Amazonas
A 1ª Teia Amazonas – Pontos de Cultura pela Justiça Climática teve como sede o histórico Palacete Provincial, em Manaus. Ali, entre 27 a 30 de janeiro, representantes de coletivos e organizações de base comunitária de todo o estado tiveram quatro dias de debates, atividades culturais e celebração dos povos e saberes da Amazônia.
As atividades incluíram uma mostra audiovisual (Cine Teia), a Feira Teia Criativa, com produtos da economia criativa e solidária dos pontos de cultura, além do Espaço Floresta Viva, que reuniu ambientação artística e exposições inspiradas nos territórios amazônicos.
Na plenária final, os grupos de trabalho apresentaram suas propostas para os eixos temáticos da 6ª Teia Nacional, e foram eleitos os 30 delegados e delegadas que representarão o estado no encontro que será realizado de 19 a 24 de maio, no Espírito Santo.
A secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC, Márcia Rollemberg, esteve presente na abertura e destacou o papel estratégico da rede amazonense nesse diálogo sobre a crise climática. “Temos muito a aprender com os saberes dos povos originários, porque eles vivem em harmonia com a natureza”, destacou.
Depois da abertura com a presença de artistas dos bois Caprichoso e Garantido, a 1ª Teia Amazonas se despediu com um cortejo cultural, que seguiu do auditório até o Palco Teia, com apresentações de música, dança e expressões culturais que celebraram a força da cultura amazônida.
O público acompanhou o grupo Águas de Oxalá, seguido por apresentações do Coletivo Cultural Circo Caboclo, Grupo Folclórico Flores do Carimbó, Ponto de Cultura do Sol, Maracatu Pedra Encantada, Cocada Baré e, encerrando o evento, o show de Luli Braga.
Em janeiro, quando foi realizado o encontro, o estado contava com 182 pontos de cultura certificados no MinC, distribuídos em 17 dos 62 municípios amazonenses. Para fortalecer a rede Cultura Viva, foram repassados mais de R$ 9 milhões, por meio da Política Nacional Aldir Blanc, aos governos estadual e municipais.
1ª Teia Amazonas – Pontos de Cultura pela Justiça Climática
Onde: Manaus - Palacete Provincial
Quando: de 27 a 30 de janeiro de 2026
Quem realizou o encontro: Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, em parceria com o Ministério da Cultura, com a participação de fazedores de cultura de diversos territórios
Representantes do MinC presentes: Márcia Rollemberg, secretária de Cidadania e Diversidade Cultural, e Tião Soares, diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares

- Fotos: Aguilar Abecassis /SEC
Delegação eleita para a 6ª Teia Nacional:
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Adilson Costa Azevedo Almeida - Vozes da Periferia (Manaus)
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Alberto Jorge Rodrigues Da Silva - Ponto de Cultura Grupo de Teatro e Dança Origem (Manaus)
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Alexandre Victor Silva Ribeiro - Instituto Solidário pela Vida (Manaus)
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Claudia Helen Prestes Oliveira - Movimento Cultural Grito da Periferia (Parintins)
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Dudson Campos Carvalho - Grupo de Acesso à Cultura Popular - GAO (Manaus)
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Glauber Souza Silva - Ponto de Cultura: Fórum Permanente de Cultura de Itacoatiara (Itacoatiara)
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Grayce Silva Dos Santos - Associação Folclórica Boi-Bumbá Mineirinho (Parintins)
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Ismael Rodrigues Pinheiro Filho - P.E.C Pavulagi (Maués)
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Karollen Lima Da Silva - Cocada Baré (Manaus)
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Lamartine Silva - Ponto de Cultura Criavisu (Manaus)
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Magali Patricia Rocha Azevedo - Cuca da UNE Amazonas (Manaus)
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Manoel Marcos De Moura Clementino - Instituto Cultural Ajuri - Inca (Parintins)
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Marieny Matos Nascimento - Ponto de Cultura Conexão Afro Amazonas (Manaus)
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Marly Nascimento Nogueira Rodrigues - Ponto Liga Itacoatiarense de Bumbás e Grupos Folclóricos (Itacoatiara)
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Maylane Almeida Garcia - Associação Cultural Grupo de Dança Sateré Mawé (Parintins)
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Rafaela Leal Dos Santos - Ponto de Cultura Coletivo de Mulheres Artistas de Parintins - Tamo Juntas (Parintins)
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Rafhael Nascimento Mendonça - Ponto de Cultura ÇAPÓ (Maués)
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Raiane Alencar da Silva - Instituto Socioambiental e Cultural - IARA (Manaus)
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Raimundo Nonato Negrão Torres - Ciranda Tradicional (Manacapuru)
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Suzyanny Evangelista de Souza Andrade - Ponto de Cultura Associação Folclórica Boi Bumbá Mirim Tupi (Parintins)
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Vanderley Pinheiro - Navegantes da Alegria (Manaus)
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Waldir Santos Barbosa Júnior - Pontão de Cultura Marquesiano (Manaus)
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Douglas Barros Rodrigues - Associação dos Artistas Cênicos do Amazonas - Arte&Fato (Manaus)
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Michelle Barbosa Andrews - Casa Coletiva Manaus (Manaus)
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Carla Batista de Paula - Ponto de Cultura Centro de Umbanda Caboclo Ventania (Manaus)
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Elza Regina Lopes da Silva - Allegriah Grupo de Arte e Cultura - AGAC (Manaus)
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Jone Braga de Moura - Coletivo Difusão (Manaus)
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Francisca Izabel Castro Porto - Ponto de Cultura ACSSUS - Associação Cidadania, Social e Sustentabilidade (Parintins)
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Alciene Lopes Dos Santos - Ponto de Cultura Instituto Musical Fênix de Itacoatiara - IMFI (Itacoatiara)
(Acompanhantes: Valcilacre Pinheiro da Silva Junior/ Maria Do Perpétuo Socorro Souza Fialho)
Propostas apresentadas no fórum estadual:
Tema central: Pontos de Cultura Pela Justiça Climática
. Priorizar, em projetos e políticas públicas, o apoio a iniciativas culturais da região amazônica que valorizem os saberes tradicionais e a sociobioeconomia como estratégia de geração de renda.
