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O Jabuti que viajou 3 mil quilômetros para chegar à Teia Nacional
Jabuti Bumbá foi um dos grupos que participou do cortejo de abertura da Teia Nacional dos Pontos de Cultura - Foto: Thais Gobbo
“Requebra Jabuti / Quero ver você dançar / A mata tá caindo / e a derrubada tá demais / Proteja o jabuti / e todos os animais”. Esse é um dos cantos que conduz o Jabuti Bumbá, um grupo único de cultura popular que participa do 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura. São mais de 3 mil quilômetros que separam Rio Branco, no Acre, local de origem do grupo, de Aracruz, no Espírito Santo, onde acontece o evento. Mas a o tempo e a distância não são problemas para este paciente animal, agora ressignificado como centro de um folguedo popular.
O Jabuti Bumbá surgiu em 17 de novembro de 2005, mas sua certificaçção como ponto de cultura só veio no ano passado, com duas décadas de existência. A iniciativa surgiu a partir da família Farias, tradicional no ramo da cultura em Rio Branco. “O Jabuti Bumbá é genuíno acreano. Boi Bumbá já existem muitos. E como a gente mora na Amazônia, na Região Norte, decidimos ser jabutis, pela resiliência dele e pela preservação”, diz Bianca Nascimento, mestra do grupo. “Porque o boi quando aparece na floresta é devastando, derrubando para fazer pasto. O jabuti não. Ele é resistente e paciente - e é isso que nós somos. O jabuti quando cai uma árvore por cima dele na floresta, ele espera pacientemente a árvore apodrecer para poder sair”.
Música, dança, teatro e adereços se somam para a vivência artístico-formativa “O passo do Jabuti: sabedorias do chão e resiliência climática”, trazido pelo grupo para a Teia, proporcionando reflexões sobre a proteção dos territórios e a adaptação das comunidades populares frente às crises climáticas contemporâneas. “Pontos de Cultura pela Justiça Climática” é o tema central desta 6ª Teia Nacional. O grupo conta com 28 integrantes mas trouxe uma versão reduzida, selecionada pelo edital de programação do evento.

- Jabuti Bumbá foi um dos grupos que participou do cortejo de abertura da Teia Nacional dos Pontos de Cultura - Foto Thais Gobbo
Segundo a mestra, a maioria do grupo é feminina e a opção foi trazer apenas para mulheres para a atividade em Aracruz, onde se apresentaram no palco principal e participaram do cortejo de abertura do evento. “Queremos mostrar a força que nós temos. Temos várias pessoas dentro do nosso grupo, inclusive mulheres vulnerabilizadas, que passaram por situações difíceis e estão se reconstruindo”, diz a mestra, ressaltando também a importância dos Pontos de Cultura como espaços de acolhimento.
Ela conta que em sua família foi a primeira a se voltar para o campo da cultura e das artes. Hoje, suas filhas fazem parte do grupo. O conhecimento é transmitido ao longo da vivência e dos fazeres, não só a parte musical, como também os adereços confeccionados e ensinados pela própria mestra. As canções são todas autorais e feitas por mestres mais antigos.
O Jabuti Bumbá tem sede no bairro Mocinha Magalhães, mas devido às reformas do espaço, tem ensaiado em outro Ponto de Cultura, a Casinha Ocupação Cultural, no Conjunto Habitacional Mascarenhas de Moraes.
Por Vitor Taveira
Cobertura Colaborativa Teia 2026