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PREPARAÇÃO
Fórum Livre Cultura Viva de Matriz Africana fortalece diálogo entre MinC e representantes de povos tradicionais
Foto Giba/MinC
Representantes do Ministério da Cultura (MinC) participaram, nos dias 5 e 6 de março, do Fórum Livre Cultura Viva de Matriz Africana, realizado no auditório do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília (DF). O evento reuniu lideranças de comunidades tradicionais, integrantes da rede de pontos de cultura e gestores federais para debater o fortalecimento da participação social nas políticas culturais, especialmente na Política Nacional de Cultura Viva (PNCV) e no Sistema Nacional de Cultura (SNC).
A secretária de Cidadania e Diversidade Cultural, Márcia Rollemberg, reiterou que o intercâmbio com esse segmento é um pilar do ministério. “O diálogo com os povos tradicionais de matriz africana é fundamental para o fortalecimento da Cultura Viva e para o reconhecimento das contribuições dessas comunidades para a diversidade cultural brasileira”, afirmou. Ela destacou a contribuição dos dois pontões de cultura que têm parceria formalizada com o MinC. “Os pontões Ancestralidade Africana no Brasil e o Articular Matriz africana trazem resultados muito potentes. A Cultura Viva é uma política de acesso mais amplo, com capacidade de interlocução e que busca o reconhecimento do protagonismo da sociedade. Então, esse trabalho é muito precioso no reconhecimento dos territórios como territórios que protagonizam direitos culturais, justiça climática e tudo mais”, finalizou.
Roberta Martins, secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura, acompanhou de perto o processo do GT de matriz africana, fortalecendo essa agenda dentro da política Cultura Viva. “A cultura tem um papel fundamental na reparação histórica e no fortalecimento do povo negro no Brasil”, afirmou.
Também representaram a pasta no encontro o diretor do Sistema Nacional de Cultura (SNC), Júnior Afro; o coordenador-Geral de Articulação de Políticas para as Culturas Tradicionais e Populares, Pedro Inatobi Neto, além de representantes da Fundação Cultural Palmares, Iphan e Funarte.
A chefe da Assessoria de Participação Social e Diversidade, Mariana Braga, ressaltou o papel da cultura negra na formação do país. “Quando garantimos direitos culturais à população negra e aos povos de terreiro, estamos garantindo direitos culturais a toda a população brasileira”, destacou.
Estiveram presentes: Leandro Anton, coordenador Geral de Articulação da Cultura Viva; Lenine Guevara, coordenadora de Articulação e Participação do Gabinete da Funarte; Fernanda Thomaz, diretora do Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro da Fundação Cultural Palmares; e Nelson Mendes, diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira da Fundação Cultural Palmares.
Articulação e Resistência
O Fórum consolidou-se como um espaço de articulação política e institucional. Lideranças da sociedade civil, contribuíram com discussões sobre a presença dos territórios tradicionais nos espaços de controle social. Um dos pontos centrais das mesas de debate foi o enfrentamento ao racismo institucional e à violência contra as tradições de matriz africana, reforçando a necessidade de reconhecer as especificidades organizativas e territoriais desses grupos.
Silvany Euclênio, representante do Pontão Ancestralidade Africana no Brasil, afirmou a importância de ampliar o número de pontões de cultura de matriz africana no país, como forma de fortalecer a rede Cultura Viva e ampliar o apoio às iniciativas culturais desenvolvidas nos territórios.
Pai Lula, da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, destacou a resistência histórica das comunidades tradicionais. Para ele, o fortalecimento das redes é o único caminho para garantir a continuidade das políticas de diversidade.
Mestre Aderbal Ashogun, do Pontão Ancestralidade Africana no Brasil, lembrou que as comunidades de matriz africana se organizam há décadas em redes de articulação cultural, contribuindo para a preservação de saberes tradicionais e para o fortalecimento das políticas públicas de cultura.
Pai Geová de Kavungo, conselheiro no Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), também participou do encontro. Durante o debate, foi ressaltado o processo de reestruturação do conselho, que prevê a ampliação da representação de diferentes expressões culturais brasileiras, incluindo povos de matriz africana.
Mobilização para a Teia Nacional 2026
O encontro também serviu como etapa preparatória para a 6ª Teia Nacional Pontos de Cultura pela Justiça Climática, que será realizada em maio de 2026. O evento é o principal momento de celebração e articulação dos pontos de cultura do Brasil.
A proposta é ampliar a organização das redes estaduais e municipais, garantindo que coletivos e comunidades tradicionais tenham protagonismo no encontro nacional.
Realização
O Fórum foi realizado pelo GT de Matriz Africana da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura; o Pontão de Cultura Ancestralidade Africana no Brasil e o Pontão de Cultura Articula Matriz Africana, com o apoio do Ministério da Cultura.