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MONITORAMENTO DE SECAS E IMPACTOS NO BRASIL – AGOSTO/2026
Boletim de Monitoramento da Seca
A. ÍNDICE INTEGRADO DE SECA (IIS3 por pixel e por município): AGOSTO/2026
B. MONITORAMENTO DA SECA EM ÁREAS INDÍGENAS: AGOSTO/2026
Em relação aos assentamentos rurais, observou-se uma desintensificação das condições de seca em agosto. O número de assentamentos classificados em condição de seca extrema passou de 44 em julho para 32 em agosto, uma redução de 12 assentamentos. Da mesma forma, os assentamentos sob seca severa reduziram de 309 em julho para 216 em agosto. Além disso, foi registrado um assentamento com condição de seca excepcional, no município de Monte Alegre/PA. As condições mais críticas, representadas pelas classes de seca severa e extrema, concentraram-se principalmente nos estados de Sergipe, Bahia e Alagoas, enquanto a seca moderada apresentou maior abrangência territorial, com destaque para Bahia, Pará, Pernambuco, Tocantins, Goiás e Mato Grosso, evidenciando a expansão das condições de déficit hídrico principalmente sobre assentamentos do Nordeste, além da persistência em áreas das regiões Norte e Centro-Oeste.
D. MONITORAMENTO DA SECA EM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO: AGOSTO/2026
Em relação às Unidades de Conservação, observou-se um ligeiro das condições de seca severa entre julho e agosto de 2026, o número de registros classificados nessa condição passou de 14 para 15 no período. Em relação à seca moderada, houve aumento de 44 para 68 registros em agosto. As condições de seca severa permaneceram concentradas principalmente nos estados do Amazonas e Roraima.
E. MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA EM ÁREAS AGROPRODUTIVAS: AGOSTO/2026
Com relação aos possíveis impactos da seca em áreas destinadas às atividades agrícolas e/ou pastagens, o Índice Integrado de Secas indica que 208 municípios apresentaram pelo menos 40% de suas áreas agropecuárias potencialmente impactadas no mês de agosto de 2026.
Desse total, 122 municípios apresentaram mais de 80% da área agropecuária potencialmente afetada, com destaque para os estados da Bahia (57 municípios), Sergipe (29) e Alagoas (25). Na faixa entre 60% e 80%, foram registrados 42 municípios, distribuídos principalmente entre Bahia (17), Alagoas (9), Sergipe (8) e Amazonas (6). Por fim, 44 municípios apresentaram entre 40% e 60% da área agropecuária potencialmente afetada, concentrando-se principalmente na Bahia (21), Sergipe (11) e Alagoas (5).
F. MONITORAMENTO DOS IMPACTOS DA SECA: RECURSOS HÍDRICOS
De acordo com o Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI), em agosto predominou a estabilidade ou uma leve melhora das condições de seca nas principais bacias hidrográficas de interesse para a geração hidrelétrica. No Sudeste, a bacia do rio Paraná manteve-se em condição de seca severa nas sub-bacias afluentes às UHEs Porto Primavera e Itaipu. Houve piora nas sub-bacias do rio Grande, onde houve evolução de condição de normalidade para seca fraca. Na sub-bacia do rio Paranaíba, manteve-se também a condição de normalidade. Nas sub-bacias do rio Paranapanema, observou-se melhora para as para UHEs Jurumirim, que passou de condição de seca extrema para seca moderada, e Rosana e Capivara, que passaram de condição de seca fraca para condição de normalidade. O Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, encerrou agosto em condição de seca fraca. Essa classificação não decorre de uma piora efetiva das condições hidrológicas, mas do deslocamento da janela temporal utilizada no cálculo do índice, à medida que meses mais secos deixam o período de acumulação considerado. No Centro-Oeste, na bacia do rio Paraguai, registrou leve intensificação da seca na bacia de contribuição à estação de Ladário, cuja classificação passou de severa para extrema. A jusante, na bacia de contribuição à estação de Porto Murtinho, a condição permaneceu estável, classificada como seca extrema. Na Região Norte, a bacia do rio Negro intensificou, em agosto, a condição de seca fraca observada em julhopara seca moderada. A bacia do rio Xingu não apresentou alteração, permanecendo em condição de seca moderada. Na bacia dos rios Tocantins-Araguaia, afluente à UHE Tucuruí, a seca manteve-se em condição severa. Na Região Sul, observou-se melhora significativa da condição hidrológica em decorrência das chuvas registradas, com permanência da categoria de normalidade. As previsões do TSI indicam que, em setembro de 2026, as condições de seca deverão permanecer majoritariamente estáveis, com ligeira atenuação para as bacias do rio Paraguai, Tocantins e Paraíba do Sul. Em contrapartida, prevê-se intensificação da seca na bacia do rio Negro, no Norte, com mudança da categoria moderada para severa. Na bacia do rio Paraguai, a jusante, na bacia de contribuição à estação de Porto Murtinho, no Centro-Oeste, deverá permanecer a condição crítica, com persistência da seca extrema.
G. PREVISÃO SAZONAL E SUBSAZONAL PARA O BRASIL
No início de setembro de 2026, o Oceano Pacífico Equatorial apresenta um estado de El Niño. A região com maiores anomalias de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) é a região do Niño 1+2, no Pacífico Leste, mais próxima à costa do Peru e do Equador, onde as anomalias estão em +3,9°C, na média da semana mais recente. A previsão do Climate Prediction Center (CPC-NOAA) indica que este episódio irá se estender até o trimestre março-abril-maio de 2027 (MAM/2027). O período de máxima temperatura deve ocorrer entre novembro/2026 e janeiro/2027. Embora haja uma incerteza em relação à máxima anomalia de TSM prevista, todos os modelos preveem que este episódio deva se enquadrar na categoria de um El Niño muito forte, ou seja, anomalias superiores a +2,0°C, em uma média trimestral. A previsão sazonal multimodelo nacional, resultado da cooperação entre CPTEC/INPE, INMET e FUNCEME, indica, para o trimestre setembro-outubro-novembro de 2026 (SON/2026), chances de chuva abaixo da média em praticamente todo o território nacional, à exceção da região Sul, do estado de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Mato Grosso do Sul. As temperaturas estão previstas acima da média em todo o Brasil. As previsões subsazonais do Centro Europeu (ECMWF) indicam chances de chuvas abaixo da média nas regiões Norte e Nordeste até o final de setembro.
REGISTRO DE IMPACTOS : Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município? Sua informação é bem-vinda, mesmo ocorrências de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .
Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br




