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Cobertura Colaborativa
Colaboração em rede se destaca na comunicação da 6ª Teia Nacional
Parte da equipe da Comunicação Colaborativa com a ministra da Cultura Margareth Menezes. Foto: Divulgação
Durante os seis dias da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, entre 19 e 24 de maio, uma equipe de comunicadores populares de todas as regiões brasileiras realiza uma cobertura colaborativa e comunitária diretamente de Aracruz (ES), sede do evento, buscando trazer relatos a partir do olhar dos ponteiros sobre o maior evento da Rede Cultura Viva.
A democratização da comunicação pública e a soberania digital na prática são eixos fundamentais da atuação da equipe, formada por profissionais de fotografia, vídeo, texto, áudio e mídias sociais. No total, 21 participantes da equipe foram selecionados por meio de edital lançado pelo Ministério da Cultura (MinC) e o Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes), que considerou a diversidade regional e política afirmativa para pessoas negras, indígenas e com deficiência. Além deles, o público presente no evento também pode contribuir com a comunicação colaborativa por meio dos canais disponibilizados.
“Os conteúdos produzidos, com uma visão e narrativa dos movimentos sociais da cultura, ampliaram a democratização da comunicação pública do MinC”, diz Marcelo Branco, um dos coordenadores da Cobertura Colaborativa. “Está sendo uma bela experiência que esperamos que se repita e se aperfeiçoe nas próximas Teias Nacionais e que seja promovida em todos os momentos da comunicação pública do ministério e de todo o Governo Federal”, afirma.
Todo o trabalho da comunicação utilizou ferramentas de gestão, repositório de fotos, textos e vídeos em software livre. “Com exceção do Instagram, onde ajudamos na construção dos conteúdos do perfil @redeculturaviva, utilizamos redes sociais livres e federadas, o Fediverso. Uma rede sem retenção de dados pessoais e sem algoritmo de aparição”, explica Marcelo Branco, que convida todos a conhecerem e experimentarem o Fediverso.

- Membros da equipe da Cobertura Colaborativa trabalhando durante a abertura da Teia. Foto: Divulgação
Ângela Caetano, assentada da reforma agrária de Planaltina (DF), é uma das participantes da equipe, contribuindo como Social Media da cobertura colaborativa. “Esse é o lugar que eu quero estar como comunicadora, registrando e comunicando as culturas populares, falando sobre povos indígena, quilombolas, territórios rurais e toda essa diversidade cultural que temos no Brasil”, considera.
Ela destaca a liberdade que a equipe tem para produção e autogestão do trabalho durante a Teia, permitindo focar na presença dos povos e dos pontos de cultura, para além de uma comunicação institucional. Também ressalta o intercâmbio proporcionado entre os comunicadores participantes e pontua que é preciso fazer uma avaliação e criar protocolos para aprimorar a cobertura colaborativa em próximos eventos.
“A comunicação colaborativa está inovando trazendo esse olhar da própria sociedade para difundir o que está acontecendo aqui. É muito importante que nossa comunicação seja uma comunicação democrática”, disse Márcia Rollemberg, secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura.
Soberania comunicacional
A Cobertura Colaborativa da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura foi uma oportunidade tanto de reafirmar que a utilização de ferramentas de código aberto para a gestão e publicação de conteúdo não é só possível, mas necessária, principalmente quando se trata de Comunicação Pública.
A edição online e a gestão dos arquivos da equipe foram todas feitas utilizando a plataforma Mangue, desenvolvida com o software livre Nextcloud, e a disponibilização dos arquivos está sendo feita pela plataforma iTEIA, que utiliza a tecnologia para a distribuição de acervos Tainacan, desenvolvida no Brasil.
Já a comunicação interna da equipe durante a pré-produção foi feita com a ferramenta Jitsi, uma plataforma de videoconferência. Tanto a iTEIA, que é mantida pela Rede Cultura Viva há quase duas décadas, quanto o Mangue, mantido pelo Pontão Colaborativas, e a Jitsi da Sacix são ferramentas que foram aprimoradas e fortalecidas com recursos do Edital de Pontões Digital do MinC. “É um retorno direto do investimento público do MinC para a população”, declara Thiago Gonzaga, também conhecido como Skárnio nas redes, outro coordenador da Cobertura Colaborativa.
Para a publicação e distribuição deste conteúdo, a equipe da Cobertura Colaborativa da Teia 2026 trabalhou em duas frentes: os conteúdos foram publicados tanto nas plataformas comerciais de mídias sociais quanto em plataformas de mídias sociais federadas, conhecidas como Web Social Aberta, ou Fediverso.
Durante a TEIA, foi lançada uma plataforma de compartilhamento de imagens projetada para a diversidade cultural, a Cordel.Social, mantida com recursos do Pontão Colaborativas, além da utilização de redes livres como a Organica.Social e a Video.Pop.Coop. “As redes federadas são uma tendência mundial para o futuro das mídias sociais no mundo, mas como são criadas e mantidas por pessoas, governos e organizações da sociedade civil, não possuem estrutura de marketing com recursos das ferramentas mantidas por Big Techs, por isso esse tipo de iniciativa como a do MinC é tão importante, pois valoriza uma comunicação digital mais democrática, transparente e autônoma”, avalia Thiago.
Outro ponto importante sobre a Cobertura Colaborativa da Teia é o fato de que o conteúdo criado e distribuído por ela está hospedado em território nacional, em servidores brasileiros. Em tempos de discussão sobre Soberania Digital, esta é uma questão muito importante.
Cobertura Colaborativa Teia 2026