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Funarte participa da noite de lançamento da 11ª edição da MITsp
MITsp - Foto: LG
A MITsp - Mostra Internacional de Teatro de São Paulo abriu sua 11ª edição na noite de 6 de março, em cerimônia realizada no Teatro Liberdade, na capital paulista, dando início à programação do festival, que segue até 15 de março, reunindo espetáculos e outras ações que abordam questões como violência, vigilância, homofobia, imigração e controle social. A Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), é uma das instituições que viabilizam a realização do evento, um dos principais pontos de conexão entre pensamento crítico, prática artística e circulação internacional das artes da cena no Brasil.
Representando a Funarte, a diretora do Centro de Teatro, Aline Vila Real, fez uma fala inspiradora que destacou a relevância do festival no cenário cultural. “A MITsp se consolidou como um dos mais importantes festivais de teatro do Brasil e da América Latina. Um espaço que reafirma a potência das artes da cena como lugar de experimentação, de pensamento crítico, de encontro entre culturas artistas e públicos. Nesta edição, ao reunir obras de diferentes países, linguagens e trajetórias artísticas, a mostra reafirma algo fundamental: o teatro não é apenas um espaço de representação. É também um espaço de escuta”.
A cerimônia de abertura foi marcada por uma homenagem especial a Celso Curi, jornalista, crítico de teatro, tradutor e artista. Os realizadores da mostra também prestaram homenagens póstumas para importantes nomes das artes cênicas.
Logo depois das falas institucionais, o público assistiu ao espetáculo “História da Violência [Im Herzen der Gewalt]”, adaptação do romance do escritor francês Édouard Louis, dirigida por Thomas Ostermeier e produzida pela companhia alemã Schaubühne Berlin. A montagem, que estreou no Brasil durante a mostra, examina violência, racismo, homofobia e estruturas de poder a partir de um episódio autobiográfico do autor. Com quatro atores em cena, a peça partiu de um episódio de violência sexual para refletir sobre desejo, migração e racismo, evidenciando como experiências individuais podem revelar tensões sociais mais amplas.
Em sua fala, Aline Vila Real trouxe a temática desta edição da MITsp e do espetáculo de abertura da mostra para contextualizar a importância de festivais com esse: “Esta obra nos coloca diante de uma experiência profundamente íntima e, ao mesmo tempo, profundamente social. O racismo, a homofobia, o medo do outro, a fragilidade das instituições diante da dor humana. Infelizmente, essas questões não pertencem apenas à ficção e à literatura. Diante desse cenário, torna-se ainda mais evidente o papel das artes. As artes não resolvem sozinhas as contradições do mundo, mas elas são capazes de algo profundamente necessário: criar linguagem para o que muitas vezes não conseguimos nomear. Criar espaço para o descenso, para a empatia, para a imaginação de outros modos de existência. As artes nos ajudam a olhar para a realidade sem simplificações, a reconhecer a complexidade da experiência humana e a imaginar caminhos possíveis”.
E completou: “Esse horizonte que a Funarte vem trabalhando, junto ao Ministério da Cultura, na construção da Política Nacional das Artes. Partimos de um princípio simples, mas fundamental. As artes são um direito. Um direito cultural do povo brasileiro e um patrimônio coletivo que precisa ser protegido, fomentado e amplamente compartilhado”.
MITsp - Mostra Internacional de Teatro de São Paulo
Desde 2014, sob direção artística de Antonio Araujo e direção geral de produção de Guilherme Marques, a MITsp já apresentou 189 espetáculos de 49 países para um público superior a 215 mil pessoas, consolidando-se como plataforma de intercâmbio artístico e circulação internacional. Em 2026, reafirma sua vocação de articular criação, pensamento crítico e urgências políticas no campo das artes da cena.
A MITsp tem apresentação do Ministério da Cultura, Laranjinha Itaú e Olhares Instituto Cultural, patrocínio da Vale e copatrocínio do iBT – Instituto Brasileiro de Teatro. A mostra tem parceria institucional do Instituto Goethe e Consulado Geral da Alemanha em São Paulo, do Consulado Geral da França em São Paulo e do Instituto Francês. A realização do evento é da Olhares Instituto Cultural, ECUM Central de Produção, Itaú Cultural, Sesc São Paulo, Sesi SP, Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa da Prefeitura de São Paulo, Funarte e Ministério da Cultura – Governo Federal.
Saiba mais em https://mitsp.org.