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Concertos de música eletroacústica e mista e de câmara levam variedade de estilos à Bienal da Funarte
Apresentação da obra de LC Csekö, "Vórtices 3", com o Ensemble Batucadanárquica. Foto: Nadejda Costa - 16/11/2021.
Os dois concertos da XXIV Bienal de Música Brasileira Contemporânea, no Rio de Janeiro (RJ), dia 16 de novembro, terça-feira, reuniram obras de música eletroacústica e mista, à tarde, no Espaço Guiomar Novaes, anexo à Sala Cecília Meireles – Centro da Cidade. Já à noite, o palco da Sala recebeu apresentações de câmara, com solos e dueto de piano e uma peça para viola e piano. A Bienal – programa sem interrupções, desde sua criação, em 1975, encampado pela Fundação Nacional de Artes – Funarte em 81 – nesta edição teve apoio da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, por meio da Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (FUNARJ).
Como sempre, a Bienal exibe obras, de compositores selecionados por meio de edital, por uma comissão, designada pela Funarte; reunidas a criações de autores renomados, a convite da entidade. Usualmente, apresentam-se muitas peças em estreia mundial ou nacional, em primeira audição presencial. A edição 2021 foi transmitida ao vivo pela internet e pode ser assistida no canal de vídeo Arte de Toda Gente ( www.youtube.com/artedetodagente , produzido pela Escola de Música da UFRJ.
No dia 16 foram realizadas 18 audições. Para a sessão das 16h, os convidados foram Luiz Carlos Csekö , Silvio Ferraz e Jorge Antunes. Juntamente com outros oito compositores selecionados, eles mostraram peças de música eletroacústica e mista – linguagem que usa recursos eletrônicos, amplificação e difusão sonora, com ou sem a participação de instrumentos convencionais. Já às 19h, foi interpretada uma partitura de Edino Krieger – criador das bienais da Funarte – e realizadas estreias mundiais de peças de Rodrigo Cicchelli, Marisa Rezende e Maria Helena Rosas Fernandes – todas elas a convite. Nessa noite houve mais três estreias de obras de autores escolhidos por edital.
O concerto de música eletroacústica e mista
A série da tarde contou com sete estreias: quatro mundiais, duas nacionais e uma presencial. Vórtices 3, para soprano, instrumentos e amplificação, do convidado L.C. Csekö, foi executada pela primeira vez, pelo Ensemble Batucadanárquica.
LC Csekö - Vórtices 3
Compositor e artista de instalações cujo suporte é o binário luz-sombra (“l ight installation artist”), Luiz Carlos Csekö incluiu essa técnica na obra Vórtices 3 , que apresentou no concerto. O autor, residente no Rio de Janeiro, comentou sobre a liberdade de estilos existente no programa da Fundação: “a Bienal não é uma 'vitrine', é uma mostra. Isso é que é importante: ver o que os artistas estão fazendo agora, qualquer que seja o estilo que eles queiram compor. No meu caso, não tenho uma escolha de estilo. Eu sou experimental. Porque a minha intuição assim me obriga a ser – e sempre com a 'light installation' que é fundamental para toda a obra. Eu adoro a luz, a sombra, o claro, o escuro e coisas no gênero”, revelou. A “light-art” é uma forma de arte visual em que se utiliza a luz como meio de expressão, criando “esculturas de luz e sombra”, por meio, ainda, do manuseio da cor.
Compositor “sônico-visual” com bastante atividade e destaque panorama experimental atual, ele tem representado o Brasil na produção “ multimeios”. Com mais de 300 peças compostas, Csekö destina sua obra a ensembles, grandes orquestras, bandas sinfônicas, solos, propostas de videoarte, cinema e intervenções sônico-visuais – em espaços públicos e privados.
O Ensemble Batucadanárquica, que executou sua obra Vórtices 3 , contou com Gabriela Geluda (soprano), Paulo Passos (clarineta), Luísa de Castro (violino), Aloysio Neves (guitarra), Tatiana Dumas (piano) e pelo próprio Csekö.
Linha-Ponto-Sombra - Silvio Ferraz
A estreia, também mundial, de Linha-Ponto-Sombra, para saxofone e eletrônica (2020), do convidado Silvio Ferraz, teve Pedro Bittencourt (saxofone) e o próprio autor (eletrônica e difusão). Para ele, que mora em São Paulo, Capital, a cena atual da música brasileira contemporânea é “bem maior” que em outros tempos. “É na Bienal que todos os compositores de música contemporânea do Brasil se encontram”, opinou, acrescentando que as estreias são a principal marca da ação. A Bienal é a oportunidade de os instrumentistas entrarem em contato com o que os compositores do seu próprio país estão fazendo. Ela é uma espécie de efeméride: junta as pessoas, numa velocidade que outros eventos não alcançam”, observou. Disse ainda que o cenário da criação em música atual é bem diversificado. “Temos compositores brasileiros vivendo fora do Brasil, com uma produção intensa e muito reconhecida lá fora; outros trabalham aqui no País, numa cena mais da arte eletrônica, da música eletroacústica, da experimental, ou na área das artes plásticas etc.. O cenário da música brasileira contemporânea respira essa diversidade”, concluiu.
