de risco mais relevante. Já a infecção persistente pelo HPV, em especial o tipo 16, está associada ao câncer de orofaringe. O excesso de gordura corporal está associada a um risco aumentado de cânceres de boca, faringe e laringe. Além disso, o consumo de carne vermelha, carne processada e bebidas em altas temperaturas parece estar associado ao risco aumentado de câncer de nasofaringe, com evidências limitadas (World Cancer Research Fund; American Institute for Cancer Research, 2018; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      Em 2022, foram estimados, mundialmente, aproximadamente 389 mil casos novos de cânceres de lábios e cavidade oral (C00-C06), correspondendo à 16.ª posição em incidência global e a 2,0% do total de casos de câncer. Para o câncer de nasofaringe, estimaram-se cerca de 120 mil casos novos, ocupando a 23.ª posição. O câncer de orofaringe registrou cerca de 106 mil casos novos, sendo o 24.º mais incidente, enquanto o câncer de hipofaringe totalizou 86 mil casos novos, na 25.ª posição. Os cânceres de lábio e cavidade oral foram o terceiro mais incidente em países de baixo e médio desenvolvimento humano, com uma taxa de 10,0 casos por 100 mil habitantes (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 7.172 óbitos por cânceres de cavidade oral (C00-C06), glândulas salivares (C07-C08) e orofaringe (C09-C10). Entre os homens, foram registrados 5.486 óbitos (5,31 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 1.686 óbitos (1,55 por 100 mil mulheres) (Instituto Nacional de Câncer, [2025a]).

    • Câncer de glândula tireoide

      O número estimado de casos novos de câncer de tireoide para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 16.450 casos, com risco estimado de 7,68 por 100 mil habitantes. Desse total, são estimados 3.140 casos novos em homens e 13.310 em mulheres. Esses valores correspondem aos riscos estimados de 2,99 casos novos a cada 100 mil homens e de 12,15 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de glândula tireoide ocupa a oitava posição entre os tipos de câncer mais frequentes. Em homens, ocupa a 14.ª posição nas regiões Nordeste (3,28 por 100 mil homens) e Centro-oeste (3,28 por 100 mil homens). Nas regiões Sudeste (3,44 por 100 mil homens), Sul (2,25 por 100 mil homens) e Norte (1,02 por 100 mil homens), ocupa a 15.ª posição. Entre as mulheres, é o quarto tipo de câncer mais frequente nas regiões Sudeste (14,25 por 100 mil mulheres) e Nordeste (13,98 por 100 mil mulheres). Já na região Centro-oeste (12,51 por 100 mil mulheres), é o quinto mais frequente, ocupando a sexta e a 12.ª posições nas regiões Norte (4,52 por 100 mil mulheres) e Sul (7,06 por 100 mil mulheres), respectivamente (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O câncer de glândula tireoide apresenta diferentes tipos histológicos, que variam quanto à origem celular, à frequência e ao comportamento clínico (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020). O carcinoma papilífero é o subtipo mais comum, seguido pelo carcinoma folicular, ambos derivados de células foliculares. Já o carcinoma medular origina-se nas células C parafoliculares e é menos frequente. O carcinoma anaplásico, embora raro, é altamente agressivo e de evolução rápida. A maioria dos casos de câncer de glândula tireoide apresenta bom prognóstico, especialmente quando o câncer é diagnosticado em estágios iniciais (Who Classification of Tumours, 2017a).

      A principal condição de risco para o desenvolvimento do câncer de glândula tireoide é a exposição à radiação ionizante na região do pescoço, especialmente durante a infância. A radioterapia em baixas doses, historicamente utilizada para tratar doenças benignas, também está associada a risco aumentado. Dietas pobres em iodo podem contribuir para o surgimento de carcinomas foliculares, especialmente em áreas endêmicas. Além disso, condições genéticas e hereditárias, como mutações germinativas no gene RET (carcinoma medular hereditário), e síndromes, como neoplasia endócrina múltipla tipo 2, Cowden e Gardner, também elevam o risco para determinados subtipos histológicos (Who Classification of Tumours, 2017a; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      Em 2022, o câncer de tireoide ocupou a sétima posição em incidência mundial, com aproximadamente 821 mil casos novos, representando 4,1% de todos os cânceres. Entre as mulheres, foi o quinto mais incidente, com 6,4% dos casos. As maiores taxas de incidência em ambos os sexos foram observadas no Leste Asiático, onde as taxas são o dobro das registradas na América do Norte, segunda colocada. O câncer de tireoide apresenta maior proporção de casos incidentes entre as mulheres e em países desenvolvidos (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 988 óbitos por câncer de tireoide. Entre os homens, foram registrados 320 óbitos (0,31 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 668 óbitos (0,62 por 100 mil mulheres) (Instituto Nacional de Câncer, [2025a]).

