Sergipe
Um dos destaques da programação foi a palestra “Pontos de Cultura e Justiça Climática”, a cargo de Givanildo Santana, do Ponto de Cultura Pescando Memórias/ Instituto Piabinhas. Ao ressaltar a intersecção entre cultura e preservação ambiental, ele chamou a atenção para a impossibilidade de discutir justiça climática sem considerar a desigualdade social, e para a necessidade de um planejamento que incorpore comunidades vulneráveis (pescadores, quilombolas, entre outros) sem culpabilizá-las pelos impactos ambientais.
Os grupos Maculelê Mirim, Tambores do Sertão, Raízes Nordestinas e Reisado Gregoriano e a Cia. Loucurarte, com sua dança em cadeira de rodas, foram algumas das atrações do encontro. A Teia sergipana também abrigou o II Fórum Estadual de Pontos de Cultura, onde foram escolhidos os 30 delegados e delegadas e consolidadas as propostas para o evento nacional. Além disso, foram eleitos representantes para as oito cadeiras territoriais da Comissão Estadual de Pontos de Cultura.
1ª Teia Estadual de Pontos de Cultura pela Justiça Climática nos Territórios Sergipanos/ II Fórum Estadual de Pontos de Cultura
Onde: Aracaju - Complexo Cultural Gonzagão
Quando: 30 e 31 de janeiro de 2026
Quem realizou o encontro: Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap) e Secretaria Especial da Cultura (Secult), em parceria com o Ministério da Cultura e a Rede Sergipana de Cultura Viva.
Representantes do MinC presentes: Tião Soares, diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares, e Carolina Freitas, coordenadora de Planejamento da Cultura Viva (SCDC).

Delegação eleita para a 6ª Teia Nacional:
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José de Oliveira Santos - Ação Cultural (Aracaju)
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Igor Vinicius de Jesus Santos - Coletivo Engrenagem (São Cristóvão)
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Claudemir Santos da Conceição - Barracão Cultural (São Cristóvão)
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Yala Thamires Souza Santos - Sankofa (Aracaju)
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Neilton Santana dos S. - Dança de S. Gonçalo (Laranjeiras)
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Lina Regina G. Nunes dos Santos - Alarokê (São Cristóvão)
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Verônica Souza de Paiva - Cufa (Aracaju)
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Mayara Monteiro Santos - Coletivo Inferninho (São Cristóvão)
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Isabela Bispo dos Santos Santana - Pescando Memórias (Nossa Sra. do Socorro)
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Jossivaldo Silva de Jesus - Adevise (Pacatuba)
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Maria Eunice da Hora Borges - Grupo de Boiadeiros Malhadense (Malhada dos Bois)
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Marcelo Soares Pinto - Acrane (Poço Redondo)
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Luiza Margarida S. Kummer - Cia. Loucurate (Aracaju)
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Maria Gabriela Vieira dos Santos - Albertina Brasil (Nossa Sra. da Glória)
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José Alves Filho - Asdecrac (Umbaúba)
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Manoel Messias de Jesus Cordeiro - Pontão de Cultura Albertina Brasil (Glória)
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Raphael Almeida Oliveira - Águas de Ifé (São Cristóvão)
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Washington Luiz Santos - Reisado do Sertão (Nossa Sra. da Glória)
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Lucas Lamonier Silva Santos - Academia Gloriense de Letras (Nossa Sra. da Glória)
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Gicélia Santos Andrade - Luz do Sol (Nossa Sra. da Glória)
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Maria São Pedro de Jesus - Clube de Mães (Tomar do Geru)
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Sérgio Luiz Santos Pereira - Liquajuse (Aracaju)
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João Victor Santana Araújo - Samba de Coco Timbira (Nossa Sra. das Dores)
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Givanildo Santos Santana Bispo - Piabinhas do São Braz (Nossa Sra. do Socorro)
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José Canoas dos Santos - Asflag (Lagarto)
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Gilvan César Cruz Silva - Ponto de Cultura Tuscodam (Boquim)
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Andson Alves dos Santos - Centro Cultural Erukerê Nganga Lunga (São Cristóvão)
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Edilma Silva Santos- ALAB (Areia Branca)
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Lindolfo Alves Amaral Filho - Imbuaça (Aracaju)
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Joanderson Soares Alves - Ponto Cultural Meu Xodó (São Cristóvão)
Propostas apresentadas no fórum estadual:
Tema central: Cultura Viva pela Justiça Climática
Reconhecer o protagonismo de mestras, mestres, guardiões de sementes crioulas e comunidades tradicionais como agentes importantes de conservação da biodiversidade e no enfrentamento da crise climática. Tal reconhecimento transforma esses agentes em Pontos de Cultura, por meio de editais plurianuais, valorizando assim a transmissão de saberes ancestrais, a oralidade e práticas alinhadas ao bem viver e à sustentabilidade.
Eixo 1 – Plano Nacional de Cultura Viva para os próximos 10 anos
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Letramento sobre a Política Nacional de Cultura Viva para gestores, técnicos e agentes culturais, com foco na compreensão e aplicação da legislação vigente, assegurando práticas obrigatórias de acessibilidade e inclusão digital. O letramento será realizado em diversos formatos, digital e presencial, utilizando linguagens artísticas, linguagens da comunicação e métodos ativos de aprendizagem.
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Criação da Lei Estadual Cultura Viva e do Plano Estadual dos Pontos de Cultura, garantindo a valorização dos Pontos de Cultura por meio de financiamento via PPA, LDO e LOAS, além de outros dispositivos legais.
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Regulamentar a obrigatoriedade de participação e representatividade dos Pontos e Pontões de Cultura nos conselhos estadual e municipais de cultura.
Eixo 2 – Governança da Política Nacional de Cultura Viva
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Acompanhamento mais intensivo do MinC nos estados e municípios na efetivação das políticas culturais.
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Acabar com prorrogação dos prazos nos editais do MinC.
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Disseminação do conhecimento a ser passado pelos mestres através de políticas públicas que dialoguem com os mais jovens sob a reparação social.
Eixo 3 – Cultura Viva, Trabalho e Sustentabilidade da Criação Artística
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Implantar e/ou fortalecer os Pontos de Cultura voltados aos coletivos underground e às culturas urbanas, reconhecendo essas expressões como cultura viva e essenciais para a identidade dos territórios, por meio de financiamento contínuo. Que essas iniciativas garantam a sustentabilidade e a permanência das ações culturais, fortalecendo a autonomia dos coletivos e sua atuação comunitária. E que essas ações envolvam: criação artística, formação cultural, circulação de produções e ocupação de espaços urbanos, justiça climática, promovendo inclusão social, protagonismo juvenil, diversidade cultural e transformação social, em consonância com os princípios da Política Nacional de Cultura Viva.
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Reconhecer os grupos das culturas populares, que tenham uma tradição em suas atividades, com mais de 25 anos, como ponto de cultura, desburocratizando assim, todo o processo documental, bem como desenvolver o SUS da Cultura, a partir do cadastro único dos Pontos de Cultura.
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Reconhecer e integrar os saberes e modos de vida dos povos originários, comunidades tradicionais, bem como povos de terreiros de matrizes africanas, às políticas públicas de cultura e educação, com financiamento contínuo, além de inclusão nos currículos escolares e na formação de educadores jovens.
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