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Boletim de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil – 10/09/2026 ANO 09 Nº 94
- Foto: Alan Pimentel
A presente edição do Boletim Mensal de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresenta: (a) a avaliação das ocorrências e alertas para desastres de origem hidro-geo-climático (inundações, enxurradas e movimento de massa) para o mês de agosto, e (b) o diagnóstico e cenários dos impactos em diferentes setores econômicos do Brasil para o trimestre setembro, outubro e novembro (SON) de 2026.
Envio de Alertas e Registro de Ocorrências
No mês de agosto de 2026 foram enviados pela Sala de Situação do Cemaden um total de 105 alertas, sendo 41% alertas de risco Hidrológicos e 59% alertas de risco Geológicos (Figura 1). Neste período foram registradas 59 ocorrências, sendo 57,6% ocorrências de caráter Hidrológico e 42,4% Geológicos. As Regiões Sul, Sudeste e Nordeste concentraram os alertas enviados e as ocorrências registradas, totalizado 58, 21 e 26 registros, respectivamente.

- Figura 1 – Distribuição espacial dos alertas e ocorrências, número de alertas e ocorrências e seus níveis dos alertas de risco e magnitude das ocorrências registradas e a distribuição percentual de alertas e ocorrências Hidrológicas e Geológicas para o mês de agosto de 2026.
Risco Hidrológico: Situação Atual e Prevista

- Figura 2 - Situação dos níveis dos rios no Brasil em 09 de setembro em relação a média climatologica das estações hidrológicas de medição (a) e previsão sazonal de vazão natural dos rios para outubro de 2026 (b).
Impactos da Seca na Vegetação e na Agricultura
Segundo o Índice Integrado de Seca (IIS-3, Figura 3a), houve aumento de municípios em seca extrema (4), moderada (532 para 557) e redução daqueles em seca severa (157 para 153) e fraca (1.683 para 1.605), de julho para agosto, respectivamente. As condições de seca extrema concentraram-se na Bahia, enquanto a seca moderada predominou no Tocantins, Bahia e Alagoas. No IIS-6 (Figura 3b), aumentaram os municípios em seca severa (51 para 80, 57%) e moderada (533 para 586, 10%), enquanto a seca fraca diminuiu (2.043 para 1.892, -7%). As projeções para o final de setembro indicam redução das condições de seca extrema, severa e moderada (Figura 3c).

- Figura 3 - Índice Integrado de Seca (IIS) observado em agosto de 2026 nas escalas de 3 meses (IIS3, a) e 6 meses (IIS6, b), e previsão para o mês de setembro de 2026 na escala de 3 meses (II3, c).
A descrição da estimativa do IIS e a avaliação dos impactos de secas a nível nacional e também na agricultura familiar, de julho, podem ser consultados, respectivamente:
Boletim de Monitoramento de Secas e Impactos no Brasil
RiSAF - Boletim de Risco de Seca na Agricultura Familiar
Convidamos você a contribuir com informações sobre os impactos das secas em sua região através do Formulário para Registro e Avaliação de Impactos das Secas.
Impactos da Seca nos Recursos Hídricos
A caracterização e previsão das secas hidrológicas nas principais bacias hidrográficas afluentes às principais usinas hidrelétricas (UHEs) do país, bem como das bacias associadas ao abastecimento de água e navegabilidade é baseada no Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI, Figura 4). O TSI-6 indica condições de seca hidrológica heterogêneas no país. No Sudeste, predominam secas entre fraca e moderada, com piora no Sistema Cantareira (normalidade no mês de julho para condição de seca fraca em agosto), enquanto bacias do Paraná apresentaram melhora em alguns trechos. No Sul, as condições hidrológicas melhoraram e permaneceram próximas da normalidade, associadas às chuvas e à elevação das vazões. No Centro-Oeste, persistem condições críticas nos rios Tocantins, Araguaia e Paraguai, com seca severa a extrema. Na Região Norte, predomina normalidade, com seca moderada nos rios Negro e Xingu, enquanto o Nordeste mantém condições próximas da normalidade nas bacias monitoradas. Para setembro, prevê-se estabilidade das condições de seca, com leve melhora no Paranapanema, mas intensificação no rio Negro e persistência de seca extrema na bacia do rio Paraguai.

- Figura 4 - Índice Bivariado de Seca Chuva–Vazão - TSI, nas escalas temporais de 6 e 12 meses. À esquerda, agosto de 2026 (condição observada); à direita, setembro de 2026 (condição prevista). As delimitações coloridas representam as principais bacias monitoradas no país com suas respectivas classes de seca (variando de excepcional a seca fraca) e a condição dentro da normalidade. Fonte dos dados observados entre jan/1981 e ago/2026: Precipitação (CHIRPS); e Vazão (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico - ANA/Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS). Fonte da previsão de precipitação: Climate Forecast System – CFS e CEMADEN.
O Sistema Cantareira, sob seca hidrológica parcialmente normal, encerrou agosto com 33% de volume útil, na faixa de operação “Alerta” (entre 30%-40%). O volume atual é 4% inferior ao registrado no final de julho de 2026 (37%), e permanece abaixo do observado no mesmo período de 2025 (35%, faixa “Alerta”). Apesar da recuperação parcial, principalmente entre fevereiro e março, o armazenamento atual permanece mais crítico que no período pré-crise, de agosto de 2013 (47%, faixa “Atenção”, Figura 5). Além disso, ressalta-se que, entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, foi registrada a condição mais crítica de armazenamento dos reservatórios que compõem o Sistema Cantareira desde a crise hídrica de 2014/2015, com valor mínimo de 19% registrado no dia 14 de janeiro de 2026.
No mês de agosto, a precipitação acumulada foi de 97% da média histórica, enquanto a vazão afluente atingiu 67% da média para o período. Embora a precipitação tenha ficado muito próximo da média histórica, o volume absoluto de chuva permaneceu baixo, por ocorrer durante o período de estiagem, o que não contribuiu para uma elevação significativa da vazão.

