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8 de Janeiro
Presidente Lula: “Dia 8 de janeiro está marcado pela história como o dia da vitória da nossa democracia”
“A tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2003 veio nos lembrar que a democracia não é uma conquista inabalável. Ela será sempre uma obra em construção sujeita ao permanente assédio de velhos e novos candidatos a ditadores. Por isso, a democracia precisa ser zelada com carinho e defendida com unhas e dentes dia após dia.” A afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu o tom da cerimônia relativa aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro no Palácio do Planalto que reuniu milhares de pessoas, nesta quinta-feira, em Brasília. Durante o ato, o presidente vetou o projeto de lei que reduz as penas dos condenados nos atos golpistas.
O presidente Lula ainda destacou que é preciso conscientizar as pessoas de que “a democracia é muito mais do que uma palavra bonita nos dicionários, é mais do que o dever e o direito de votar no dia da eleição e depois guardar o título de eleitor pelos próximos 4 anos. A democracia requer a participação efetiva da sociedade nas decisões de governo. Ela é também o direito de dizer não”.
Ele finalizou ressaltando que os inimigos da democracia tentaram demoli-la no dia 8 de janeiro. “Não faz muito tempo, as principais lideranças do golpe defendiam a ditadura. Eram favoráveis à tortura e zombavam dos que foram torturados. Chamavam os direitos humanos de esterco da bandidagem, mas foi graças à firmeza das nossas instituições democráticas que tiveram a garantia de um julgamento justo e todos os seus direitos preservados”.
Para o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, fatos históricos não são apagados. “A história não se apaga. Existem aqueles que tentam reinterpretar a história de acordo com seus interesses políticos, de acordo com as suas conveniências de plantão. Qualquer pessoa que olhe o que aconteceu no 8 de janeiro aqui em qualquer outra parte do mundo, com o mínimo de isenção, não acha isso aceitável. Isso não é aceitável sob qualquer ponto de vista” afirmou Boulos.
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowksi, lembrou que os ataques às democracias, atualmente, nem sempre acontecem com soldados e tanques nas ruas, e sim com informações falsas e discursos polarizadores que desconstroem a legitimidade dos opositores.
“No Brasil, recentemente, houve uma tentativa de ruptura institucional nos mesmos moldes. Aqui o processo foi até mais sutil, porém não menos truculento. Envolveu o ataque à vacina contra Covid-19, a desmoralização do Sistema Único de Saúde, o SUS, a desconstrução da credibilidade das urnas eletrônicas e a da própria justiça eleitoral. Simultaneamente, presenciamos o crescimento de discursos nacionalistas exacerbados e anacrônicos que lograram criar um clima de nós contra eles, do verde amarelo contra o vermelho” lembrou Lewandowski.
Já o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, recordou o ex-governador de São Paulo Mário Covas, que dizia: "Os homens e as mulheres públicas podem ser um pouco mais à direita, um pouco mais à esquerda, um pouco mais altos, um pouco mais baixos, um pouco mais fortes, mais fracos. O que diferencia é quem têm apreço pela democracia e quem não têm apreço pela democracia. Esse é o grande diferencial”.
Por fim, ele fez questão de cumprimentar o presidente pela postura firme frente às questões da tentativa de golpe no país e finalizou dizendo que “justiça não se divide, justiça não se fraciona. Aqueles que romperam, cometeram crime, devem sofrer o rigor da justiça e o peso da história”.
Ao final da cerimônia, o presidente assinou o veto integral ao projeto de lei que reduzia as penas dos condenados pela tentativa de golpe e, acompanhado da primeira-dama, Janja da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e sua esposa, Lu Alckmin, e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, desceu a rampa do Planalto para cumprimentar as pessoas que estavam na frente do Palácio.