Notícias
Qualidade da água
Com o apoio do IEC, Pará terá a maior Rede de Monitoramento da Qualidade da Água na Amazônia em 2025
O Instituto Evandro Chagas (IEC), Instituição de Ciência e Tecnologia ligada à Secretaria de Vigilância em Saúde em Ambiente do Ministério da Saúde (SVSA) irá atuar em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas/PA) e com o Laboratório de Pesquisa, Meio Ambiente e Conservação da Universidade Federal do Pará (LaPMAC/UFPA) para o desenvolvimento do projeto “Monitoramento e Diagnóstico de Qualidade das Águas Superficiais”. As atividades iniciaram com visitas técnicas nos pontos de coleta, as primeiras foram realizadas a partir do dia 29.
O projeto tem como objetivo ampliar a análise de dados relacionados à poluição e contaminação dos rios, do nível necessário de tratamento e da capacidade de restauração natural dos corpos d’água no Estado, que são grandes acumulações de água podendo ser encontradas em diferentes formas como oceanos, mares, lagos, rios, córregos, lagoas e poças. A iniciativa é crucial para fornecer subsídios científicos para políticas públicas de gestão hídrica. De acordo com a SEMAS/PA, essa ação irá tornar o Pará o estado com a maior rede de monitoramento da qualidade da água na Amazônia.
As ações do projeto terão duração de 60 meses, e vão abranger 95 pontos de coleta em duas regiões do Pará: a Região Metropolitana de Belém e o sudeste do Estado. Serão realizadas 680 coletas anuais, totalizando 3,4 mil ao longo do período. As amostras serão coletadas em diferentes períodos sazonais, como chuvoso enchente, chuvoso vazante, estiagem enchente e estiagem vazante, para garantir uma análise abrangente.
O papel do IEC
Com a expertise em análises físico-químicas e microbiológicas, o que garante confiabilidade dos dados coletados, o IEC desempenha um papel fundamental no projeto. O pesquisador da Seção de Meio Ambiente do IEC (SEAMB/IEC) e coordenador do projeto, Adaelson Campelo Medeiros, destacou que a escolha das áreas de monitoramento foi estratégica: “Os rios da Bacia Hidrográfica Tocantins-Araguaia podem estar diretamente impactados pelo avanço da mineração, e essa bacia deságua na Costa Atlântica Nordeste, o que pode gerar riscos para a rede de abastecimento da Região Metropolitana de Belém, afetando a saúde pública e ambiental”.
O chefe da SEAMB/IEC, Bruno Carneiro, ressaltou a capacidade tecnológica da instituição: “A SEAMB/IEC possui capacidade de montar laboratórios para análises físico-químicas e microbiológicas em campo, garantindo a qualidade dos resultados in loco. Além disso, temos ensaios e parâmetros acreditados pelo Inmetro, o que reforça a confiabilidade dos dados”.
Impactos econômicos, sociais e ambientais
O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará, Raul Protázio Romão, enfatiza a importância do monitoramento para a gestão dos recursos hídricos: “Esse aperfeiçoamento irá proporcionar impactos econômicos e sociais, como a redução da poluição dos corpos receptores, evitando gastos futuros com programas de despoluição ambiental, geração de empregos pela atividade de turismo e lazer decorrente dos recursos hídricos preservados, assim como a melhora na qualidade de vida da população devido à diminuição no número de casos de doenças associadas à qualidade da água”.
A diretora de Recursos Hídricos da Semas, Luciene Chaves, destacou a relevância da parceria com o IEC: “A colaboração com o Instituto Evandro Chagas reforça a base científica do projeto, posicionando o Pará como referência em inovação na gestão hídrica. Essa parceria permite um monitoramento mais criterioso, com dados confiáveis que embasam decisões de políticas públicas, especialmente na emissão de outorgas e na proteção de mananciais estratégicos para abastecimento”.
Desafios e expectativas
O projeto enfrenta desafios, como a complexidade das análises e a extensão das áreas monitoradas. No entanto, a expectativa é que, ao final dos cinco anos, seja criado um banco de dados qualitativos e quantitativos sobre a qualidade das águas, reduzidos os níveis de poluição e gerados empregos ligados ao turismo e lazer, decorrentes da preservação dos recursos hídricos.
O professor e pesquisador do LaPMAC/UFPA, Ricardo Jorge Amorim de Deus, ressaltou o potencial do projeto: “Ao finalizar a pesquisa, será possível que outras ações ambientais sejam respondidas, contribuindo para a governança da água no Estado”.
Com investimento de R$ 2,7 milhões da Semas, gerenciados pela Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP) da UFPA, o projeto representa um avanço significativo na gestão sustentável dos recursos hídricos do Pará, reforçando o papel do IEC como uma instituição essencial para a ciência e a saúde pública na Amazônia.
Por Francisco Souza – SECMI/COMUNICAÇÃO-IEC
Com informações da Agência Pará