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Cobertura Colaborativa
Delegação gaúcha leva debate sobre justiça climática à 6ª Teia Nacional
A delegação gaúcha leva à 6ª Teia Nacional cerca de 30 representantes eleitos durante o 12º Fórum Estadual de Pontos e Pontões de Cultura, realizado em fevereiro deste ano, em Rio Grande | Foto: Cobertura Colaborativa Teia 2026
*Publicado no Brasil de Fato
Mais de 10 mil pessoas são esperadas em Aracruz, no Espírito Santo, para a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, que começa nesta terça-feira (19). O encontro reúne representantes de Pontos e Pontões de Cultura de todo o país para debates sobre políticas culturais, participação social e justiça climática. Após mais de duas décadas sem uma edição nacional da Teia, a programação contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Cultura Margareth Menezes na próxima quinta-feira (21).
A delegação gaúcha leva à 6ª Teia Nacional cerca de 30 representantes eleitos durante o 12º Fórum Estadual de Pontos e Pontões de Cultura, realizado em fevereiro deste ano, em Rio Grande. Segundo André de Jesus, coordenador do Comitê Gestor da Política Cultura Viva do RS, o grupo reúne diversidade regional, étnica, geracional, de gênero e sexual, apontada como uma representação da cidadania gaúcha.
De acordo com Jesus, o fórum também elegeu Virginia Borges, bibliotecária, coordenadora da Comissão de Pontos e Pontões de Cultura do RS e integrante do Ponto de Cultura Clube Negro 24 de Agosto, de Jaguarão, como representante nacional da Comissão de Pontos e Pontões de Cultura para o biênio 2026-2028.
Justiça climática no centro do debate
O eixo central levado pela delegação ao encontro é “Cultura Viva pela Justiça Climática”. As propostas foram debatidas e aprovadas durante o fórum estadual, que reuniu 133 participantes, entre representantes de Pontos de Cultura, gestores públicos e integrantes do Ministério da Cultura, da Secretaria Estadual da Cultura e da prefeitura de Rio Grande.
Entre as propostas aprovadas pelos grupos de trabalho está a garantia de permanência dos Comitês Gestores de Cultura Viva e mudanças na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para facilitar parcerias com comunidades tradicionais. O documento também defende apoio ao programa de proteção de mestres e mestras das culturas populares e o reconhecimento da cultura viva comunitária transfronteiriça, valorizando territórios de fronteira como espaços de integração cultural.
As discussões também apontaram a necessidade de criação de comitês municipais paritários ligados ao Comitê Nacional de Cultura Viva, além do desenvolvimento de uma plataforma de comunicação integrativa entre os comitês e da convocação de agentes territoriais de cultura viva nos municípios. Outra proposta prevê a criação de um fundo financeiro de reparação climática e territorial.
Na área de sustentabilidade da criação artística, os Pontos e Pontões de Cultura defendem a criação de fundos municipais, estaduais e nacional da Cultura Viva, com recursos oriundos de leis de incentivo, loterias e renúncias fiscais. O documento também propõe formação descentralizada em economia solidária, uso de prédios públicos desocupados pelos Pontos de Cultura e destinação de recursos para ações de justiça climática e educação ambiental promovidas nos territórios culturais.
O Rio Grande do Sul também participa do II Fórum dos Gestores da 6ª Teia Nacional. André de Jesus integra a mesa “Gestão Compartilhada e Participativa”, marcada para esta terça-feira (19).
Expectativas da delegação gaúcha
Produtor cultural do Ponto de Cultura Co.at, de Venâncio Aires, Djalma da Silva afirma que a expectativa é de fortalecer redes e contribuir para a construção de políticas públicas mais inclusivas.
“A expectativa é de dois dias intensos no fórum, debatendo e contribuindo para a construção de políticas públicas cada vez mais inclusivas e abrangentes. Para a Teia, a expectativa é apreciar e experimentar as manifestações artísticas e culturais de todo o país, contribuindo com a cultura do nosso território gaúcho, fortalecendo redes e tecendo novas possibilidades”, afirma.
Virginia Borges destaca o reencontro entre agentes culturais de diferentes territórios do país após anos de desmonte das políticas culturais brasileiras.
“Minha expectativa para a 6ª Teia Nacional e Fórum é uma reconexão dos ponteiros e ponteiras de Norte a Sul do país, após um momento de reflexão política profunda que passa pelo abandono das políticas culturais brasileiras à ascensão, por meio da retomada extraordinária do Ministério da Cultura, rumo ao fortalecimento da cultura de base comunitária”, afirma.
Representante do Escritório Estadual do Ministério da Cultura no Rio Grande do Sul, Paty Afonso afirma que a presença gaúcha reafirma o protagonismo histórico do estado na construção da Política Cultura Viva.
“Como representante do Escritório Estadual do MinC no RS, acompanho com orgulho a potente delegação gaúcha na 6ª Teia Nacional, reafirmando o protagonismo histórico do Rio Grande do Sul na construção da Política Cultura Viva, hoje fortalecida pelos investimentos da Política Nacional Aldir Blanc em todos os territórios do estado”, destaca.
Segundo Afonso, a expectativa é de debates sobre avanços, limites e desafios da política cultural no próximo período, além da troca de experiências entre delegações de diferentes regiões do país.
“A expectativa é de importantes debates entre os Pontos de Cultura e a sociedade civil, apontando avanços, limites e desafios para o próximo período, além da rica troca de experiências com delegações de todo o Brasil”, afirma.
A programação completa da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura está disponível no Ministério da Cultura.
*Com a colaboração de André de Jesus e Aruã Flores
Editado por: Gilson Camargo