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Cobertura Colaborativa
Quem são os Guerreiros Tupinikins que abriram a programação da 6ª Teia Nacional
Grupo de congo mobiliza a juventude indígena do povo Tupinikim. Foto: Thais Gobbo
Depois de muita expectativa, foi dado início à programação oficial da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura em Aracruz (ES). A “chegança” ficou a cargo dos Guerreiros Tupinikins, grupo indígena do município anfitrião ligado ao ponto de cultura Associação Indígena Tupinikim da Aldeia Irajá (Aitupaira).
Tambores, casacas e maracás foram os instrumentos que deram o ritmo junto aos cantos e danças no Centro de Convenções do Sesc Formosa, onde está concentrada a maioria da programação da Teia. “Estar nesse espaço hoje é de grande relevância para nós, porque tem outros povos do Brasil inteiro e estamos mostrando um pouco da nossa dança e dos nossos cânticos que são passados de geração em geração”, conta Bruno Tupinikim, coordenador do grupo. Ele explica que o ritmo tocado pelos Guerreiros Tupinkins é o congo, importante manifestação da cultura popular no Espírito Santo, com influências das culturas negras e indígenas.

- Indígenas Tupinikim apresentam música e dança. Foto: Thais Gobbo
Um destaque visível no grupo é a presença de jovens, que formam a grande maioria dos integrantes. “O grupo tem um papel no nosso território. Nosso objetivo é trazer os jovens e adolescentes, que têm muito contato com outras coisas não relacionadas com a cultura indígena, para mais perto da nossa cultura e aproximá-los de nossas danças e cantos”, relata Kunhatã Tupinakya, integrante dos Guerreiros Tupinikins.
Não é a primeira vez que grupo se apresenta em eventos de grande porte e diante de ampla diversidade cultural. Todos os anos os Guerreiros Tupinikins marcam presença no Acampamento Terra Livre (ATL), maior encontro indígena do Brasil, que acontece em Brasília (DF), e também já circulou por atividades em estados como Bahia e Minas Gerais.
Instrumentos que vêm da natureza
A atuação dos Guerreiros Tupinikins evidencia como a Cultura Viva entrelaça elementos como território, identidade e natureza. “Tagibubuia é pau pra fazer casaca, siriba oca é pau pra fazer tambor”, diz uma das canções. Os instrumentos e a indumentária composta por cocares, saias e colares são originários da coleta sustentável nas matas e manguezais preservados pelos povos originários das etnias Tupinikim e Guarani em Aracruz, único município do Espírito Santo que possui territórios indígenas demarcados.

- A casaca é um dos instrumentos tradicionais do congo capixaba
Algumas canções são feitas em Tupinakyia, idioma do tronco Tupi. “O povo Tupinikim sofreu muito na colonização. A língua originária nunca se perdeu, mas foi adormecida no território e está sendo fortalecida a partir dos cantos e também do ensino nas escolas. Muitos não falam o idioma mas já conseguimos cantar em Tupi nossas canções”, afirma o coordenador.
Kunhatã Tupinakyia destacou a importância da apresentação na Teia Nacional dos Pontos de Cultura. “A expectativa era trazer um pouco de nossa cultura, não conseguimos trazer tudo porque nossa vivência é dentro do nosso território. Seria ainda mais gratificante se a apresentação fosse lá, mas a gente já fica muito feliz de representar nosso estado para povos que vêm de todo o Brasil poderem acompanhar um pouco da nossa cultura”.
Os participantes da Teia terão oportunidade de ter vivências em aldeias Tupinikim e Guarani dentro de atividades previstas no evento nas Unidades Descentralizadas. A programação completa está disponível em https://teianacional.my.canva.site/programacao.
Por Vitor Taveira
Cobertura Colaborativa Teia 2026