    • Câncer de pâncreas

      O número estimado de casos novos de câncer de pâncreas no Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 13.240 casos, com risco estimado de 6,18 casos por 100 mil habitantes. Desse total, são estimados 6.330 casos em homens e 6.910 em mulheres. Esses valores correspondem aos riscos estimados de 6,08 casos novos a cada 100 mil homens e de 6,28 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de pâncreas ocupa a nona posição entre os tipos de câncer mais frequentes. A região Sul apresenta as maiores taxas de incidência entre homens e mulheres. Em homens, ocupa a décima posição na região Sudeste (7,27 por 100 mil homens), a 11.ª nas regiões Sul (8,93 por 100 mil homens) e Norte (2,68 por 100 mil homens) e a 12.ª na região Centro-oeste (4,77 por 100 mil homens). Na região Nordeste (4,24 por 100 mil homens), ocupa a 13.ª posição. Entre as mulheres, é o quinto mais frequente na região Sul (9,17 por 100 mil mulheres). Nas regiões Sudeste (7,28 por 100 mil mulheres) e Centro-oeste (4,91 por 100 mil mulheres), ocupa a nona e a décima posições, respectivamente. Na região Nordeste, ocupa a 11.a posição (4,73 por 100 mil mulheres) e, na região Norte (2,59 por 100 mil mulheres), a 12.ª posição (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O câncer de pâncreas é uma neoplasia maligna que, na maioria dos casos, origina-se na porção exócrina do órgão, sendo o adenocarcinoma ductal o subtipo mais comum (Who Classification of Tumours, 2019b). Essa neoplasia geralmente não causa sinais ou sintomas específicos nos estágios iniciais, o que contribui para o diagnóstico tardio e para sua alta taxa de mortalidade (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      A idade avançada está associada ao aumento do risco de câncer de pâncreas. Entre os fatores de risco modificáveis, destacam-se o excesso de gordura corporal e o tabagismo. O consumo de álcool e as dietas ricas em carne vermelha e processada apresentam evidências sugestivas de aumento do risco (World Cancer Research Fund; American Institute for Cancer Research, 2018; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020). O diabetes mellitus tipo 2 também está associado ao maior risco, assim como condições genéticas ou hereditárias, como a síndrome de Lynch, o câncer pancreático familiar e a pancreatite hereditária (Who Classification of Tumours, 2019b; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      Em 2022, o câncer de pâncreas ocupou a 12.ª posição em incidência mundial, com aproximadamente 511 mil casos novos, representando 2,6% do total de casos de câncer. A incidência é expressivamente mais elevada em países desenvolvidos do que nos países de baixo e médio desenvolvimento socioeconômico. Entre os homens, as maiores taxas de casos incidentes foram observadas na Europa Ocidental, na Europa Oriental e na América do Norte; entre as mulheres, destacaram-se a Europa Ocidental, a América do Norte e o Sul da Europa (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 13.507 óbitos por câncer de pâncreas. Entre os homens, foram registrados 6.589 óbitos (6,38 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 6.918 óbitos (6,38 por 100 mil mulheres) (Instituto Nacional de Câncer, 2025a).

    • Câncer de bexiga

      O número estimado de casos novos de câncer de bexiga para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 13.110, com risco estimado de 6,12 casos a cada 100 mil habitantes. Desse total, são estimados 9.040 casos novos em homens e 4.070 em mulheres. Esses valores correspondem aos riscos estimados de 8,65 casos novos a cada 100 mil homens e de 3,71 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de bexiga ocupa a décima posição entre os tipos de câncer mais frequentes. Em homens, ocupa a sexta posição na região Sudeste (11,73 por 100 mil homens) e a sétima posição na região Sul (11,71 por 100 mil homens). Na região Centro-oeste (5,81 por 100 mil homens), ocupa a nona posição. Nas regiões Nordeste (5,13 por 100 mil homens) e Norte (2,65 por 100 mil homens), ocupa a 11.ª e a 12.ª posições, respectivamente. Entre as mulheres, é o 13.º mais frequente na região Sudeste (5,17 por 100 mil mulheres), o 15.º nas regiões Sul (4,17 por 100 mil mulheres), Centro-oeste (2,80 por 100 mil mulheres) e Norte (1,10 por 100 mil mulheres), e o 17.º na região Nordeste (2,30 por 100 mil mulheres) (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O câncer de bexiga é uma neoplasia que se origina predominantemente do epitélio de transição, ou urotélio, que reveste o trato urinário (Who Classification of Tumours, 2022b). É uma neoplasia multicêntrica, podendo surgir em diferentes locais do sistema urinário, sendo a bexiga o local mais frequente. O tipo histológico mais comum é o carcinoma urotelial (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      O principal fator de risco é o tabagismo. Outros fatores importantes incluem exposições ocupacionais e ambientais, como o contato com aminas aromáticas, com agentes presentes na produção de borracha e alumínio, com corantes industriais, com agentes do trabalho como pintor e com o arsênio. A radiação ionizante também é reconhecida como fator de risco, especialmente em indivíduos que receberam radioterapia prévia na região pélvica (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020; Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, 2021a; Who Classification of Tumours, 2022b).

      Em 2022, o câncer de bexiga ocupou a nona posição em incidência mundial, com aproximadamente 614 mil casos novos, representando 3,1% do total de casos de câncer. As taxas de incidência foram consideravelmente maiores entre os homens, ocupando a sexta posição, enquanto, entre as mulheres, foi o nono tipo mais incidente. As maiores taxas de incidência foram observadas no sul da Europa, tendo a Espanha apresentado a maior taxa entre os homens, e em outras regiões europeias, como o norte da Europa, com destaque para os Países Baixos entre as mulheres (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 5.252 óbitos por câncer de bexiga. Entre os homens, foram registrados 3.423 óbitos (3,32 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 1.829 óbitos (1,69 por 100 mil mulheres) (Instituto Nacional de Câncer, 2025a).

