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Você está aqui: Página Inicial Assuntos Boletins e Relatórios Monitoramento e Avaliação de Impactos da Seca RiSAF - Risco da Seca na Agricultura Familiar RiSAF - RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR AGO/26
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RiSAF - RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR AGO/26

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Publicado em 02/09/2026 16h36
Capa site risaf.png

SEVERIDADE DA SECA PARA AGRICULTURA

De acordo com o calendário de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) para as culturas de feijão e milho, seis estados encontram-se com calendário de plantio vigente (Figura 1).

As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, no entanto, não necessariamente um impacto na produção. Por outro lado, secas variando nas classes de moderada a excepcional podem sinalizar algum impacto, dependendo do período em que ocorre o déficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e, caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar redução significativa na safra.

Assim, referente ao mês de agosto de 2026, a região Sudeste apresentou 1 município com condição de seca severa e 62 municípios com condição de seca moderada, todos no estado de Minas Gerais. Ressalta-se que o estado é o único da região com calendário vigente para plantio de feijão e/ou milho no mês de agosto.

Em relação à região Sul, para o mês de agosto, 4 municípios apresentaram condição de seca moderada, todos eles no estado do Rio Grande do Sul. 

Na região Centro-Oeste, para o mês de agosto, apenas o estado de Mato Grosso do Sul estava com calendário de plantio vigente. Dessa forma, 15 municípios apresentaram condição de seca moderada, todos localizados nesse estado.

Na região Norte, por sua vez, 14 municípios apresentaram condição de seca severa, 17 municípios apresentaram condição de seca moderada e, todos eles no estado do Amazonas. O Amazonas é o único estado da região com calendário de plantio vigente para o mês.

A região Nordeste, para o mês de agosto, não possui calendário de plantio vigente, segundo a CONAB.

Comparando com agosto de 2025, chama atenção principalmente a mudança na região Norte, que passou de 9 municípios em seca moderada para 31 municípios em 2026, dos quais 14 em condição severa. No Sudeste, por outro lado, houve uma redução expressiva no número de municípios afetados, de 352 em 2025 para 63 em 2026.

Sev_Agosto_26.png
Figura 1 - Severidade da Seca (IIS1) Referente ao mês de agosto considerando apenas os estados com calendário vigente

O monitoramento da severidade da seca no contexto da agricultura familiar é realizado por meio do Índice Integrado de Seca (IIS), tal índice combina informações sobre o déficit de precipitação na escala de um mês (SPI1), umidade do solo (anomalia da umidade do solo considerando um metro de profundidade) e o índice de saúde da vegetação (VHI), que combina dados de temperatura e condição do vigor vegetativo. A partir do IIS é possível inferir áreas com maior potencial de impactos em razão da seca. As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção, por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período do deficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.


RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR

O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.

As Figuras 2, 3 e 4 evidenciam, respectivamente, o risco de seca para o plantio realizado nos meses de agosto/26, julho/26 e junho/26. Para o plantio realizado no mês de agosto (Figura 2), 1 município apresentou risco muito alto, localizado na região Norte. Além disso, 38 municípios apresentaram risco alto em relação à seca, distribuídos entre as regiões Sudeste (24), Norte (13) e Centro-Oeste (1). Outros 29 municípios apresentaram risco moderado, sendo 15 na região Norte e 14 na região Sudeste. 

Considerando o plantio em julho (Figura 3), 6 municípios apresentaram risco muito alto em relação à seca, todos na região Nordeste. 159 municípios apresentaram risco alto em relação à seca, distribuídos entre as regiões Nordeste (124), Norte (30) e Centro-Oeste (5). Além disso, outros 114 municípios apresentaram risco moderado, distribuídos nas regiões Nordeste (63), Norte (41), Centro-Oeste (7) e Sudeste (3). 

Para os municípios que iniciaram o plantio no mês de junho (Figura 4) e, portanto, encerraram o seu ciclo no mês de agosto, ao todo, 9 municípios apresentaram risco muito alto em relação à seca, todos na região Nordeste, distribuídos entre os estados de Alagoas (5), Bahia (3) e Pernambuco (1). Outros 316 municípios apresentaram risco alto em relação à seca, distribuídos nas regiões Nordeste (226), Norte (45), Sudeste (34) e Centro-Oeste (11). Outros 228 municípios apresentaram risco moderado, sendo 138 na região Nordeste, 54 na região Norte, 23 na região Centro-Oeste e 13 na região Sudeste.