- Figura 5 - Evolução mensal do nível de armazenamento (%) do Sistema Cantareira entre final de agosto de 2010 a 2026. Área em azul corresponde ao volume útil do reservatório (982 hm³), em marrom claro à primeira cota do volume morto (182,5 hm³) e em marrom escuro à segunda cota do volume morto (105 hm³). Fonte dos dados: SABESP.
As projeções do modelo hidrológico Probability Distributed Model (PDM)/Cemaden indicam que, sob cenários de precipitação entre -25 e +25% da média histórica, as vazões afluentes ao Sistema Cantareira deverão variar entre 99% e 176% da média histórica, com armazenamento projetado entre 36% e 50% ao final de novembro, correspondente às faixas de operação “Alerta” e “Atenção”, respectivamente a (Figura 6).

- Figura 6 - Histórico do armazenamento no Sistema Cantareira, de dezembro de 2025 a agosto de 2026 (linha roxa contínua), e projeções para o período de setembro, outubro e novembro de 2026 (linhas pontilhadas). A linha magenta representa as vazões médias observadas entre dezembro de 2025 a agosto de 2026. As faixas coloridas correspondem aos limites operacionais definidos na Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925. As projeções consideram aportes de 8,5 m³/s oriundos da interligação do Sistema Paraíba do Sul com o Sistema Cantareira, conforme a Resolução Conjunta ANA nº 1.931/17 e Nota Técnica Conjunta SR/SH (Processo SEI nº 137.00005609/2026-77).
A análise detalhada das condições hidrológicas observadas em julho e das projeções para o Sistema Cantareira entre agosto e outubro de 2026 podem ser consultada no Relatório Cantareira.
Risco do Fogo: previsão sazonal
A previsão de probabilidade de ocorrência de fogo para o trimestre ASO de 2026 indica 209 municípios em nível de Alerta alto, 552 em Alerta e 1.976 em Atenção (Figura 7). Os dois níveis mais críticos, Alerta e Alerta alto, abrangem aproximadamente 4,9 milhões de km², com maior concentração espacial no Centro-Oeste e na porção sul da Amazônia. O cenário evidencia a manutenção de condições críticas durante o período mais ativo da temporada de fogo, com ampla extensão territorial sob níveis elevados de risco.

- Figura 7 – Previsão de risco de fogo para os municípios brasileiros no trimestre setembro-outubro-novembro de 2026, considerando a previsão climática sazonal do CPTEC/INPE-INMET-FUNCEME
Para obter informações mais detalhadas, consulte o Boletim de Impactos e, a apresentação da Reunião de Impactos disponíveis para download nos links abaixo:
Realize o download do Boletim de Impactos.
Realize o download da Apresentação da Reunião de Impactos.
Você também pode assistir a gravação da Reunião de Impactos: Assista à gravação da Reunião de Impactos.
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Notas Importantes
1. Os relatórios com informações mais detalhadas sobre a situação atual das principais reservas hídricas e condições de seca em todo o País, bem como as projeções hidrológicas e possíveis cenários de impactos da seca, encontram-se disponíveis e atualizados no Website do Cemaden ( hhttps://www.gov.br/cemaden/pt-br ).
2. As informações/produtos apresentados não podem ser usados para fins comerciais, copiados integral ou parcialmente para a reprodução em meios de divulgação, sem a expressa autorização do Cemaden/MCTI e dos demais órgãos com os quais o Cemaden mantém parcerias. Os usuários deverão sempre mencionar a fonte das informações/dados da instituição como sendo do Cemaden/MCTI. Ressaltamos que a geração e a divulgação das informações/produtos consideram critérios de qualidade e consistência dos dados.
3. Registramos, ainda, que os dados da rede de monitoramento de desastres naturais disponibilizados via Mapa Interativo no website do Cemaden não passaram por nenhum tratamento, portanto poderá haver inconsistências nesses dados.
Equipe Responsável
Diretora: Regina Célia dos Santos Alvalá
Coordenador Responsável: José A. Marengo
Revisor Científico desta Edição: José A. Marengo
Pesquisadores Colaboradores: Adriana Cuartas, Ana Paula Cunha, Elisângela Broedel, Fabiani Bender, Larissa Antunes, Lidiane Costa, Márcia Guedes, Marcelo Seluchi, Marcelo Zeri, Patrícia Silva, Rogério Carneiro, Viviana Muñoz, Wanderson Santos.