    • Linfoma não Hodgkin

      O número estimado de casos novos de linfoma não Hodgkin para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 12.560 casos, com risco estimado de 5,87 por 100 mil habitantes. Desse total, são estimados 6.580 casos novos em homens e 5.980 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 6,30 casos novos a cada 100 mil homens e de 5,45 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o linfoma não Hodgkin ocupa a 11.ª posição entre os tipos de câncer mais incidentes. Em homens, ocupa a décima posição nas regiões Sul (9,13 por 100 mil homens) e Centro-oeste (5,24 por 100 mil homens). Na região Sudeste (7,25 por 100 mil homens), ocupa a 11.ª posição. Nas regiões Nordeste (4,96 por 100 mil homens) e Norte (2,34 por 100 mil homens), ocupa a 12.ª e a 13.ª posições, respectivamente. Para as mulheres, é o oitavo mais frequente na região Sul (7,98 por 100 mil mulheres), o décimo na região Sudeste (6,43 por 100 mil mulheres) e o 11.º na região Centro-oeste (3,97 por 100 mil mulheres). Nas regiões Nordeste (4,19 por 100 mil mulheres) e Norte (1,75 por 100 mil mulheres), ocupa a 13.ª e 14.ª posições, respectivamente (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O linfoma não Hodgkin é um grupo heterogêneo de cânceres que se originam no sistema linfático, englobando mais de 50 neoplasias distintas. A maioria dos casos corresponde a linfomas de células B, como o linfoma difuso de grandes células B e o linfoma folicular, mas há também formas menos comuns de linfomas de células T ou NK. Essas neoplasias podem manifestar-se em linfonodos, órgãos linfáticos ou tecidos linfáticos extranodais. O linfoma não Hodgkin pode ocorrer em todas as idades, mas sua incidência aumenta progressivamente com o envelhecimento (Who Classification of Tumours, 2017b; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      Os principais fatores de risco incluem condições que comprometem o sistema imune, como doenças hereditárias, transplantes de órgãos, uso prolongado de drogas imunossupressoras, doenças autoimunes ou infecção pelo HIV (Who Classification of Tumours, 2017b; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020). Outras infecções, como pelo vírus Epstein-Barr (EBV) e pelo vírus linfotrópico de células T humanas do tipo 1 (HTLV-1), assim como pela bactéria Helicobacter pylori (em casos de linfoma Malt gástrico), também estão associadas ao aumento de risco. Além disso, exposições ocupacionais e ambientais a pesticidas, solventes orgânicos, benzeno e radiação ionizante são fatores de risco descritos para alguns subtipos de linfoma não Hodgkin (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, 2021a; Who Classification of Tumours, 2017b; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      Em 2022, o linfoma não Hodgkin ocupou a décima posição em incidência mundial, com aproximadamente 553 mil casos novos, representando 2,8% do total de cânceres. A proporção de casos incidentes foi ligeiramente maior entre os homens (3,0%) do que entre as mulheres (2,5%). Em ambos os sexos, as maiores taxas de incidência foram observadas na América do Norte, na Austrália, na Nova Zelândia e na Europa (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 4.860 óbitos por linfoma não Hodgkin. Entre os homens, foram registrados 2.670 óbitos (2,59 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 2.190 óbitos (2,02 por 100 mil mulheres) (Instituto Nacional de Câncer, 2025a).

    • Câncer de fígado

      O número estimado de casos novos de câncer de fígado para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 12.350 casos, com risco estimado de 5,78 casos por 100 mil habitantes. Desse total, são estimados 7.340 casos novos em homens e 5.010 em mulheres. Esses valores correspondem aos riscos estimados de 7,03 casos novos a cada 100 mil homens e de 4,59 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de fígado ocupa a 12.ª posição entre os tipos de câncer mais incidentes, com as taxas mais altas observadas na região Sul, tanto para homens quanto para mulheres. Entre os homens, ocupa a quinta posição na região Norte (4,80 por 100 mil homens) e a oitava posição na região Sul (10,46 por 100 mil homens). Nas regiões Sudeste (7,33 por 100 mil homens) e Nordeste (6,15 por 100 mil homens), ocupa a nova posição. Na região Centro-oeste (4,78 por 100 mil homens), ocupa a 11.ª posição. Entre as mulheres, o câncer de fígado é o oitavo mais incidente na região Norte (3,87 por 100 mil mulheres) e o décimo na região Nordeste (4,81 por 100 mil mulheres). Nas regiões Sul (6,05 por 100 mil mulheres) e Centro-oeste (3,50 por 100 mil mulheres), ocupa a 14.ª posição. Na região Sudeste (4,29 por 100 mil mulheres), é o 16.º mais incidente (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O câncer de fígado é uma neoplasia maligna originada nos hepatócitos. Engloba diferentes tipos histológicos, sendo o carcinoma hepatocelular o subtipo mais frequente, responsável por cerca de 75 a 85% dos casos (Who Classification of Tumours, 2019b). A letalidade é alta, em grande parte por conta do diagnóstico tardio e da evolução silenciosa nos estágios iniciais (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      A maioria dos casos de câncer de fígado está associada a infecções crônicas pelos vírus das hepatites B e C, além de doenças metabólicas, como doença hepática gordurosa não alcoólica e diabetes mellitus tipo 2 (Who Classification of Tumours, 2019b; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020). Fatores de risco comportamentais incluem o excesso de gordura corporal, o consumo de bebidas alcoólicas, o tabagismo e a ingestão de alimentos contaminados por aflatoxinas, que são micotoxinas produzidas por fungos que podem estar presentes em grãos, como milho e amendoim, armazenados de forma inadequada (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020; World Cancer Research Fund; American Institute for Cancer Research, 2018). Entre os fatores ocupacionais e ambientais, há evidências suficientes de associação com substâncias como cloreto de vinila e 1,2-dicloropropano (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, 2021a).