Em comparação com o mesmo período de 2025, observa-se uma mudança na distribuição e na intensidade do risco de seca em 2026. Para os plantios realizados em agosto, houve redução no número de municípios classificados com risco alto, de 80 em 2025 para 38 em 2026, e com risco moderado, de 72 para 29, embora em 2026 tenha sido registrado 1 município com risco muito alto. Para o plantio de julho, por outro lado, verificou-se aumento expressivo dos municípios com risco alto, passando de 42 em 2025 para 159 em 2026, enquanto aqueles com risco moderado aumentaram de 95 para 114, além da ocorrência de 6 municípios com risco muito alto em 2026. Para os plantios iniciados em junho, o número de municípios com risco alto aumentou de 234 para 316, enquanto os classificados com risco moderado diminuíram de 265 para 228. O risco muito alto apresentou pequena elevação, passando de 8 municípios em 2025 para 9 em 2026. De modo geral, os resultados indicam maior intensidade do risco de seca em 2026, sobretudo para os municípios com plantio iniciado nos meses de junho e julho.

Risco_Agosto_26.png
Figura 2 – Risco da Seca na Agricultura Familiar. Plantio: Ago/26
Risco_Julho_26.png
Figura 3 – Risco da Seca na Agricultura Familiar. Plantio: Jul/26
Risco_Junho_26.png
Figura 4 – Risco da Seca na Agricultura Familiar. Plantio: Jun/26.

O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.


IMPACTO DA SECA NA AGRICULTURA

O impacto da seca na agricultura considera o boletim da CONAB e traz os destaques para o plantio de grãos no geral, possibilitando a comparação entre a estimativa inicial da safra e a estimativa do mês corrente, além de apresentar o panorama geral e as principais commodities.

Na primeira estimativa para a safra de grãos 2025/26, previa-se uma produção total de 322,5 milhões de toneladas. A décima primeira estimativa da safra, realizada no final de julho de 2026, indica que a produção brasileira de grãos está estimada em 360,8 milhões de toneladas. Comparativamente à primeira estimativa, observa-se um acréscimo de 11,88%, ou aproximadamente 38,3 milhões de toneladas.

A Tabela 1 indica os estados, as culturas impactadas e a variação da produção estadual apresentada na décima primeira estimativa da safra 2025/26 em comparação com a primeira estimativa. Além da seca, outros fatores, como a diminuição ou o aumento da área semeada, a migração para culturas mais rentáveis e a infestação de pragas, podem influenciar a variação na produção.

Tabela.png
Tabela 1 - Culturas impactadas pela seca nos estados e variação total da produção divulgada em julho de 2026 comparado a primeira estimativa de outubro de 2025. As culturas consideram a produção total (Fonte: CONAB).

 Atualmente, conforme a Conab os impactos na produção agrícola em alguns estados se destacam:

Paraíba: Feijão cores 2ª safra: A escassez hídrica levou ao desenvolvimento irregular das lavouras em algumas áreas, com redução do potencial produtivo.

Paraíba: Feijão-caupi 2ª safra: A escassez hídrica levou ao desenvolvimento irregular das lavouras em algumas áreas, reduzindo o potencial produtivo.

Paraíba: Milho 2ª safra: A má distribuição das chuvas a partir de meados de maio comprometeu o desenvolvimento da cultura em diferentes estádios, resultando em elevada proporção de lavouras em condições regulares ou ruins.

Paraná: Feijão cores 2ª safra: As condições climáticas tornaram-se desfavoráveis às lavouras, especialmente àquelas de ciclo mais tardio, devido à estiagem e às temperaturas elevadas registradas em março e abril, além da ocorrência de geadas no início de maio, que atingiram lavouras em fases sensíveis, principalmente durante o enchimento de grãos, contribuindo para perdas localizadas.