As obras de Silvio Ferraz têm recebido interpretações de conjuntos instrumentais dedicados à música atual como o Grupo Novo Horizonte, Duo Diálogos, Camerata Aberta, Abstrai, Grupu-Unicamp (Brasil), Arditti String Quartet, The Nash Ensemble e The Smith Quartet (Inglaterra), Ensemble Contrechamps (Suíça), The Ictus Ensemble, Het Spectra Ensemble (Bélgica), New York New Music Ensemble (EUA) e Nord Ensemble (Dinamarca). É autor do livro Música e Repetição: aspectos da questão da diferença na música contemporânea e do Livro das Sonoridades.
Confinement I - Jorge Antunes
Foi também realizada a estreia nacional da peça do convidado Jorge Antunes – Brasília (DF) – Confinement I , para saxofone soprano e sons eletrônicos pré-gravados (2021). O nome do compositor é verbete em todas as importantantes enciclopédias musicais. Ele co meçou a estudar música em 1958 e em 1960 ingressou na Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil (atual UFRJ), onde se formou em Violino, Composição e Regência. Em 1961 destacou, como precursor da música eletrônica no Brasil. Entre 1968-1974 realizou estudos de pós-graduação no exterior, na área de composição, com Alberto Ginastera, Luis de Pablo, Eric Salzman, Umberto Eco, Francisco Kröpfl, Gerardo Gandini, François Bayle, Pierre Schaeffer e Gottfried Michael König. Ingressou em 1973 no quadro docente da Universidade de Brasília (UnB), onde lecionou, até março de 2011. Depois de 38 anos de magistério, Antunes aposentou-se, mas continua vinculado à UnB, como orientador da pós-graduação e como pesquisador sênior. Ganhou vários prêmios nacionais e internacionais. Suas obras são permanentemente programadas em concertos e festivais na Europa. Tem vários CDs e livros publicados. Suas obras são publicadas por importantes editoras internacionais. Em 2013, a gravadora Pogus – Nova York (EUA), lançou um novo CD com obras do compositor. No mesmo ano, ele foi contemplado num concurso do Ibermúsicas, tendo atuado como compositor residente, no CMMAS (México). Várias óperas suas tiveram sucesso em festivais e grandes teatros, tais como A Cartomante , O Espelho (libreto de Jorge Coli). Sua ópera Olga estreiou na Europa, na Opera Baltycka Gdansk, na Polônia, em 2019.
No concerto das 16h foram apresentadas ainda as obras: Sendas VI – três haicais, para soprano, flauta, clarineta, sax tenor, violino e piano (2021 – estreia), de Fernando Kozu – Londrina (PR) –, interpretada por Gabriela Geluda (soprano), Sofia Ceccato (flauta), Paulo Passos (clarineta), Paulo Vinícius (saxofone), Luísa de Castro (violino) e Tatiana Dumas (piano); Cemitério de estrelas e onde estávamos quando elas cantavam (2021 – estreia), de Felipe Vasconcelos – Belo Horizonte (MG) –, executada por Bryan Holmes (difusão) ; intérpretes Pedro Bittencourt (saxofone) e Bryan Holmes (difusão) ; Ponto cruzado, para clarone e eletrônica (2021 – estreia), de Wellington Gonçalves – São Bernardo do Campo (SP) –, com Bruno Avoglia (clarone) e Wellington Gonçalves (difusão) ; Alteridade (2021 – estreia no Brasil), de Bryan Holmes – Rio de Janeiro (RJ) – interpretada pelo autor; Canvas of winds, para flauta, clarineta e difusão (2017), de Sergio Kafejian – Capital Paulista –, com Sofia Ceccato (flauta), Paulo Passos (clarineta) e Sergio Kafejian (eletrônica e difusão) ; Erupção 2, para saxofone sopranino e eletrônica (2019/20), de Guilherme Bertissolo – Salvador (BA) –, com Pedro Bittencourt (saxofone) e o próprio compositor (eletrônica) ; Cidade do alto (2018), de Orlando Scarpa Neto – Capital Fluminense –, com Bryan Holmes (difusão) ; e, ao final, Jukebox – Paródia tour, para saxofone tenor, piano e difusão (2021), de Gabriel Xavier – São Paulo (SP), com Paulo Vinícius (saxofone), Ana Cursino Guariglia (piano) e Gabriel Xavier (difusão ).
