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CULTURA VIVA
Na Colômbia, MinC participa do 7º Congresso Latino-americano e Caribenho de Culturas Vivas Comunitárias
Foto: Ministerio de las Culturas de Colombia
Depois de passar pelas cidades de Pasto e Cali, na Colômbia, o 7º Congresso Latino-americano e Caribenho de Culturas Vivas Comunitárias chegou a Medellín com uma programação que prevê oficinas, palestras, assembleias, rodas de conversa e apresentações artísticas até o próximo domingo (26). O programa de cooperação IberCultura Viva, que envolve 14 países e é presidido pelo Brasil, participou do painel Um Continente de Esperança que faz Acupuntura Cultural, um dos três que se realizaram nesta quarta (22), no Centro de Desarrollo Cultural de Moravia.
Márcia Rollemberg, secretária de Cidadania e Diversidade Cultura do Ministério da Cultura e presidenta do IberCultura Viva, foi uma das convidadas da mesa. Ao lado dela, Vicenta Moreno, diretora de Fomento Regional do Ministério das Culturas da Colômbia; Ana María Restrepo, representante da Secretaria de Cultura de Medellín, e o argentino Eduardo Balán, do Instituto Latino-americano de Cultura Viva Comunitária. João Pontes, diretor da Política Nacional Cultura Viva, foi o mediador da conversa.
A “acupuntura cultural”, que deu nome ao painel, evoca a ideia do “do-in antropológico”, apresentada por Gilberto Gil em seu discurso de posse como ministro da Cultura, em 2 de janeiro de 2003. A metáfora da massagem de pontos vitais (momentaneamente desprezados ou adormecidos) do corpo cultural do país, “para avivar o velho e atiçar o novo”, tornou-se método e política pública, dando origem à Política Nacional Cultura Viva), que hoje conta com mais de 15 mil pontos e pontões de cultura em todas as regiões do país.
Ao abrir o diálogo, Márcia destacou a gestão compartilhada e participativa da Política Nacional Cultura Viva, e a necessidade de uma “verdadeira parceria público-comunitária” como base para a efetivação dos direitos culturais. “Uma política só é verdadeiramente pública se é feita com a sociedade. Este é um princípio da Cultura Viva. O respeito ao protagonismo, a autonomia, a conexão das redes que sustentam uma política de base comunitária, tudo isso está no nascedouro desta política e do programa IberCultura Viva”, afirmou.
Vicenta Moreno, que representa a Colômbia no Conselho Intergovernamental IberCultura Viva, ampliou a perspectiva para o continente: “É uma construção não apenas da Colômbia, mas de uma América Latina que busca e consolida um lugar de dignidade para as culturas vivas comunitárias. Uma política abraçada pela solidariedade, pela construção conjunta e por uma visão de países irmãos que caminham juntos”. Sua fala evidenciou o fio comum das lutas comunitárias que atravessam a região.
A intervenção de Ana María Restrepo, representante da Secretaria de Cultura de Medellín, reafirmou o compromisso da cidade com a cultura como ferramenta de transformação social e com espaços que conectam o local ao continental. Ana destacou a importância de sustentar e atualizar as políticas a partir da experiência acumulada: “Medellín é uma das cidades que mais rapidamente construiu sua política pública e atuou a favor dessa aposta por uma cultura biocomunitária. Estamos falando do ano de 2011, e atualmente estamos em um processo de revisão dessa política”.
O reconhecimento de que a Cultura Viva Comunitária também transforma as formas de exercer autoridade e poder esteve presente na fala do mediador. “Os saberes comunitários nos ensinam que o mais importante nem sempre está nos protocolos, mas na experiência viva dos povos”, destacou João Pontes, convidando a repensar as hierarquias a partir da prática cultural.
Eduardo Balán lembrou que a dimensão afetiva também é política: “Os vínculos e o afetivo são uma parte central da nossa construção”. Ao compartilhar a coincidência simbólica de sua participação com os 30 anos de sua organização de base (El Culebrón Timbal), reafirmou que os processos comunitários se sustentam porque nascem da vida. À noite, coletivos culturais, blocos de carnaval e participantes tomaram as ruas em uma celebração vibrante da vida em comum.
Outras atividades do IberCultura Viva
Na programação desta quinta-feira (23), o programa IberCultura Viva se dedica à participação nos círculos da palavra sobre governança, participação, legislação e políticas públicas. Na sexta (24), na Universidade de Antioquia, será apresentada a publicação IberCultura Viva: más de 10 años de integración de base comunitaria y derechos culturales. O livro mapeia as políticas culturais de base comunitária da região ibero-americana, suas trajetórias, tensões e formas de organização, com ênfase no protagonismo da sociedade civil.
No início da semana, em Cali, a Rede Educativa IberCultura Viva impulsionou dois espaços pedagógicos simultâneos, reunindo experiências de distintos países para pensar organização, pesquisa, território e políticas culturais a partir da prática comunitária.
A mesa Alcançando horizontes: gestão cultural comunitária e desenvolvimento territorial, mediada por Diego Benhabib, consultor de Redes e Formação do IberCultura Viva, reuniu Luana Vilutis, da Universidade Federal da Bahia (Brasil); Daniel Zas, da Escuela Popular de Música da Asociación Madres de Plaza de Mayo Línea Fundadora (Argentina); e Juan Esteban Ruiz, da Universidad Sergio Arboleda (Colômbia).
O diálogo conectou pesquisa, educação popular e prática territorial em torno dos desafios contemporâneos da gestão cultural comunitária. Os debates também deram visibilidade a experiências como o Consórcio Universitário Cultura Viva no Brasil, que fortalece o vínculo entre produção de conhecimento, políticas públicas e práticas comunitárias.
Em paralelo, o espaço Raízes e estruturas: modelos organizativos e participação social, mediado por Nanda Barreto, consultora de Comunicação do IberCultura Viva, reuniu Isaac Peñaherrera, do Movimento de Cultura Viva Comunitária do Equador; Nancy Coronel, do Instituto Argentino de Promoção da Cultura Viva Comunitária, e Hipólito Lucena, da Comissão Nacional de Pontos de Cultura do Brasil. A partir de trajetórias diversas, compartilharam experiências de organização territorial, incidência em políticas públicas e construção de redes que sustentam o direito à cultura nos territórios.
Saiba mais sobre o congresso aqui e no site www.iberculturaviva.org
