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REGIÃO NORTE
Encontro de pontos de cultura do Acre fortalece governança e consolida diretrizes para a Cultura Viva no estado
Foto: Elisson Magalhães
Cerca de 150 fazedores de cultura de diversas regiões do Acre participaram do Fórum e Teia Estadual de Pontos e Pontões de Cultura, entre os dias 5 e 7 de fevereiro, em Rio Branco. O encontro, que teve como tema Justiça climática, ancestralidade e sustentabilidade cultural, foi realizado pelo governo do Acre, por meio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), e o Pontão Batelão, com recursos do segundo ciclo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).
A abertura se deu com um cortejo pelas ruas do centro da cidade, saindo da Praça Povos da Floresta em direção ao Museu dos Povos Acreanos, onde se concentraram os três dias de programação. Representantes de grupos como Vivarte, Maracatu Pé Rachado, Afoxé Omo Alade e Jabuti Bumbá estiveram presentes na caminhada, reafirmando -- entre tambores, vozes, cores e afetos -- a cultura viva, comunitária e diversa, construída por quem faz do cotidiano um ato de criação e resistência.
Logo após o cortejo cultural, foi realizada a mesa-redonda “Cultura Viva, Justiça Climática, Ancestralidade e Bem Viver”, com a participação de Tião Soares, diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares do Ministério da Cultura, e Tupã Mirim Ju Yan Guarani, coordenador de Promoção das Culturas Indígenas no MinC.
Segundo Tião, a realização do Fórum e Teia do Acre permite que os pontos de cultura reafirmem o seu papel político dentro da Cultura Viva. “Os pontos de cultura não devem ser considerados meros canais de acesso a recursos, mas espaços organizadores da sociedade cultural. Esses encontros devem fortalecer o diálogo com as comunidades, fomentar a disputa pela democracia e resgatar o compromisso coletivo — transformando atuação cultural em ação política, inclusão e cidadania".
Walter Cedro, representante da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), lembrou que não existe justiça climática sem a participação dos povos originários e os povos de matrizes africanas. “São as pessoas que fazem, que mantêm esse mundo em pé”, destacou.
Carta Estadual da Cultura Viva
O segundo dia de atividades, na sexta-feira (06/02), começou com a leitura e a aprovação do regimento interno, que orientou a eleição dos delegados estaduais, seguidas do painel temático “Cultura Viva e o fortalecimento das redes territoriais”. Na sequência, formaram-se grupos de trabalho (GTs) baseados nos três eixos estratégicos: “Plano Nacional de Cultura para os próximos 10 anos”; “Governança da Política Nacional Cultura Viva” e “Cultura Viva, trabalho e sustentabilidade da criação artística”.
À tarde, as pessoas participantes dos GTs trabalharam na elaboração da Carta Estadual da Cultura Viva Acre, documento que reúne as diretrizes do fórum e que será encaminhado para contribuir com o Plano Nacional de Cultura do MinC. Além da reunião dos grupos de trabalho e da plenária de resoluções, a programação contou com intervenções artísticas e uma roda livre de troca de saberes, com apresentação de produções dos pontos e pontões de Cultura.
Durante o encontro, o presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour, Minoru Kinpara, destacou a importância estratégica do fórum para o fortalecimento das políticas culturais. “A elaboração coletiva de metas é fundamental para todos que atuam na cultura, pois amplia e consolida as ações desenvolvidas no estado. Temos 150 inscritos, dos quais 60 são delegados, que permanecerão três dias debatendo e definindo prioridades em sintonia com a Política Nacional de Cultura Viva”, destacou.
Segundo a coordenadora do escritório do MinC no Acre, Camila Cabeça, foram buscadas diversas parcerias para ampliar a compreensão sobre o que é cultura comunitária. “O Acre conta hoje com quase 200 Pontos de Cultura, e este encontro é fundamental para refletirmos sobre o futuro desses espaços, que são essenciais para os nossos fazedores de cultura”, enfatizou a coordenadora, que ficou com a mediação de um dos GTs, com foco no fortalecimento da cultura comunitária e na preservação da memória coletiva.
Eleição de delegados
No sábado (07/02) foram escolhidas as 30 pessoas que atuarão como delegadas estaduais na 6ª Teia Nacional – Pontos de Cultura pela Justiça Climática, que será realizada em Aracruz (ES) de 24 a 29 de março. Uma das eleitas é Xiu Shanenawá, coordenadora da Organização de Mulheres Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia (Sitoakore). “É uma grande conquista, um momento muito importante de inclusão, de retomada e de construção coletiva de políticas públicas eficazes”, afirmou.
“Nesta Teia estamos conhecendo um pouco mais do que é a Cultura Viva e o que ela pode nos oferecer enquanto pontos de cultura, enquanto fazedores, para as comunidades. Nós trabalhamos com comunidades diversas e é muito importante a gente se unir para avançar nas políticas culturais”, observou a produtora cultural e artista popular, que foi uma das participantes da mesa-redonda no dia de abertura e uma das delegadas selecionadas para a Teia Nacional.
Para Wendel Felipe, representante do Ponto de Cultura Turminha do Vale -- um projeto voltado para a criação de material didático, principalmente com histórias sobre os povos originários --, as oportunidades de intercâmbio nesses encontros são entusiasmantes. “Assim como na Teia Estadual, onde pude trocar experiências e aprender ainda mais, a gente vai para a Teia Nacional com a mesma expectativa de ampliar conhecimentos, parcerias e divulgação”, comentou.
Junior Uchoa, do Ponto de Cultura Companhia de Salão Energia Cristalina, considerou de suma importância a participação no evento. “Estamos há mais de 20 anos construindo um processo de capacitação dentro das comunidades. São muitos os parceiros envolvidos nesse processo. Espero que na Teia Nacional possamos colocar os nossos desejos, as nossas demandas, para poder dar às comunidades tudo aquilo que elas precisam para melhor viver”.