Eixo 1 - Plano Nacional de Cultura Viva para os próximos 10 anos
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Fomento Territorializado e Sustentável da Cultura Viva na Amazônia
Diretriz: Considerando o fator amazônico, instituir mecanismos permanentes e diferenciados de fomento (fundo nacional específico, criação da Lei Rouanet Cultura Viva, cotas de Emendas Parlamentares de todas as esferas de governo, e outros) para os Pontos e Pontões de Cultura da Amazônia, com planos de trabalho plurianuais (mínimo de 4 anos), criação de fundo permanente exclusivo, critérios territoriais e obrigatoriedade de ações ambientais em todos os projetos contemplados.
Justificativa: A efetivação dos direitos culturais na Amazônia exige tratamento desigual para realidades desiguais. Custos logísticos elevados, distâncias, sazonalidades e vulnerabilidades socioambientais demandam fomento contínuo, territorializado e sustentável, reconhecendo também o impacto econômico, social e ambiental gerado pelos Pontos de Cultura.
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Formação Continuada, Inclusiva e Territorializada em Cultura Viva
Diretriz: Garantir programas permanentes de formação para Pontos e Pontões de Cultura, com metodologias de educação popular, intercultural e inclusiva, contemplando gestão cultural comunitária, sustentabilidade, educação ambiental, acessibilidade, conectividade e fortalecimento de povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e populações periféricas.
Justificativa: A sustentabilidade da Cultura Viva depende da autonomia organizativa, da gestão participativa e da qualificação técnica dos agentes culturais. A formação continuada fortalece os territórios, amplia o acesso aos editais, promove inclusão e assegura a continuidade das ações culturais como estratégia de desenvolvimento comunitário.
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Governança Participativa e Cultura Viva Ambiental
Diretriz: Fortalecer instâncias de governança compartilhada da Política Cultura Viva nas esferas federal, estadual, distrital e municipal, integrando cultura e meio ambiente, com participação efetiva dos territórios amazônicos com articulação entre ministérios, secretarias e demais órgãos culturais e ambientais, buscando a implementação de um pacto ou Plano de Cultura Viva Ambiental, incluindo ações como reflorestamento, educação ambiental, fiscalização social e produção de materiais formativos.
Justificativa: A democracia cultural se consolida com escuta ativa, controle social e representatividade territorial. Os Pontos de Cultura são agentes estratégicos no enfrentamento da emergência climática, na promoção do Bem Viver e na proteção dos territórios, articulando saberes tradicionais, criação artística e justiça socioambiental.
Eixo 2 - Governança da Política Nacional da Cultura Viva
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Incluir na Lei Cultura Viva e nos instrumentos de adesão federativa a obrigatoriedade de oferta de assessoria técnica permanente por parte dos estados e municípios destinadas aos pontos e pontões de cultura, contemplando apoio ao cadastro, certificação, atualização e regularização dos pontos de cultura nos sistemas oficiais, formações continuadas sobre o programa Cultura Viva, suporte técnico, administrativo e jurídico, para elaboração, inscrição, execução e prestação de contas de editais públicos da Lei Cultura Viva.
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Criação e/ou inclusão de cadeiras de representação da rede Cultura Viva nos Conselhos Nacional, Estaduais e Municipais, garantindo a participação direta desses sujeitos na formulação, acompanhamento e avaliação das políticas culturais, bem como instituir e fortalecer Câmaras Temáticas da Cultura Viva nos respectivos conselhos.
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Criar parcerias entre o poder público federal e os municípios para viabilizar a construção de CEUs na região amazônica para proporcionar aparelhos de cultura para a sociedade.
Eixo 3 - Cultura Viva, Trabalho e Sustentabilidade da Criação Artística
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Apresentar proposta de emenda legislativa à Lei Cultura Viva para incluir o percentual adicional dos termos do fator amazônico.
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Guia de acessibilidade dos pontões e pontos de cultura, assim como uma cartilha explicativa dos procedimentos da certificação dos que ainda estão como informais.
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Ampliação de projetos de acessibilidade dos editais pontos e pontões, e acompanhante nos eventos e espaços.
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