      Em 2022, o câncer de fígado ocupou a sexta posição em incidência mundial, com aproximadamente 865 mil casos novos, representando 4,3% do total de casos de câncer. As taxas de incidência foram de duas a três vezes mais altas em homens do que em mulheres na maioria das regiões do mundo. As maiores taxas de casos incidentes foram observadas na Ásia Oriental, no Sudeste Asiático e no Norte da África entre os homens, e no Norte da África, na Melanésia e no Sudeste Asiático entre as mulheres (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 11.199 óbitos por câncer de fígado. Entre os homens, foram registrados 6.481 óbitos (6,28 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 4.718 óbitos (4,35 por 100 mil mulheres) (Instituto Nacional de Câncer, 2025a).

    • Leucemias

      O número estimado de casos novos de leucemia para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 12.220 casos, com risco estimado de 5,71 por 100 mil habitantes. Desse total, são estimados 6.540 casos em homens e 5.680 em mulheres. Esses valores correspondem aos riscos estimados de 6,27 casos novos a cada 100 mil homens e de 5,17 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, a leucemia ocupa a 13.ª posição entre os tipos de câncer mais incidentes. Em homens, é o sexto câncer mais incidente na região Nordeste (6,82 por 100 mil homens) e o sétimo na região Norte (4,26 por 100 mil homens). Nas regiões Sudeste (6,20 por 100 mil homens) e Centro-oeste (4,54 por 100 mil homens), ocupa a 13.ª posição, e, na região Sul (7,67 por 100 mil homens), a 14.ª. Entre as mulheres, é o nono mais incidente nas regiões Nordeste (5,37 por 100 mil mulheres) e Norte (3,47 por 100 mil mulheres), e, nas regiões Sul (7,18 por 100 mil mulheres) e Centro-oeste (3,55 por 100 mil mulheres), ocupa a 11.ª e 13.ª posições, respectivamente. Na região Sudeste (5,00 por 100 mil mulheres), é o 14.º tipo de câncer mais incidente (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      A leucemia é um grupo de doenças malignas das células sanguíneas que se originam na medula óssea, caracterizando-se pela proliferação descontrolada de glóbulos brancos anômalos, que substituem as células normais do sangue (Who Classification of Tumours, 2017b). Os quatro principais tipos são a leucemia mieloide aguda (LMA), a leucemia mieloide crônica (LMC), a leucemia linfocítica aguda (LLA) e a leucemia linfocítica crônica (LLC) (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      O risco de desenvolver leucemia aumenta com a idade, exceto no caso da LLA, que é mais frequente em crianças. O tabagismo está relacionado principalmente à LMA e à LMC, enquanto o tratamento prévio com radioterapia ou determinados quimioterápicos é reconhecido como fator de risco para LMA e LLA. A presença de síndromes hereditárias, como síndrome de Down (LMA e LLA), anemia de Fanconi (LMA) e Li-Fraumeni (LMA), bem como histórico familiar de leucemia (LLC), associa--se ao maior risco para tipos específicos de leucemia (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, 2021a; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      Em 2022, a leucemia ocupou a 13.ª posição em incidência mundial, com aproximadamente 487 mil casos novos, representando 2,4% de todos os tipos de câncer. As maiores taxas de incidência foram observadas na Austrália, na Nova Zelândia, na América do Norte e na Europa. As taxas de incidência foram de duas a três vezes mais altas em países desenvolvidos do que em países em desenvolvimento (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 7.435 óbitos por leucemia. Entre os homens, foram registrados 4.019 óbitos (3,89 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 3.416 óbitos (3,15 por 100 mil mulheres) (Instituto Nacional de Câncer, 2025a).

    • Câncer do sistema nervoso central

      O número estimado de casos novos de câncer do sistema nervoso central para o Brasil, a cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 12.060 casos, com risco estimado de 5,64 por 100 mil habitantes. Desse total, são estimados 6.500 para homens e 5.560 para mulheres. Esses valores correspondem aos riscos estimados de 6,25 casos novos a cada 100 mil homens e de 5,07 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do sistema nervoso central ocupa a 14.ª posição entre os tipos de câncer mais incidentes, sendo as maiores taxas observadas na região Sul para homens e mulheres. Em homens, ocupa a sétima posição na região Centro-oeste (5,92 por 100 mil homens), e, na região Norte (3,76 por 100 mil), é o oitavo mais incidente. Na região Nordeste (5,21 por 100 mil homens), ocupa a décima posição. Nas regiões Sul (8,56 por 100 mil homens) e Sudeste (6,72 por 100 mil homens), ocupa a 12.ª posição. Entre as mulheres, ocupa a nona e a décima posições nas regiões Centro-oeste (5,06 por 100 mil mulheres) e Norte (3,28 por 100 mil mulheres), respectivamente. Nas regiões Sudeste (5,42 por 100 mil mulheres) e Nordeste (4,34 por 100 mil mulheres), ocupa a 12.ª posição. Na região Sul (6,42 por 100 mil mulheres), é o 13.º mais frequente (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O sistema nervoso central é composto pelo cérebro e pela medula espinhal, locais em que os tumores se originam (Who Classification of Tumours, 2021). Esses formam um grupo heterogêneo, incluindo formas malignas e benignas, com manifestações clínicas e prognóstico variáveis. Os tipos mais comuns em adultos são os glioblastomas, os meningiomas e os astrocitomas difusos, enquanto, em crianças, predominam os meduloblastomas, os astrocitomas pilocíticos e os ependimomas (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      O estudo da etiologia dos tumores do sistema nervoso central é desafiador em razão de sua baixa incidência e de sua alta heterogeneidade (Who Classification of Tumours, 2021). Alguns fatores genéticos e algumas síndromes hereditárias, como neurofibromatose tipos 1 e 2 ou a síndrome de Li-Fraumeni, estão associados a maior risco para certos tipos de tumores cerebrais (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020). Entre os ambientais, a exposição à radiação ionizante é o fator de risco com o maior nível de evidência (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, 2021a).