Paraná: Feijão preto 2ª safra: A estiagem e as temperaturas elevadas registradas em março e abril, associadas à ocorrência de geadas no início de maio, afetaram lavouras em fases sensíveis, principalmente durante o enchimento de grãos, contribuindo para perdas localizadas.

Rio Grande do Sul: Feijão preto 2ª safra: A irregularidade das chuvas durante a semeadura e a insuficiência hídrica no desenvolvimento vegetativo comprometeram o porte e o vigor das plantas. Apesar da maior regularidade das chuvas no período crítico da cultura, as perdas no potencial produtivo já estavam consolidadas.

Bahia: Feijão-caupi 2ª safra: A redução e a distribuição irregular das chuvas provocaram estresse hídrico, especialmente nas lavouras de plantio tardio durante fases reprodutivas críticas, como floração e enchimento de grãos, reduzindo o potencial produtivo da cultura.

Bahia: Feijão cores 3ª safra: O menor volume e a distribuição temporal e espacial irregular das chuvas reduziram a disponibilidade hídrica no solo e prejudicaram o desenvolvimento das lavouras, com impactos sobre o potencial produtivo.

Bahia: Feijão-caupi 3ª safra: As chuvas pontuais e de baixo volume foram insuficientes para a recuperação das lavouras, resultando em expressiva redução da produtividade estimada.

Bahia: Milho 2ª safra: A redução da disponibilidade hídrica após meados de abril limitou o potencial produtivo das lavouras.

Piauí: Feijão-caupi 2ª safra: A escassez de chuvas durante fases críticas do ciclo, especialmente na floração e no enchimento de grãos, reduziu o potencial produtivo, principalmente das lavouras de plantio mais tardio.

Piauí: Milho 2ª safra: A irregularidade pluviométrica promoveu déficit hídrico e comprometeu a produtividade, que se manteve inferior à registrada na safra anterior.

Alagoas: Feijão cores 3ª safra: A menor disponibilidade hídrica no solo prejudicou o desenvolvimento fenológico das lavouras, resultando em menor vigor vegetativo e abortamento de flores e vagens, especialmente no Sertão, com consequente redução do potencial produtivo e da produtividade média estimada.

Alagoas: Feijão-caupi 3ª safra: A menor disponibilidade hídrica no solo prejudicou o desenvolvimento das lavouras, resultando em menor vigor vegetativo e abortamento de flores e vagens, especialmente no Sertão, e reduzindo o potencial produtivo.

Alagoas: Milho 3ª safra: A irregularidade e os baixos volumes de chuva, especialmente no Agreste e na Bacia Leiteira, prejudicaram o desenvolvimento da cultura. As precipitações registradas em julho foram insuficientes ou tardias para a recuperação das lavouras, resultando em redução da produtividade estimada.

Pernambuco: Feijão cores 3ª safra: A irregularidade das chuvas no Agreste, principal região produtora, associada a períodos de escassez hídrica, comprometeu o desenvolvimento de algumas lavouras e pode resultar em redução do potencial produtivo.

Maranhão: Milho 2ª safra: A ausência de chuvas em maio comprometeu o desenvolvimento das lavouras, resultando em quebra de produtividade e rendimento inferior ao da safra anterior.

Tocantins: Milho 2ª safra: A redução das precipitações a partir de meados de abril afetou o potencial produtivo das lavouras que se encontravam em estádios críticos de demanda hídrica.

Roraima: Milho 2ª safra: A redução das precipitações em junho e julho afetou o potencial produtivo da cultura em alguns municípios e áreas de cultivo, embora os efeitos da irregularidade climática ainda estejam sendo mensurados.

 

DOWNLOAD DO BOLETIM (CLIQUE AQUI)

DOWNLOAD DOS DADOS (CLIQUE AQUI)

REGISTRO DE IMPACTOS : Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município? Sua informação é bem-vinda, mesmo ocorrências de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .

Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br

Como citar:
CEMADEN - CENTRO NACIONAL DE MONITORAMENTO E ALERTAS DE DESASTRES NATURAIS. RiSAF - Risco da Seca na Agricultura Familiar, SP, v. 6, n.71, AGOSTO, 2026. ISSN: 2965-2014

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