Rondônia
O município de Ji-Paraná foi sede da segunda edição da Teia Rondônia. Nos quatro dias do evento, as atividades se espalharam por diferentes espaços culturais e áreas públicas, buscando fortalecer as organizações e redes comunitárias e ampliar o debate sobre cultura e meio ambiente, justiça climática e valorização dos territórios amazônicos.
Neste encontro para celebrar identidades, fortalecer redes e construir caminhos coletivos, ponteiros e ponteiras de todo o estado participaram de rodas de conversas sobre culturas populares, rurais, afro-brasileiras e indígenas; gênero e diversidade. Também se distribuíram por oficinas – como as de dramaturgia corporal, de artesanato com palha de buriti e de fotografia comunitária e mídia livre – e apresentações artísticas em vários espaços da cidade.
Na abertura, um cortejo cultural partiu do Feirão do Produtor em direção à Praça dos Migrantes, onde foi montada uma feira de artesanato e também se realizaram apresentações de dança e música. A agenda contou, ainda, com um diálogo sobre a Cultura Viva em Rondônia, desde um panorama histórico até os desafios atuais, e uma mesa de debates para diagnósticos, avaliação e perspectivas.
2ª Teia Rondônia – Pontos de Cultura pela Justiça Climática
Onde: Ji- Paraná
Quando: De 26 de fevereiro a 1º de março de 2026
Quantas pessoas participantes: 84 (na lista de presença)
Quem realizou o encontro: Secretaria de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel), em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e a rede de Cultura Viva de Rondônia
Representantes do MinC presentes: Junior Afro, diretor do Sistema Nacional de Cultura; Leandro Anton, coordenador-geral de Articulação da Cultura Viva, e Tupã Mirim Ju Yan Guarani, coordenador de Promoção da Cultura Indígena

Delegação eleita para a 6ª Teia Nacional:
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Delgado Filipe Santiago - Cultura Rock Underground – CRU (Ji-Paraná)
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Otavio Miguel Chaves de Sousa - Auá Coletivo Artístico (Ji-Paraná)
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Daniele Silva dos Santos - Fada Inad Espaço Cultural (Ji-Paraná)
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Floraci Mendes Silva - Associação de Artes e Cultura Arterial (Ji-Paraná)
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Ronildo Silva Farias - A.J-Dacá (Ji-Paraná)
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Francisco Carlos Reis - Companhia de Santos Reis (Ji-Paraná)
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Wendeon França Rodovalho Silva - Associação de Amigos da Orquestra (Ji-Paraná)
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Francisco Santos Lima - Tapiri – O Imaginário (Porto Velho)
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Reginaldo Cardoso dos Santos - Escola de Samba Asfaltão (Porto Velho)
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Fabricio Ortiz - Ajero (Porto Velho)
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Leonardo de Jesus Lira Ferreira - Cia de Dança Tsunami (Porto Velho)
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Fabiano Gonzaga da Silva - Clube das Mães – Bairro Esperança (Porto Velho)
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Igor Albuquerque de Novaes - Pontão Abadá – Capoeira (Porto Velho)
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Hiago de Paiva Cardoso - Mocambo Cultural (Porto Velho)
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Rogério da Silva Barbosa - Rádio Farol Para Todos (Porto Velho)
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Helionice de Moura Silva Araujo - Gaia Amiga (Rolim de Moura)
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Carlos Cesar Neves da Silva - Cacaieiros de Rondônia (Rolim de Moura)
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Juscilene Carla Leite Olekszechen Pinheiro - Ponto de Cultura Itinerante Bloco Lambida de Gato (Rolim de Moura)
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Camila Prado Afonso de Miranda - Boi Bumbá Malhadinho (Guajará-Mirim)
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Paulo Jorge Gomes dos Santos - Pontão Waraji (Guajará-Mirim)
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Diana Machado Guilhermon - Serpentário Produções (Vilhena)
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Miriam Cardozo Medeiros Scheer - Pontão Teatro Wankabuki (Vilhena)
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Andréia Santos Machado - Pontão Acemda (Vilhena)
Propostas aprovadas no fórum estadual:
Tema central do Fórum: Pontos de Cultura pela Justiça Climática
Criar mecanismo estruturado de contrapartida socioambiental nos Termos de Compromisso Cultural (TCC), tais como iniciativas comunitárias de reciclagem criativa, reaproveitamento artístico, reflorestamento com espécies nativas e fortalecimento da sociobiodiversidade, priorizando territórios impactados por queimadas e desmatamentos, articulando com redes de ensino, grupos ambientais, comunidades rurais, povos originários e tradicionais possibilitando também que Pontos e Pontões de Cultura desenvolvam, ações mínimas anuais de formação, educação ambiental ou práticas de sustentabilidade territorial, com previsão de bolsas específicas para mestres e mestras de saberes tradicionais e especialistas na área socioambiental, contribuindo para o enfrentamento da crise climática e a proteção dos biomas brasileiro.
