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Brasil participa como convidado de honra do MASA 2026, na Costa do Marfim
Divulgação
O Brasil participa como país convidado de honra da 14ª edição do MASA – Marché des Arts du Spectacle d’Abidjan, um dos principais mercados internacionais das artes do espetáculo do continente africano, realizado entre os dias 11 e 18 de abril, em Abidjan, na República da Costa do Marfim. A presença brasileira integra missão oficial do Ministério da Cultura (MinC), representado pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) e pela Fundação Cultural Palmares, para fortalecer relações institucionais, ampliar e desenvolver a cooperação cultural e promover a circulação internacional das artes brasileiras.
O convite ao Brasil na condição de país homenageado reconhece os vínculos históricos, culturais e simbólicos que conectam o país ao continente africano, especialmente no campo das artes e da cultura afro-diaspórica.
A delegação institucional brasileira conta com representantes da Fundação Cultural Palmares, responsável pela condução da dimensão afro-brasileira da participação nacional, e da Funarte, representada pela diretora do Centro de Teatro, Aline Vila Real, e pelo diretor do Centro de Dança, Rui Moreira. A programação inclui o painel “Brasil no MASA”, reunindo representantes da Funarte, da Fundação Cultural Palmares, do Sesc São Paulo e de importantes festivais brasileiros, em um espaço dedicado à apresentação de políticas públicas, programas de internacionalização e possibilidades de cooperação cultural. Os diretores da Funarte apresentarão a Política Nacional das Artes (PNA) e o Programa Funarte Brasil Conexões Internacionais, estimulando as trocas e a cooperação com os países africanos.
Ao longo da agenda institucional, estão previstos encontros com o Ministério da Cultura e da Francofonia da Costa do Marfim, com a direção do festival e com agentes culturais africanos, além de articulações com a delegação brasileira presente no evento. Artistas brasileiros integram a programação do festival, com apresentações que evidenciam a diversidade das linguagens e expressões artísticas do país.
Plataforma internacional estratégica
Criado para impulsionar a circulação de produções artísticas africanas no cenário global, o MASA consolidou-se como uma das mais relevantes plataformas de articulação entre artistas, programadores, instituições culturais e gestores públicos. A edição de 2026 contará com mais de 300 espetáculos de 60 artistas de 28 países africanos, abrangendo disciplinas como música, teatro, dança, circo, artes de rua, narração oral, slam e humor. O evento também contará com uma seleção de espetáculos de outros 22 países. Do Brasil, a artista circense Alice Rende apresentará o espetáculo “Fora”; a marionetista Odília Nunes, a montagem “Ester”; e o público terá a oportunidade de escutar pela primeira vez a voz da artista Josyara.
A presença do Brasil no MASA integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento das relações culturais Sul–Sul e de ampliação da presença das artes brasileiras em circuitos internacionais. Nesse contexto, a atuação da Funarte contribui para a promoção de intercâmbios, a construção de redes de cooperação e a difusão da produção artística brasileira.
A iniciativa também se alinha às diretrizes da Política Nacional das Artes (PNA), especialmente no que se refere à internacionalização, à valorização da diversidade cultural e ao fortalecimento da circulação de artistas e obras em diferentes territórios.
Brasil–África, vínculos históricos e futuros possíveis
As relações entre Brasil e África no campo das artes se sustentam em matrizes históricas profundas, que atravessam a formação cultural brasileira e se expressam em múltiplas linguagens artísticas. A presença do Brasil no MASA 2026 reafirma esses vínculos e projeta novas possibilidades de cooperação, circulação e criação conjunta, contribuindo para o fortalecimento de políticas públicas culturais comprometidas com a diversidade, a memória e o desenvolvimento artístico em escala internacional.
Ao longo da atual gestão, iniciada em 2023, a Funarte tem buscado a ampliação do diálogo com o continente africano, com presença em eventos estratégicos, a inclusão do continente enquanto prioritário em mecanismos de mobilidade internacional e a oferta de bolsas de mobilidade internacional para garantir a presença de artistas brasileiros em ações africanas.
Em 2023, a Funarte promoveu a participação de delegação brasileira com 12 programadores de dança e representantes institucionais na KINANI – Plataforma Internacional de Dança Contemporânea, em Maputo, Moçambique, no contexto da Bienal de Dança na África, com presença em mesas institucionais voltadas à cooperação cultural Sul–Sul, incluindo o Painel Sul–Sul e a mesa “Funarte Brasil – Conexões Internacionais”.
No mesmo ano, dez projetos artísticos de mobilidade internacional com destino ao continente africano foram contemplados na Bolsa Funarte de Mobilidade Artística 2023, envolvendo atividades realizadas na África do Sul, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Namíbia, Senegal e Tunísia.
Nos anos seguintes, outros projetos contemplados em programas da Funarte realizaram residências artísticas e outras ações focadas na cultura negra e diáspora, e a Funarte também fortaleceu e ampliou articulações institucionais e artísticas, com presença em agendas estratégicas.
Na XIII Reunião Ordinária dos Ministros da Cultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em 2024, foi aprovada a criação de programa de cooperação em torno das músicas da comunidade. A Diretora do Centro de Música da Funarte e presidenta do Ibermúsicas, Eulícia Esteves, foi convidada a participar da formulação do Programa, e foi assinado Protocolo de Cooperação entre Ibermúsicas, CPLP, Funarte/MinC e DGARTES/Ministério da Cultura de Portugal, para criação de instrumentos de cooperação e de promoção de intercâmbios entre agentes culturais e artísticos dos países representados pelas entidades signatárias.
Assim, no âmbito do Programa Ibermúsicas, foi criada e lançada a linha de apoio “Viagens pela Música de Língua Portuguesa”, mecanismo de fomento ao intercâmbio musical de agentes artísticos dos países de língua portuguesa localizados na África e na Ásia com os do espaço Ibero-Americano. A convocatória foi realizada com investimentos do Brasil e de Portugal e destinada a proponentes de Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe, além de Timor Leste, na Ásia.
O Ibercena, que tem o Brasil representado pela Funarte, também apresentou o projeto especial “Confluências das Artes Cênicas Afro-Ibero-Americanas e da Diáspora”, para o fortalecimento da cooperação artística entre criadores afrodescendentes da Ibero-América, da África e das diásporas, com foco na promoção de intercâmbios, residências artísticas e circulação internacional nas artes cênicas.