O concerto de câmara
Na segunda sessão, às 19h – desta vez na própria Sala Cecília Meireles –, foram executadas mais sete obras, desta vez de música de camara, quatro delas de compositores convidados e três de selecionados.
O compositor, crítico e produtor convidado Edino Krieger , criador do projeto que originou as bienais, demonstrou grande satisfação pela vitalidade das bienais: “Fico muito contente de estar presente ainda nessa XXIV Bienal de Música Brasileira Contemporânea. É um dos projetos mais longevos na área da cultura no Brasil, na qual eles nascem e morrem com muita facilidade. Fico muito feliz em ter podido colaborar com esse programa, que passou a ser um instrumento muito importante para a área da criação musical brasileira; e que tem mostrado um potencial muito grande para a área de música de concerto – o que me alegra muito. Mesmo não podendo estar presente, a tecnologia nos permite acompanhar à distância. Quero me congratular com a Funarte pela realização de mais uma edição da Bienal – ação que eu mesmo levei pra lá, em 1981, quando assumi o Instituto Nacional de Música. Portanto, muito sucesso para a Bienal; e que ela traga uma demonstração da vitalidade criativa e produtiva do músico brasileiro, também nessa área da criação musical”, declarou o catarinense, morador do Rio de Janeiro (RJ). Leia um mini-histórico de Edino Krieger abaixo.
Também com obra a convite, o compositor e professor titular da Escola de Música da UFRJ Rodrigo Cicchelli afirmou: “A Bienal é o evento emblemático por excelência da produção musical brasileira do nosso tempo, abrangendo desde obras de caráter conservador às expressões inovadoras. Nesta edição, apresento uma série de nove litanias para piano solo. Espero que vocês gostem!”. Morador do Rio de Janeiro (RJ), Cicchelli foi aluno de Guerra-Peixe e de Hans Joachim Koellreutter (1987-88). Produziu e apresentou pela Rádio MEC FM (Empresa Brasil de Comunicação – EBC) os programas semanais Eletroacústicas (2010-219) e Contemporâneas (2020). Suas obras vêm sendo interpretadas por diversas formações orquestrais e de câmara, tais como: Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), Orquestra Sinfônica da UFRJ (OSUFRJ), Orquestra Sinfônica da Unirio, Sinfonietta Carioca, Quarteto Françaix, Trio Mignone, Duo Santoro, Duo Eduardo Monteiro & Flávio Augusto, Duo Barrenechea.
Outra convidada, a compositora e pianista carioca Marisa Rezende , destacou que a música contemporânea ainda causa estranheza, devido ao tipo de sonoridade das peças. “Não é que o publico não aceite essa linguagem. Ele só não 'se localiza'; porque ele praticamente, não escuta isso. Mas sempre foi assim. Nos períodos anteriores da história da música, a criação sempre esteve à frente da estética dominante do tempo. Assim, a Bienal tem esse papel de aproximar o público de um segmento da música de agora”. Participante das Bienais desde 1981, a compositora e pianista Marisa Rezende nasceu em 1944. Foi professora titular de composição da EM - UFRJ até 2002, onde fundou o Grupo Música Nova – especializado no repertório brasileiro contemporâneo. Recebeu a Medalha Villa-Lobos, da Academia Brasileira de Música, pelo conjunto de sua obra, em 2016. Dois anos depois, foi compositora homenageada do V Festival de Música Contemporânea Brasileira (FMCB), de Campinas (SP).
Para a compositora, regente e pianista Maria Helena Rosas Fernandes , também convidada, foi a Bienal que incentivou, motivou e alentou a esperança de uma carreira na área da música de concerto para muitos jovens brasileiros. “O compositor de qualquer geração na área da música contemporânea não terá um cenário 'azul'. Foi assim com Beethoven e com qualquer outro compositor no seu tempo. O novo assusta, espanta, mas tem que acontecer. Temos que caminhar e mostrar que sempre poderemos emocionar com a música que fazemos”.
Na década de 1970, a moradora de Poços de Caldas (MG) Maria Helena Rosas Fernandes, passou a inspirar-se na música indígena brasileira para a realização de inúmeros trabalhos. Tem realizado palestras no Brasil, Alemanha, Itália, Estados Unidos e Argentina. Entre suas premiações, destacam-se: Prêmio Governador do Estado da Bahia; Prêmio Esso de música erudita; II concurso Latino-Americano de Composição (Uruguai); e Prêmio Nancy Van de Vate International Composition for Opera (Áustria). Recebeu a Comenda Carlos Gomes (2010) e o Prêmio da Associação dos Críticos de São Paulo (2013) pelo conjunto de sua obra. Seu trabalho é citado em livros de história da música do Brasil e no Aron I Cohen Encyclopedia of Women Composers e no New Grove Dictionary of Women Composers.