      Em 2022, o câncer do sistema nervoso central ocupou a 19.ª posição em incidência mundial, com aproximadamente 321 mil casos novos, representando 1,6% do total de casos de câncer. As maiores taxas de incidência foram observadas em países desenvolvidos e no sexo masculino (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 10.206 óbitos por câncer do sistema nervoso central. Entre os homens, foram registrados 5.377 óbitos (5,21 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 4.829 óbitos (4,45 por 100 mil mulheres) (Instituto Nacional de Câncer, 2025a).

    • Câncer de esôfago

      O número estimado de casos novos de câncer de esôfago para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 11.390 casos, com risco estimado de 5,31 por 100 mil habitantes. Desse total, são estimados 8.750 casos novos em homens e 2.640 em mulheres. Esses valores correspondem aos riscos estimados de 8,37 a cada 100 mil homens e de 2,40 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de esôfago ocupa a 15.ª posição entre os tipos de câncer mais incidentes, sendo o sétimo mais incidente entre os homens no Brasil. Em homens, é a sexta neoplasia mais incidente nas regiões Sul (12,49 por 100 mil homens) e Centro-oeste (7,40 por 100 mil homens). Nas regiões Sudeste (9,23 por 100 mil homens) e Nordeste (6,73 por 100 mil homens), ocupa a sétima posição. É o nono mais incidente na região Norte (3,45 por 100 mil homens). Entre as mulheres, é o 16.º mais incidente na região Nordeste (2,32 por 100 mil mulheres). Nas demais regiões, ocupa a 17.ª posição: Sul (3,92 por 100 mil mulheres), Sudeste (2,36 por 100 mil mulheres), Centro-oeste (1,81 por 100 mil mulheres) e Norte (0,86 por 100 mil mulheres) (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O esôfago é um órgão do sistema digestivo que conecta a garganta ao estômago. O câncer de esôfago apresenta dois tipos histológicos principais: o carcinoma espinocelular e o adenocarcinoma, cada um com características biológicas e fatores de risco distintos, o que contribui para a ampla variação geográfica observada em sua incidência. O carcinoma espinocelular é mais incidente em países de baixo índice de desenvolvimento humano (IDH), enquanto o adenocarcinoma corresponde a cerca de dois terços dos casos em países de alto IDH (Who Classification of Tumours, 2019b; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020; Bray et al., 2024).

      O consumo de bebidas alcoólicas e o tabagismo são os principais fatores de risco para o carcinoma espinocelular do esôfago (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020). O consumo habitual de bebidas quentes, como chás e infusões acima de 65 °C, também está associado ao maior risco para esse subtipo (World Cancer Research Fund; American Institute for Cancer Research, 2018). Já o adenocarcinoma do esôfago está relacionado a fatores como excesso de gordura corporal, bem como condições clínicas, como refluxo gastroesofágico e esôfago de Barrett (Who Classification of Tumours, 2019b; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020). A exposição à radiação ionizante também é reconhecida como possível fator de risco para câncer de esôfago (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, 2021a).

      Em 2022, o câncer de esôfago ocupou a 11.ª posição em incidência mundial, com aproximadamente 511 mil casos novos, representando 2,6% do total de casos de câncer. Cerca de 70% dos casos ocorreram em homens, e as maiores taxas de incidência foram observadas no Leste Asiático e na África Oriental, em ambos os sexos (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 8.488 óbitos por câncer de esôfago. Entre os homens, foram registrados 6.722 óbitos (6,51 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 1.766 óbitos (1,63 por 100 mil mulheres) (Instituto Nacional de Câncer, 2025a).

