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SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
Consea participa de debate sobre o legado da alimentação saudável na COP30
O Brasil fez história ao oferecer comida de verdade durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, COP30, realizada em Belém, em 2025. A experiência foi tema do evento Da terra à diplomacia – Como a comida virou ação climática na COP30, realizado no dia 22 de janeiro, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, e contou com a participação de integrantes do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).
O encontro integra a iniciativa Na Mesa da COP30, responsável pela inclusão de alimentos agroecológicos e da agricultura familiar na conferência e foi promovido pelo Instituto Regenera, em parceria com o Instituto Comida do Amanhã e apoio da Coordenação-Geral de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério das Relações Exteriores (MRE). O evento reuniu representantes da sociedade civil, da iniciativa privada, do governo brasileiro e da Organização das Nações Unidas (ONU).
Anderson Amaro, conselheiro do Consea, destacou a atuação do Conselho para que a COP30 oferecesse um cardápio nutritivo, baseado em alimentos da agricultura familiar e não restrito a produtos industrializados. Apesar dos desafios, a iniciativa foi exitosa.
Ele relembrou que o Consea elaborou a Recomendação nº 19/2024, orientando a organização do evento a viabilizar uma alimentação que valorizasse a sociobiodiversidade e a diversidade alimentar brasileira. “O Brasil deixa de fato um legado importante quando trata a comida de verdade dentro do centro do debate do clima. É um legado que fica e queremos que se estenda para outros eventos e não apenas na COP30”, afirmou.
Saulo Ceolin, chefe da Coordenação-Geral de Segurança Alimentar e Nutricional do MRE, ressaltou que comida é política e diplomacia e segundo ele, a iniciativa brasileira contribuiu para demonstrar que não há justiça climática sem justiça alimentar.
Saulo enfatizou a relevância da incidência do Consea, com apoio da sociedade civil, para garantir que o público da conferência tivesse acesso a opções de alimentação menos industrializadas. “Foi fundamental a atuação do Consea que mostrou ao governo brasileiro, incluindo nós aqui do MRE e outros órgãos, que seria sim importante que nessa grande vitrine internacional que foi COP30, que a alimentação de delegados fosse livre de ultraprocessados e baseada nas diretrizes do guia alimentar da população brasileira”, afirmou.
Durante o evento, Saulo anunciou que está em fase de finalização um guia construído com o objetivo de sistematizar as experiências da COP30 relacionadas à alimentação e orientar outros organizadores na adoção de cardápios regionalizados. Ele falou sobre a expectativa para o lançamento do documento. “Esperamos que esse registro de aprendizados, desafios e dicas práticas se torne uma referência para outros atores nacionais e internacionais”.
Paulo Petersen, enviado especial para Agricultura Familiar à COP30, enfatizou a agricultura familiar como elemento central para a transformação dos sistemas alimentares, destacando a necessidade de investimentos, reconhecimento de suas especificidades e fortalecimento da economia solidária. Segundo ele, a experiência da COP30 deixou um legado replicável e concluiu: “Não existe transformação dos sistemas alimentares sem agroecologia e economia solidária”.
Também participaram do evento Lilian Rahal, secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS); Camila Ceylão e Elaine Pasquim, da Secretaria-Executiva do Consea Nacional; e Ana Toni, diretora-executiva da COP30