Sobre Edino Krieger – Em 1968 o compositor, crítico e produtor musical e também gestor cultural catarinense Edino Krieger idealizou os Festivais de Música da Guanabara, realizados em 1969 e 1970, que originaram as Bienais de Música Brasileira Contemporânea, iniciadas em 1975. Entre suas composições mais conhecidas e elogiadas pela crítica estão: Prelúdio para violão (1955), Ritmata para violão (1974), Sonatina para piano (1957), Suíte para cordas (1954), Quarteto nº 1 para cordas (1955), Brasiliana para viola e cordas (1960), Concerto para 2 violões e orquestra de cordas (1993/94) e peças para orquestra sinfônica, como Canticum Naturale (1972), Estro Armonico (1975) e Terra Brasilis (1999), além de músicas para canto e piano, coros misto e infantil e diversos instrumentos solistas. Suas obras estão no acervo da Academia Brasileira de Música (ABM). Como crítico, escreveu para os periódicos cariocas Tribuna da Imprensa (1950 a 1952) e Jornal do Brasil (entre as décadas de 1950 e 1970). Como produtor, trabalhou nas rádios MEC e Jornal do Brasil. Foi dirigente de instituições públicas e particulares: Funterj, Instituto Nacional de Música (INM), Sala Cecília Meireles, Museu da Imagem e do Som (MIS) – RJ e Academia Brasileira de Música. A obra musical do autor foi tema do livro Krieger - Crítico, produtor musical, compositor, de Ermelinda Paz e de teses e dissertações acadêmicas em música. Ele mora no Rio de Janeiro, há muitos anos. Seus 70, 80 e 90 anos foram intensamente comemorados, no Brasil e no exterior. Em 2016 e 2017, em Florianópolis (SC), foram realizadas as duas edições do Festival de Música Contemporânea Brasileira Edino Krieger.
A programação da noite
A sessão noturna reuniu as seguintes obras para piano solo: a estreia Litanias I a IX , de Rodrigo Cicchelli (2021), interpretada por Gi ulio Draghi; 6 Temas Pop, também (2021 – estreia no Brasil), de Luiz Eduardo Castelões – Juiz de Fora (MG) –, com Ingrid Barancoski ao piano; Miragem, (2009), de Marisa Rezende, exec utada por Marina Spoladore; Noturno Caravaggio (2021 – estreia), de Estevão Dottori – Curitiba (PR), com o pianista Cristiano Vogas ; Chacona ao luar (Mondschein Chaconne), de 2017, composta por Edino Krieger, com Marina Spoladore no instrumento . Para dois pianos, tivemos Dualismo II (2010 – estreia), de Maria Helena Rosas Fernandes, com Marina Spoladore e Cristiano Vogas. Ao final, a estreia mundial de The Crystal Cabinet, 6 miniaturas para viola e piano (2021), de Maurício Dottori – Curitiba (PR) – foi executada pelo Duo Burajiru – Fernando Thebaldi (viola) e Yuka Shimizu (piano).
Parceria e apoios
A Escola de Música da UFRJ realizou a produção da Bienal, por meio do Sistema Nacional de Orquestras Sociais (Sinos) , integrante do Programa Arte de Toda Gente, realizado pela Funarte em parceria com a UFRJ. O evento contou com o apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec – RJ) e da FUNARJ, que cederam a Sala Cecília Meireles.
Para mais informações sobre todas as obras apresentadas na XXIV Bienal de Música Brasileira Contemporânea, acesse o "hotsite" do evento, aqui .
Leia mais sobre a XXIV Bienal aqui
XXIV Bienal de Música Brasileira Contemporânea
Realização:
Fundação Nacional de Artes – Funarte| Ministério do Turismo | Secretaria Especial da Cultura.
Parceria:
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Apoio:
Sala Cecília Meireles | Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de janeiro (FUNARJ) | Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec – RJ) | Governo do Estado do Rio de Janeiro
Direção geral:
Bernardo Guerra – diretor do Centro da Música da Funarte
Programa Arte de Toda Gente
Realização: Funarte e UFRJ.
Produção: Escola de Música da UFRJ
Coordenação: Maestro Prof. Marcelo Jardim – vice-diretor da (EM | UFRJ)
Projeto Sinos –
Coordenação:
Maestro Prof. André Cardoso (EM | UFRJ)
Texto inicial: Claudia Góes
Jornalista - Escola de Música | UFRJ
MTB 25.556 (jornalista). DRT: 220/AL (radialista). OMB: 3.499 (músico)
Edição e texto final: CCOM – Funarte