    • Câncer do corpo do útero

      O número estimado de casos novos de câncer do corpo do útero no Brasil, para o triênio de 2026 a 2028, é de 9.650 casos, com um risco estimado de 8,79 casos novos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de corpo do útero ocupa a 16.ª posição entre os tipos mais incidentes de câncer. Entre as mulheres, é o sexto mais incidente. Quanto à distribuição geográfica, nas regiões Sudeste (11,54 por 100 mil mulheres) e Centro-oeste (7,92 por 100 mil mulheres), ocupa a sexta posição; na região Nordeste (7,28 por 100 mil mulheres), a oitava. Nas regiões Sul (7,49 por 100 mil mulheres) e Norte (3,15 por 100 mil mulheres), ocupa a décima e 11.ª posições, respectivamente (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O câncer de endométrio é a neoplasia maligna mais comum do corpo do útero, tendo origem no seu revestimento interno (Who Classification of Tumours, 2020). Acomete principalmente mulheres na pós-menopausa, embora possa ocorrer em outras faixas etárias. Histologicamente, é classificado em dois grandes grupos: tipo 1, dependente de estrogênio, geralmente de padrão endometrioide e prognóstico mais favorável; e tipo 2, não dependente de estrogênio, que inclui subtipos mais agressivos, como o carcinoma seroso e o carcinoma de células claras (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      O principal fator de risco para o câncer de endométrio tipo 1 é a exposição prolongada ao estrogênio endógeno sem contraposição de progesterona, situação favorecida por condições como obesidade, menarca precoce, menopausa tardia, anovulação crônica, nuliparidade, terapia de reposição hormonal não combinada e uso de moduladores seletivos do receptor de estrogênio, como o tamoxifeno, para tratamento de câncer de mama (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020). Outros fatores associados são síndrome metabólica, hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2, síndrome dos ovários policísticos, sedentarismo e histórico familiar de síndrome de Lynch, principal condição hereditária relacionada a esse tipo de tumor. O tipo 2, por sua vez, é mais frequente em mulheres idosas, não depende de exposição estrogênica e está associado a alterações moleculares, como mutações em TP53 (Who Classification of Tumours, 2020; World Cancer Research Fund; American Institute for Cancer Research, 2018).

      Mundialmente, o câncer do corpo do útero ocupa a 15.ª posição em incidência, com aproximadamente 417 mil casos novos estimados em 2022, representando 2,1% de todos os cânceres. É o sexto tipo mais incidente entre as mulheres, correspondendo a 4,3% de todos os cânceres na população feminina. As maiores taxas de incidência são observadas em países com alto e muito alto IDH (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 2.564 óbitos por câncer de corpo do útero, correspondendo a um risco estimado de 2,36 mortes por 100 mil mulheres (Instituto Nacional de Câncer, 2025a).

    • Câncer de pele

      No Brasil, o número de casos novos de câncer de pele não melanoma estimados, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 263.280, com um risco estimado de 122,90 por 100 mil habitantes. Desse total, 136.180 são estimados em homens e 127.100 em mulheres. Esses valores correspondem aos riscos estimados de 130,42 casos novos a cada 100 mil homens e de 115,75 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      O câncer de pele não melanoma é o mais incidente no país, em todas as regiões brasileiras, em ambos os sexos, exceto na região Norte, onde ocupa a segunda posição. O risco estimado por 100 mil homens é de 173,52 no Sudeste; 167,59 no Sul; 134,28 no Centro-oeste; 78,12 no Nordeste; e 24,60 no Norte. Já o risco estimado por 100 mil mulheres é de 192,98 no Sul; 132,28 no Centro-oeste; 124,08 no Sudeste; 83,99 no Nordeste; e 27,14 no Norte (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Quanto ao câncer de pele melanoma, o número de casos novos estimado é de 9.360, com risco de 4,36 por 100 mil habitantes. Desse total, são estimados 4.930 casos novos em homens e 4.430 em mulheres. Esses valores correspondem aos riscos estimados de 4,71 casos novos a cada 100 mil homens e de 4,02 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1). Na região Sul, o câncer de pele melanoma é mais incidente quando comparado às demais regiões, ocupando a sétima posição em incidência para mulheres e a nona para homens nessa região, com um risco estimado de 9,74 por 100 mil homens e de 8,34 por 100 mil mulheres (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum e compreende um conjunto de neoplasias que se originam de diferentes tipos celulares da epiderme e da derme. Os principais tipos são o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular, denominados câncer de pele não melanoma, os quais são responsáveis pela maior parte dos casos diagnosticados. Já o melanoma, que se origina nos melanócitos, é menos frequente, porém apresenta maior agressividade e potencial de disseminação (Who Classification of Tumours, 2018).

      A exposição à radiação ultravioleta é o principal fator de risco para todos os tipos de câncer de pele. O risco varia conforme o tipo de pele, sendo maior em indivíduos de pele clara, e depende da intensidade e do padrão de exposição solar. Há evidências limitadas de associação entre o uso de fontes artificiais de radiação ultravioleta, como câmaras de bronzeamento, e o aumento do risco de câncer de pele, especialmente para o melanoma. Outros fatores relacionados ao melanoma incluem características genéticas e fenotípicas, como história familiar da doença, presença de nevos displásicos ou múltiplos e histórico de queimaduras solares intensas. Para o câncer de pele não melanoma, fatores de risco ocupacionais e ambientais incluem agentes como arsênio e seus compostos, óleos minerais industriais não tratados, alcatrão de carvão, piche de carvão, óleo de xisto, fuligem e bifenilas policloradas, radiação ionizante e os fármacos antineoplásicos ciclosporina e azatioprina (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, 2021a; Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      O câncer de pele não melanoma, excluindo-se o carcinoma basocelular, é o quinto tipo mais incidente no mundo, com cerca de 1,2 milhão de casos novos estimados em 2022. Esse tipo de câncer é o mais comum entre homens e mulheres na Austrália e na Nova Zelândia, e entre homens nos Estados Unidos. Já o câncer de pele melanoma ocupa a 17.ª posição entre os mais incidentes, com uma estimativa de cerca de 332 mil casos novos, correspondendo a 1,7% de todos os cânceres.

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 2.047 óbitos por câncer de pele melanoma. Entre os homens, foram registrados 1.176 óbitos (1,14 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 871 óbitos (0,8 por 100 mil mulheres). Para o câncer de pele não melanoma, ocorreram 3.541 óbitos. Entre os homens, foram registrados 2.023 óbitos (1,96 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 1.518 óbitos (1,4 por 100 mil mulheres) (Instituto Nacional de Câncer, 2025a).

