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Bienal de Música da Funarte reúne obras de compositores de vários estados do Brasil
A Orquestra Camaranóva e a compositora e flautista Léa Freire (1ª à dir., abaixo). Foto: Walda Marques - 15/10/2021
Com ingressos a preços populares, apresentações da 24
a
edição do programa foram realizados de 13 a 21 e no dia 24 de novembro
Em 15 de novembro, terceiro dia de concertos na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, na XXIV Bienal de M úsica Brasileira Contemporânea, a Fundação Nacional de Artes – Funarte, reuniu oito apresentações instrumentais de câmara, presenciais. Das obras, de seis compositores selecionados por edital e dois convidados – Paulo Costa Lima e Pauxy Gentil-Nunes – quatro foram estreias. Com transmissão on-line, essa ampla mostra da produção atual dos compositores brasileiros conta, nesta edição, com a parceria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec – RJ), por meio da Fundação de Artes Anita Mantuano do Estado do Rio de Janeiro (Funarj), que cede o espaço.
No concerto, foram apresentadas obras para orquestra de câmara, trio e duo e solo, de compositores de quatro estados do Brasil. A convite da XXIV Bi enal, o baiano Paulo Costa Lima levou ao público, pela primeira vez, Gota serena para flauta, clarineta e piano (2021) , com interpretação de Renan Dias Mendes (flauta), Camila Barrientos (clarineta) e Felipe Senna (piano). Já o também convidado Pauxy Gentil- Nunes, do Rio de Janeiro, teve a peça Três miniaturas para 2 violinos e viola (2019) executada por Eder Granjeiro e Helena Piccazio (violinos) e Tiago Vieira (viola).
Demais obras selecionadas
O concerto incluiu, ainda, as estreias de Felipe Senna (SP), com Fankaisie, para tuba e orquestra de câmara (2019), com a eclética Camaranóva, dirigida e regida pelo pelo compositor; da obra Átimo (2020/21), de Gabrielle Camarana (SC), para flauta solo – com Renan Dias Mendes no instrumento – e de Solitude, de Eduardo Seincman (SP - 2021), para clarone solo – com Anderson Menezes. Foram também apresentadas Pi (2021), de Andrey Cruz, do Rio de Janeiro – para fagote solo, com Erick Ariga –; Pe dras matemáticas e alguns módulos, de Eduardo Hiroshi, para violoncelo solo (2019), com Rodrigo Prado; e Turbulenta, de Léa Freire (2017), para orquestra de câmara, com solo de flauta da própria autora.
Entre as personalidades das artes que prestigiaram a apresentação do dia 15 de novembro estava a atriz Alinne Moraes, conhecida por representar papéis destacados em novelas e outros trabalhos na TV. Aline falou sobre a relevância de programas artísticos permanentes como a Bienal de Música da Funarte. “Estou muito feliz por assistir a esse lindo concerto. Ações como essas são muito importantes para as artes”, comentou.
A atriz Alinne Moraes e os violinistas Thais Morais e Gabriel Curalov.
Foto: Walda Marques
Paulo Costa Lima e
Gota serena
O compositor Paulo Costa Lima assistiu on-line aos concertos, de Salvador, onde mora. Ele comentou que entre os processos na área musical incentivados pela Bienal estão três “funções nobres”: a criação, a criticidade – que é, segundo o artista, “a capacidade de se construir interpretação, quando se cria uma obra” –; e a “reciprocidade” na rede criativa da música. “Quando eu falo em criação musical, falo em invenção de mundos sonoros – portanto, em imaginação –; e falo em criticidade (quando se cria um mundo sonoro, que 'olha' para todos os outros e interpreta o mundo à sua volta). Também falo em reciprocidade que é o jogo de identificação quando eu escrevo algo e isso 'se escreve' em mim; e, então, na verdade, eu estou 'me reescrevendo'”, explicou o artista.
“ O trio Gota Serena é uma obra que habita fronteiras de afetos como a tristeza e a raiva, e que traça um arco de trajetória que os coloca em diversas perspectivas – reflexão meditativa, rememoração e batuque, por exemplo. Em tela, a porosidade da vida e da música e a densidade do esperar, do anseio de transformação...”, comenta Costa Lima.
Foto: Jornal Correio (BA) - divulgação
“ A obra desse compositor, violoncelista, professor e pesquisador apresenta um lugar onde o erudito e o popular se encontram. Suas obras criam uma espécie de mosaico entre o erudito, a cultura afro-brasileira e a música europeia”, analisa a Escola de Música da UFRJ. O artista é membro da Academia de Letras da Bahia (ALB) e da Academia Brasileira de Música (ABM). Atua como professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde ministra disciplinas de Composição, História da Música e Literatura Composicional. Costa Lima é responsável pela formação de parte da Orquestra Sinfônica da Bahia e tem mais de cem peças registradas e executadas em países como Alemanha, Estados Unidos e Bélgica.

