Relatório SOFI 2026 - O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo
O relatório: O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI 2026), lançado no dia 21 de julho, em Roma, pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), aponta que a fome no mundo segue em trajetória de redução pelo terceiro período consecutivo.
De acordo com os dados, o Brasil manteve a trajetória de melhoria e permaneceu fora do Mapa da Fome. O percentual da população em situação de insegurança alimentar severa foi de 0,6%, o menor patamar registrado na série histórica. Em comparação com os períodos anteriores, esse percentual era de 6,6% no triênio 2021-2023 e foi reduzido para 3,4% no triênio 2022-2024, o que demonstra a redução contínua da insegurança alimentar severa no país.
Com relação ao índice de insegurança alimentar moderada ou grave, no triênio 2023-2025, o percentual da população brasileira nessa condição foi reduzido para 9,6% - o maior percentual da série registrado, segundo informações do relatório SOFI, foi durante o triênio 2020-2022, quando 22,1% da população vivia em situação de insegurança alimentar moderada ou grave, ou seja, sem acesso regular a uma alimentação adequada e saudável.
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A nível global também foram registrados progressos. A proporção da população mundial em situação de fome está atualmente em 7,8% em 2025. Esse índice esteve em 8,1 em 2024 e 8,6% em 2022. A Ásia e a América Latina e o Caribe mantêm uma trajetória consistente de recuperação.
Embora os indicadores apontem uma recuperação gradual, o SOFI 2026 destaca que esse cenário ainda não está consolidado e ainda continua em risco. O conflito no Oriente Médio, a intensificação dos eventos climáticos extremos e a redução dos recursos destinados à cooperação internacional e à assistência humanitária são fatores que ameaçam os avanços conquistados nos últimos anos.
Custo elevado da alimentação saudável permanece como obstáculo à melhoria dos indicadores nutricionais
O relatório também chama atenção para o aumento do custo de uma alimentação saudável, impulsionado pela inflação dos alimentos. Em 2025, o custo médio global de uma dieta saudável alcançou US$ 4,28 por pessoa ao dia, acima dos US$ 3,44 registrados em 2021. A América Latina e o Caribe apresentaram o maior custo médio entre as regiões do mundo U$$ 4,91. Com relação ao Brasil o valor foi estimado em U$$ 4,89.
Segundo o documento, o alto custo de uma dieta diversificada reduz o acesso da população a alimentos adequados e saudáveis, especialmente entre os grupos em situação de maior vulnerabilidade. Os dados revelam um cenário preocupante, na África, cerca de dois terços da população (66,6%) não têm condições de adquirir uma alimentação saudável e globalmente cerca de 70% das crianças até 2 anos e 62% das mulheres jovens e adultas estão nessa mesma condição.
A prevalência da obesidade entre crianças e adultos continua em trajetória crescente o que causa impactos no presente e continuará gerando prejuízos futuros não apenas na qualidade de vida, mas também com reflexos na sobrecarga dos sistemas de saúde.
Fortalecimento da produção e da oferta de alimentos saudáveis é apontado prioridade
Em resposta para enfrentar esse cenário, a publicação cita uma das principais pautas defendidas pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea): a ampliação de investimentos em sistemas alimentares sustentáveis e resilientes, fortalecendo a produção e a oferta de alimentos saudáveis, especialmente frutas, hortaliças e leguminosas. Também defende investimentos em pesquisa, infraestrutura, irrigação, armazenamento, redução de perdas e desperdícios de alimentos e políticas públicas que contribuam para tornar a alimentação saudável acessível à população, sem comprometer a sustentabilidade ambiental e os meios de vida das comunidades rurais.
O documento também recomenda reformas em políticas comerciais, tributárias e regulatórias que favoreçam a produção de alimentos saudáveis, redução dos custos ao consumidor, sem transferir impactos ambientais, sociais ou econômicos para outras etapas dos sistemas alimentares.
Prejuízos causados pela ausência de uma alimentação adequada vão além da saúde
O SOFI 2026 reforça que garantir o acesso à alimentação adequada e saudável é condição essencial para assegurar o Direito Humano à Alimentação Adequada e avançar no enfrentamento de todas as formas de má nutrição.
O relatório destaca que padrões alimentares inadequados estão associados ao aumento das doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e geram elevados custos sociais e econômicos em todo o mundo. Estima-se que dietas inadequadas tenham contribuído para 12,2% de todas as mortes registradas em 2023 e gerem custos econômicos globais de aproximadamente US$ 8,1 trilhões por ano, considerando despesas em saúde e perdas de produtividade.
Ao evidenciar que o combate à fome depende não apenas da disponibilidade de alimentos, mas também do acesso, da qualidade da alimentação e da redução das desigualdades, o SOFI 2026 reforça a importância de políticas públicas articuladas e da cooperação internacional para garantir a segurança alimentar e nutricional e o direito à alimentação para todas as pessoas.