    • Câncer da laringe

      O número estimado de casos novos de câncer da laringe para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 8.510 casos, com risco estimado de 3,96 por 100 mil habitantes. Desse total, são estimados 7.310 casos novos para homens e 1.200 para mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 7,00 casos novos a cada 100 mil homens e de 1,07 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer da laringe ocupa a 18.ª posição entre os tipos de câncer mais incidentes. É o nono tipo de câncer mais incidente no sexo masculino, com taxas cerca de seis a sete vezes mais elevadas em relação às mulheres, especialmente nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Entre homens, o câncer de laringe ocupa a oitava posição nas regiões Sudeste (8,36 por 100 mil homens), Nordeste (6,18 por 100 mil homens) e Centro-oeste (5,84 por 100 mil homens). Na região Norte (3,02 por 100 mil homens), ocupa a décima posição, e, na região Sul (7,80 por 100 mil homens), é a 13.ª neoplasia mais incidente. Entre as mulheres, o câncer da laringe é o 18.º mais incidente nas regiões Centro-oeste (1,04 por 100 mil mulheres) e Nordeste (1,02 por 100 mil mulheres). Nas regiões Sudeste (1,22 por 100 mil mulheres), Sul (1,02 por 100 mil mulheres) e Norte (0,55 por 100 mil mulheres), ocupa a 19.ª posição. (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O câncer de laringe é uma neoplasia maligna que se origina predominantemente no epitélio escamoso da mucosa laríngea, sendo o carcinoma espinocelular o tipo histológico mais frequente (Who Classification of Tumours, 2022a). É um dos cânceres mais comuns da região da cabeça e do pescoço, ocorrendo predominantemente em homens acima de 40 anos (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      O tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de laringe, seguido do consumo de bebidas alcoólicas. Quando combinados, esses fatores têm efeito sinérgico, aumentando ainda mais o risco de desenvolvimento da doença (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020; World Cancer Research Fund; American Institute for Cancer Research, 2018). Também há evidências que relacionam a exposição ocupacional a névoas de ácidos fortes, como o ácido sulfúrico, e a todas as formas de amianto ao aumento do risco para esse tipo de câncer (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, 2021a).

      Mundialmente, foram estimados cerca de 189 mil casos novos de câncer de laringe em 2022, o que representa 0,9% de todos os cânceres, ocupando a 20.ª posição entre os mais incidentes. Esse tipo de câncer é mais incidente em países de baixo e médio desenvolvimento socioeconômico e em homens, com taxas cerca de sete vezes maiores do que nas das mulheres (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 4.689 óbitos por câncer de laringe. Entre os homens, foram registrados 4.066 óbitos (3,94 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 623 óbitos (0,57 por 100 mil mulheres) (Instituto Nacional de Câncer, 2025a).

    • Câncer de ovário

      O número estimado de novos casos de câncer de ovário no Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 8.020 casos, com um risco estimado de 7,33 casos novos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de ovário ocupa a 19.ª posição entre os tipos mais incidentes de câncer. Entre as mulheres, é o oitavo câncer mais incidente. Nas regiões Sudeste (8,05 por 100 mil mulheres), Nordeste (7,43 por 100 mil mulheres) e Norte (4,30 por 100 mil mulheres), é o sétimo tipo de câncer mais incidente. Ocupa a oitava e a nona posições nas regiões Centro-oeste (6,10 por 100 mil mulheres) e Sul (7,55 por 100 mil mulheres), respectivamente (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O câncer de ovário tem origem em diferentes tipos celulares. Cerca de 90 a 95% dos tumores malignos são epiteliais, ou seja, originam-se no epitélio de revestimento do ovário ou das estruturas tuboperitoneais. Os demais casos incluem tumores de células germinativas, que formam os óvulos, e tumores de cordões sexuais e estroma, responsáveis pela produção hormonal (Who Classification of Tumours, 2020). Em razão do comportamento silencioso e da ausência de sintomas específicos em fases iniciais, a maioria dos casos é diagnosticada em estágios avançados, o que faz do câncer de ovário a principal causa de mortalidade por câncer do sistema reprodutor feminino (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      Esse tumor ocorre principalmente em mulheres na pós-menopausa. Mutações germinativas nos genes BRCA1 e BRCA2, principal fator de risco hereditário para o câncer de ovário, estão presentes em cerca de 10 a 15% dos casos, ocorrendo mais frequentemente em mulheres com histórico familiar de câncer de ovário ou de mama em parentes de primeiro grau (Who Classification of Tumours, 2020). Entre as questões reprodutivas e hormonais, destacam-se como fatores de risco a menarca precoce, a menopausa tardia e o uso de terapia de reposição hormonal, enquanto multiparidade, uso prolongado de contraceptivos orais e ligadura tubária são considerados fatores protetores (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020). O excesso de gordura corporal é um provável fator de risco (World Cancer Research Fund; American Institute for Cancer Research, 2018). A exposição ocupacional a todas as formas de amianto também está relacionada ao câncer de ovário (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, 2021a).

      Mundialmente, foram estimados cerca de 324 mil casos novos de câncer de ovário em 2022, o que representa 1,6% de todos os cânceres, ocupando a 18.ª posição entre os mais incidentes. Entre as mulheres, foi o oitavo tipo mais incidente, correspondendo a 3,4% dos casos.

