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REGIÃO NORDESTE
Pontos e Pontões da Paraíba celebram a diversidade e discutem cultura e justiça climática em Campina Grande
Foto: Secult PB
“De onde viemos, onde estamos e para onde iremos?”. As perguntas que nortearam a roda de conversa Ponto a Ponto com a Mestra Doci, na manhã desta sexta-feira (27), permeiam toda a programação da 5ª Teia Paraíba e do 6º Fórum Estadual dos Pontos e Pontões de Cultura, iniciado na véspera em Campina Grande. O encontro é uma preparação para a 6ª Teia Nacional - Pontos de Cultura pela Justiça Climática, que será realizada em Aracruz, no Espírito Santo, de 24 a 29 de março.
Na mesa de abertura do evento, a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg, parabenizou os mais de 300 ponteiros e ponteiras presentes, “que fazem a cultura acontecer e doam vocação e talento para fazer o mundo melhor”, e falou sobre o crescimento da rede Cultura Viva no estado e no país. A Paraíba conta atualmente com 325 pontos de cultura, em 63 do total de 223 municípios. No cadastro nacional, o número de pontos e pontões mais do que triplicou em três anos: saltou de 4 mil para mais de 14 mil, espalhados em cerca de 2 mil municípios.
“Estamos em um momento de expansão dos direitos culturais, de expansão de uma política nacional que se chama Cultura Viva, que une todo o Sistema Nacional de Cultura em prol da efetivação de direitos. E o tema desse encontro é muito importante porque mostra como a cultura pode contribuir nessa discussão, no letramento sobre justiça climática e, principalmente, na compreensão do papel de cada um para mudar o mundo e fazer dele um mundo mais justo”, ressaltou a secretária.
Pedro Santos, secretário de Estado da Cultura da Paraíba, destacou o momento de retomada desta política pública, comentou o desafio de promover este encontro e lembrou que a Teia tem o objetivo de rearticular, reorganizar e traçar um futuro para a Cultura Viva. “Nós tomamos a decisão de realizar este encontro compartilhando protagonismo, mas também responsabilidade. Se esta Teia está acontecendo hoje, é porque a sociedade civil se responsabilizou por ela”, reforçou.
A 5ª Teia Paraíba é uma realização do Pontão de Cultura Coletivo Derréis, com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-PB). Os recursos públicos do Ministério da Cultura, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), garantem a estrutura do evento, como organização, programação, logística e apoio à participação dos grupos culturais.
Diversidade presente
Território de encontro de coletivos culturais, artistas, mestres e mestras da cultura popular, povos indígenas, comunidades quilombolas, povos ciganos e demais comunidades tradicionais do estado, a Teia Paraíba funciona como um espaço de troca de experiências, articulação, formação, celebração e mobilização cultural. A programação inclui palestras, debates, rodas de conversa, vivências, mostra audiovisual e apresentações artísticas dos pontos de cultura.
“É muito bonito ver a diversidade cultural da Paraíba aqui presente, tantas regiões, tantos territórios presentes nesse esforço das equipes do Ministério da Cultura, da Secretaria de Cultura do Estado, e de toda a Comissão Organizadora, para fazer esse encontro de pontos de cultura. Esta política é muito importante para os fazedores da cultura brasileira, para o desenvolvimento da cultura de base comunitária e da sustentabilidade”, comentou Igobergh Bernardo Barbosa, presidente do Fórum de Gestores Municipais de Cultura da Paraíba.
Também participaram desta primeira mesa, no Centro de Convenções Garden Resort Hotel, Rosana Figueiredo Pinto, representante do Fórum Estadual de Pontos e Pontões de Cultura; Rejane Nóbrega, representante do Escritório do MinC na Paraíba, e Perla Alves, representante do Pontão de Cultura Coletivo Derréis.
Antes da abertura oficial, Mikaelle Farias, ativista climática do agreste paraibano, ministrou uma palestra sobre o tema central da Teia, “Pontos de Cultura pela justiça climática”. “A gente precisa trazer esse pensamento para dentro, fazer essa reflexão: o que cultura tem a ver com justiça climática e com a atual crise que vivemos hoje? Entender que a cultura é um ponto de vetor para a gente conseguir construir uma justiça, que seja realmente justa e chegue para todos os povos”, frisou.
A noite de quinta-feira também contou com a apresentação do grupo Samba de Preto, a exibição do curta “Memórias da Teia na Paraíba” e o acolhimento de boas-vindas do Ponto de Cultura Maracagrande.
Segundo dia
A programação da manhã desta sexta-feira começou com a roda de conversa Ponto a Ponto com a Mestra Doci (“De onde viemos, onde estamos e para onde iremos. Um diagnóstico da Cultura Viva na Paraíba”). Participaram do debate representantes do Pontão Paraíba Cultura Viva (Taperoá) e dos Pontos de Cultura Pisada do Sertão (Poço de José de Moura), Maracastelo (João Pessoa), Os Cariris (Taperoá), Bananeiras (Bananeiras), Ypuarana (Campina Grande), Oficina/Vieirocultura (Sousa), Raízes do Amanhã (Campina Grande), Olho do Tempo (João Pessoa) e Casa Júlia Rocha (Nazarezinho).
Enquanto os pontos de cultura se reuniram no auditório do Centro de Convenções, o Conselho Estadual de Política Cultural da Paraíba (Consecult-PB) realizou sua primeira reunião ordinária na Sala Carcará. Este conselho foi eleito no final de 2025, para o período 2026-2028, e contou com uma renovação significativa de representantes, tanto da sociedade civil quanto do poder público. A reunião, presidida pelo secretário Pedro Santos, foi pensada como um espaço de apresentação do novo Consecult e de discussão de propostas de pautas e calendário para este ano.
A agenda seguiu com a abertura do 6º Fórum Estadual de Pontos de Cultura da Paraíba. Após a leitura e a aprovação do regimento do fórum, as pessoas participantes dividiram-se em quatro salas temáticas. Uma está dedicada ao tema central da 6ª Teia (“Pontos de Cultura pela justiça climática”); as outras três, aos eixos propostos pelo MinC e pela Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC): Plano Nacional Cultura Viva para os próximos 10 anos; Governança na Política Nacional de Cultura Viva; Cultura Viva, trabalho e sustentabilidade da criação artística.
As atividades seguem até a tarde de sábado (28/02), no Centro de Convenções de Campina Grande. Além de formular 10 propostas para os eixos temáticos e discutir algumas diretrizes da Política Nacional de Cultura Viva, ponteiras e ponteiros vão escolher 30 pessoas para a delegação que representará o estado na 6ª Teia nacional, em Aracruz. Outra eleição será a do Colegiado Cultura Viva Paraíba ano 2026 - 2029, que irá compor a Comissão Nacional dos Pontos de Cultura.