Interpretação de 'Gota Serena', de - Paulo Costa Lima: Piano: Felipe Senna. Clarineta: Camila Barrientos. Flauta: Renan Dias Mendes. Foto:
Walda Marques
Pauxy Gentil-Nune
s e
Três Miniaturas

Presente à Sala Cecília Meireles, o compositor e flautista Pauxy Gentil-Nune s testemunhou a execução de sua obra Três miniaturas . Destacou a qualidade das obras dos jovens compositores e a construção de uma “linha histórica” através das Bienais. “Um aspecto importante da Bienal é a maneira como ela vai conectando as gerações de compositores. Cada geração vai-se expressando de acordo com o seu tempo, com os seus valores e a Bienal vai servindo para aproximar gerações. Com isso, temos uma linha, que vai se construindo e ganhando força. O número de compositores jovens aumentou muito – não apenas em quantidade, como em qualidade. Os compositores jovens estão escrevendo com mais técnica; estão mais conscientes; e com uma escrita mais potente”, avaliou Gentil-Nunes.
O compositor Pauxy Gentil-Nunes com Eder Grangeiro,
Helena Piccazio e Tiago Vieira.
Foto: Walda Marques - 15.11.2021
“ A obra Três Miniaturas é composta de pequenos estudos de particionamento performativo. A distribuição instrumental, que gera as texturas da peça, é estruturada a partir de sequências de dedos, cordas e técnicas envolvidas, como uma coreografia, sendo as alturas e as outras dimensões musicais decorrentes deste aspecto. O resultado é uma obra relativamente tradicional, que traz embutida, no entanto, essa estrutura oculta, a ser sentida principalmente pelos intérpretes”, definiu o compositor.
Pauxy Gentil-Nunes é p
rofessor de Harmonia, Análise e Composição na Escola de Música da UFRJ – onde também foi Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Música. Participou, como conferencista e compositor, na
EXPO 2015 Milano
(Milão, Itália)
e no Festival Internacional
RC4
com o espetáculo de sua autoria
Liberjongo
(2017). Músicas suas foram incluídas nos CDs
Orquestra Sinfônica Nacional interpreta Compositores de Hoje
(2016);
Trio Paineiras interpreta Compositores de Hoje
(2017); e
Experiência - Abstrai Ensemble
(2018). É Membro dos grupos de pesquisa
MusMat e Performance Hoje.
A parceria Funarte/UFRJ
A coordenaçao da XXIV Bienal está a cargo do Sistema Nacional de Orquestras Sociais (Sinos), do Programa Arte de Toda Gente – parceria da Funarte com a UFRJ, por meio da Escola de Música da Universidade.
XXIV Bienal de Música Brasileira Contemporânea
13 a 21 e 24 de novembro de 2021
Sala Cecília Meireles e Espaço Guiomar Novaes
Rua da Lapa, 47 - Centro, Rio de Janeiro (RJ)
Acesso gratuito, no canal de vídeo
Arte de Toda Gente
:
https://youtube.com/artedetodagente
.
Ingressos:
R$ 10. Meia-entrada: R$ 5
Compra: na bilheteria, ou por meio
deste link
Classificação indicativa: Livre
A transmissão ao vivo de todas as apresentações está disponível, com acesso gratuito , no Canal Arte de Toda Gente: youtube.com/artedetodagente
Próximo concerto: d
ia 24/11, quarta-feira, às 19h
Acesse a programação completa no link abaixo
Realização
Fundação Nacional de Artes –
Funarte
| Secretaria Especial da Cultura | Ministério do Turismo
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)|
Escola de Música da UFRJ
| Fundação Universitária José Bonifácio | Programa Arte de Toda Gente | Sistema Nacional de Orquestras Sociais (Sinos)
Apoio: Sala Cecília Meireles | Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (FUNARJ) | Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec - RJ) |
Governo do Estado do Rio de Janeiro
Acesse o site da Bienal, com a programação completa em:
https://bienalmbc2021.artedetodagente.com.br
Mais informações
Centro da Música – Funarte:
musicadeconcerto@funarte.gov.br
***
Reportagem e texto inicial:
Claudia Góes - Escola de Música | UFRJ | Setor de Comunicação
MTB 25.556 (jornalista) | DRT: 220/AL (radialista) | OMB: 3.499 (músico)
Texto final e edição: CCOM – Funarte

