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DIÁLOGO
Rio Grande do Norte promove encontro da Rede Estadual de Pontos de Cultura e conclui etapa preparatória para a 6ª Teia Nacional
Foto: Joana Lima
Atrações culturais diversas, espaços de debates, fortalecimento da participação social e a construção coletiva de propostas para o setor cultural marcaram os dois dias de programação da 4ª edição da Teia do Rio Grande do Norte. O evento, que também abrigou o IV Fórum Potiguar dos Pontos de Cultura, concluiu a preparação do estado para a 6ª Teia Nacional – Pontos de Cultura pela Justiça Climática, que acontecerá em março, no município de Aracruz (ES).
Sediado entre quinta (26) e sexta-feira (27) no Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França (CTC), do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), o encontro reuniu coletivos e iniciativas vinculadas à Política Nacional Cultura Viva (PNCV). Os participantes elegeram novos integrantes para a Comissão Estadual dos Pontos de Cultura e os delegados (as) que vão representar o estado na etapa nacional, garantindo que a realidade local esteja presente nas discussões. A Teia RN também foi carregada de simbolismo ao relembrar a última Teia Nacional, que ocorreu no ano de 2014, em Natal.
Ao participar do evento, a governadora Fátima Bezerra reafirmou o compromisso com as políticas culturais e a importância do setor para o desenvolvimento do país. “Todos nós sabemos o caráter estratégico da cultura e da educação para o projeto de desenvolvimento nacional que nós defendemos, de solidariedade, de justiça social, de comunidade”. Sobre a PNCV reforçou: “a Cultura Viva é uma política pública que toca no meu coração de professora. Eu vi essa política nascer e sempre me encantei muito pelo seu conceito porque ele parte exatamente da ideia de que a cultura não deve vir de cima para baixo, mas de onde ela pulsa, vive, sonha e luta. Esse é o conceito da Cultura Viva”.
Representando o Ministério da Cultura (MinC), a coordenadora de Planejamento e Sistema da Cultura Viva, Carolina Freitas, destacou a realização da Teia como parte do pacto federativo em prol do setor cultural, ao reunir União, estados e municípios, em parceria com a sociedade civil. “A gente vem vivenciando as teias estaduais desde o ano passado. É um processo complexo de se realizar, porque é a sociedade civil organizando junto com as prefeituras e os estados. No Rio Grande do Norte, a rede conta com 280 pontos de cultura. São muitos pontos para organizar, articular, mobilizar e formar. A PNCV tem como característica forte a gestão compartilhada, que se dá pela Comissão Nacional de Pontos de Cultura, que passará por uma renovação na Teia Nacional”, explicou.
A secretária estadual de Cultura, Mary Land Brito, também classifica a Teia como um exemplo de que é possível poder público e sociedade civil estarem unidos e de mãos dadas. “Ser ponto de cultura é estar dentro dessa panela com todo mundo junto, pensando numa sociedade melhor, pensando como que a gente pode fazer isso junto. O Rio Grande do Norte não é diferente do país. A gente tem pontos de cultura dos mais diversos formatos, como teatro, dança, cultura popular, audiovisual, acessibilidade, comunicação. Então, que nesses dois dias possamos dialogar e estarmos juntos porque não se faz nada sozinho”, afirmou.
Já o integrante da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, Eduardo Lima, destacou a importância de se fortalecer a Cultura Viva nos territórios. “Manter a efervescência da Cultura Viva potencializa ações culturais na ponta, onde são desenvolvidas práticas de base comunitária que transformam vidas. Eu sou uma cria da Cultura Viva e dediquei metade da minha vida na construção dessa política como ponteiro e gestor cultural. Hoje, estamos aqui para compartilhar e estimular uma nova geração que está chegando”.
Debates
Os participantes foram distribuídos em Grupos de Trabalho para debater e definir propostas relacionadas a temas estratégicos da PNCV: Plano Nacional de Cultura Viva para os próximos dez anos, governança da política pública, sustentabilidade da criação artística e justiça climática.
Também entrou na pauta a regulamentação da Lei Estadual Cultura Viva (Lei nº 11.227/2022), que é considerada essencial para garantir segurança jurídica, simplificação administrativa, mecanismos adequados de fomento e a efetiva participação social na gestão da política. A minuta do decreto de regulamentação foi elaborada pela Comissão Estadual da Cultura Viva e entregue à Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Norte (SECULT/RN).
As nossas divergências vão ficar lá fora, porque temos o ideal comum que é essa retomada da Cultura Viva em nosso país. Nós temos uma grande missão aqui, que é a regulamentação da lei do nosso Estado. E isso vai ser importante para todos nós: ponteiros e ponteiras de cultura. O nosso objetivo aqui nesses dois dias de fórum é discutir no campo das ideias, com respeito. O nosso desafio é transformar a rede estadual em uma rede funcional”, disse Gláucio Teixeira, da Comissão Estadual dos Pontos de Cultura.
Apresentações culturais
A programação cultural de quinta-feira contou com a exposição Rabecas e Bailados e apresentações dos grupos Pau Furado de Mulheres Quilombolas de Macaíba, Boi de Reis do Bom Pastor e Fuxico de Feira, além de uma roda de choro com Carlos Zens, da companhia Gira Dança e da acolhida irreverente do Trotamundos com os palhaços Suvaco e Axila. Na sexta-feira, um Toré da Aldeia Lagoa de Tapará (de Macaíba e São Gonçalo do Amarante) abriu a programação. Em seguida, os debates foram intercalados pelo Trio Caninana e pelo grupo Folia de Rua Potiguar. O evento terminou em samba com apresentação da bateria da Balanço do Morro – que também é um ponto de cultura. Nos dois dias, o público também pôde visitar a Feira de Economia Solidária e Criativa e o Museu do Brinquedo Popular, que ofereceu uma imersão na memória lúdica potiguar.