Eixo 1 – Plano Nacional de Cultura Viva para os próximos 10 anos
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Criar e institucionalizar mecanismos de participação orgânica, territorializada e simplificada, voltados às comunidades tradicionais e originárias, garantindo sua atuação efetiva na formulação, execução e monitoramento de políticas públicas estabelecendo procedimentos administrativos simplificados para acesso a editais e recursos públicos. Prestação de contas com linguagem acessível. Uso de instrumentos adequados à realidade comunitária (relatórios orais, registros audiovisuais e validação por assembleia comunitária). Inscrições simplificadas.
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Assegurar o fortalecimento da Política Nacional de Cultura Viva, instituída pela Lei nº 13.018/2014, de forma que as redes nacional, estaduais e municipais de Cultura Viva estabeleçam mecanismos permanentes de transferência direta e continuada de recursos financeiros aos Pontos e Pontões de Cultura, destinando um mínimo de 10% dos recursos transferidos exclusivamente para projetos de formação continuada, abrangendo: Gestão cultural e sustentabilidade; Economia solidária e geração de renda; Educação ambiental e justiça climática; Valorização de saberes tradicionais e saber ancestral.
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Reconhecer a cultura viva comunitária transfronteiriça, valorizando os territórios de fronteira como espaços estratégicos para a integração cultural, social e simbólica dos países da América do Sul, a partir dos biomas e sítios arqueológicos
Eixo 2 – Governança da Política Nacional de Cultura Viva
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Fortalecer a Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC) como instância estratégica permanente de diálogo, pactuação federativa e participação social qualificada no âmbito da Política Nacional de Cultura Viva, assegurando condições materiais, normativas e políticas para o pleno exercício de suas atribuições consultivas e deliberativas.
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Instituir um programa nacional de formação continuada permanente para gestores públicos e lideranças comunitárias em assessoria jurídica especializada, com foco em leis de fomento, instrumentos jurídicos, Termo de Compromisso Cultural (TCC), prestação de contas, controle social e gestão participativa da Cultura Viva.
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Criar e implementar o Sistema Nacional de Monitoramento Participativo da Cultura Viva, com metodologia territorializada, através de indicadores regionais e participação direta dos Pontos e Pontões de Cultura no acompanhamento de sua execução, garantindo transparência, equidade territorial a fim de corrigir as desigualdades regionais, com atenção especial ao fator amazônico.
Eixo 3 – Cultura Viva, Trabalho e Sustentabilidade da Criação Artística
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Reforçar mecanismos de salvaguarda e valorização dos saberes de povos e comunidades tradicionais, por meio de programas formativos permanentes, registros audiovisuais, oficinas, rodas de conversa, incentivo à circulação e apoio à criação artística vinculada à preservação ambiental e ao bem viver, fortalecendo a sustentabilidade cultural em âmbito nacional.
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Criar programas voltado à formação prática em proteção, circulação e monetização de obras produzidas por Pontos e Pontões de Cultura, com metodologia colaborativa e linguagem acessível, como ciclos formativos, mentoria coletiva, rede solidária de orientação entre os próprios fazedores de cultura e outros meios que venham garantir a aplicação deste programa, sem sobrepor políticas já existentes, mas ampliando o acesso real às ferramentas de proteção e gestão autoral.
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Instituir premiação nacional para os Pontos e Pontões de Cultura que desenvolvam metodologias de monitoramento ambiental em territórios amazônicos. A iniciativa reconhecerá projetos que transformam o conhecimento profundo sobre a fauna e a flora locais em produções audiovisuais e materiais pedagógicos para a rede pública de ensino, envolvendo a participação direta de toda a comunidade. O prêmio consistirá em conceder bolsas de incentivo para os moradores que já atuam no território e ganham equipamentos modernos, como internet rápida e energia solar para estruturar seus próprios espaços de criação e oficinas comunitárias.
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