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 4.444 óbitos por câncer de ovário, com risco estimado de 4,1 mortes por 100 mil mulheres (Instituto Nacional de Câncer, 2025a).

    • Linfoma de Hodgkin

      O número estimado de casos novos de linfoma de Hodgkin para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 3.070 casos, com risco estimado de 1,41 por 100 mil habitantes. Desse total, 1.740 são estimados em homens e 1.330 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 1,66 caso novo a cada 100 mil homens e 1,18 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

      Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o linfoma de Hodgkin ocupa a 20.ª posição entre os tipos de câncer mais incidentes. Em homens, o linfoma de Hodgkin é o 16.º mais incidente em todas as regiões, com risco estimado por 100 mil homens de 1,99 na região Sudeste, 1,93 na região Sul, 1,64 na região Centro-oeste, 1,36 na região Nordeste e 0,58 na região Norte. Entre mulheres, ocupa a 18.ª posição nas regiões Sul (1,77 por 100 mil mulheres), Sudeste (1,25 por 100 mil mulheres) e Norte (0,59 por 100 mil mulheres). Nas regiões Nordeste (1,01 por 100 mil mulheres) e Centro-oeste (0,94 por 100 mil mulheres), é o 19.º mais incidente (Tabelas 4, 19, 38, 46 e 55).

      Comentários

      O linfoma de Hodgkin é uma neoplasia maligna do sistema linfático caracterizada pela presença de células de Reed-Sternberg, derivadas de linfócitos B. Pode surgir em diferentes órgãos e tecidos linfáticos, como linfonodos, baço, timo e medula óssea. O linfoma de Hodgkin pode ocorrer em qualquer faixa etária, mas apresenta padrão bimodal de incidência, sendo mais frequente em adolescentes, adultos jovens e pessoas idosas (Who Classification of Tumours, 2022a).

      Os fatores de risco para o linfoma de Hodgkin ainda não estão completamente esclarecidos. Estudos sugerem maior risco em pessoas com imunodeficiência, como aquelas infectadas pelo HIV ou em uso prolongado de drogas imunossupressoras. A infecção pelo EBV também está associada a um risco aumentado de desenvolvimento da doença (Who Classification of Tumours, 2022a).

      Mundialmente, foram estimados cerca de 82 mil casos novos de linfoma de Hodgkin em 2022, representando 0,4% de todos os cânceres e ocupando a 26.ª posição entre os mais incidentes (Bray et al., 2024).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 597 óbitos por linfoma de Hodgkin. Entre os homens, foram registrados 363 óbitos (0,35 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 234 óbitos (0,22 por 100 mil mulheres) (Instituto Nacional de Câncer, 2025a).

    • Câncer infantojuvenil

      Para o Brasil, o número estimado de casos novos de câncer infantojuvenil para cada ano do triênio de 2026 a 2028 é de 7.560, com risco estimado de 136,33 por milhão de crianças e adolescentes. Desses, 3.960 casos são estimados para o sexo masculino e 3.600 para o sexo feminino. Esses valores correspondem aos riscos estimados de 139,72 casos novos por milhão de crianças do sexo masculino e de 132,78 por milhão do sexo feminino (Tabela 62).

      O câncer infantojuvenil para o sexo masculino será mais frequente na região Sul (165,96 por milhão), seguido pelas regiões Sudeste (147,37 por milhão), Nordeste (136,74 por milhão), Centro-oeste (119,77 por milhão) e Norte (102,20 por milhão). Para o sexo feminino, a região Sul (181,09 por milhão) tem a maior incidência estimada, seguida pelas regiões Sudeste (142,73 por milhão), Centro-oeste (117,26 por milhão), Nordeste (115,81 por milhão) e Norte (91,29 por milhão) (Tabela 62).

      Comentários

      O câncer na infância e na adolescência (de 0 a 19 anos), ou câncer infantojuvenil, corresponde a um grupo heterogêneo de doenças que podem surgir em qualquer parte do organismo. Afeta mais frequentemente o sistema hematopoiético, o SNC e os tecidos de sustentação. Ao contrário dos cânceres em adultos, que têm causas muitas vezes associadas a fatores ambientais ou comportamentais, os cânceres na infância têm causas em grande parte desconhecidas. Apenas uma pequena proporção, estimada em cerca de 5%, é atribuída a fatores hereditários, sendo a exposição à radiação ionizante o único agente ambiental comprovadamente associado ao desenvolvimento dessas neoplasias (Wild; Weiderpass; Stewart, 2020).

      Globalmente, estima-se a ocorrência de aproximadamente 430 mil casos novos de câncer por ano entre crianças e adolescentes (de 0 a 19 anos). Os tipos de câncer mais comuns nessa faixa etária incluem leucemias, tumores cerebrais, linfomas e tumores sólidos, como neuroblastomas e tumor de Wilms. Em países de médio e baixo desenvolvimento socioeconômico, a taxa de cura é inferior a 30%, em razão da ausência de diagnóstico ou do seu atraso, de barreiras no acesso ao tratamento, do abandono terapêutico, da toxicidade e da recidiva da doença (Lam et al., 2019; Steliarova-Foucher et al., 2017).

      Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 2.326 óbitos por câncer infantojuvenil. No sexo masculino, foram registrados 1.331 óbitos (45,10 por milhão) e, no sexo feminino, 995 óbitos (35,30 por milhão) (Instituto Nacional de Câncer, 2025a).

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