Amazontech: quando ciência, floresta e oportunidade se encontram
Com patrocínio público federal, evento teve a oportunidade de fortalecer negócios sustentáveis, pesquisas científicas e integração regional na Amazônia Legal
Ver soluções surgindo a partir da biodiversidade e do extrativismo sustentável fortaleceu meu propósito de atuar com responsabilidade, buscando soluções que respeitem o território, valorizem os povos locais e gerem oportunidades
MARIA ISABEL GARCIA
Sócia da RoraiFrut
O impacto do Amazontech aparece nos números: mais de 18 mil interações ao longo de palestras, oficinas, dias de campo, seminários, feira de negócios e rodadas comerciais —, mas ganha ainda mais força nas histórias de quem participou.
Uma delas é a da engenheira agrônoma Maria Isabel Garcia, sócia da RoraiFrut, empresa roraimense que trabalha com o beneficiamento de frutos nativos como açaí, buriti, bacaba e patauá. Durante o evento, a empresa faturou mais de R$ 12 mil, mas o retorno foi além do financeiro. “Tivemos a possibilidade de mostrar nosso trabalho, das pessoas não só nos conhecerem verbalmente, mas terem ali o conceito da empresa e provar os nossos produtos”, conta.
Para Maria Isabel, o Amazontech reforçou uma convicção pessoal e profissional: a de que inovação e natureza não competem entre si. “Ver soluções surgindo a partir da biodiversidade e do extrativismo sustentável fortaleceu meu propósito de atuar com responsabilidade, buscando soluções que respeitem o território, valorizem os povos locais e gerem oportunidades”, relata.
Pertencer, trocar, crescer
Esse sentimento de pertencimento também marcou a experiência da geógrafa e empreendedora Maola Monique Faria, fundadora da Lavrado Soluções Ambientais. No Amazontech, ela apresentou o projeto Geotintas Sustentáveis, desenvolvido a partir de pesquisas acadêmicas e voltado à produção de tintas atóxicas com pigmentos extraídos de solos da Amazônia.
No estande, o diálogo com pesquisadores, especialistas e visitantes ajudou a lapidar a iniciativa. “O evento aproximou pesquisa, empreendedorismo, inovação e necessidades reais da Amazônia. É assim que se dá visibilidade a iniciativas que muitas vezes surgem dentro dos laboratórios, nas universidades e nos pequenos negócios, mas que precisam de pontes para se tornarem soluções acessíveis ao mercado”, avalia Maola.
Os efeitos já começaram a aparecer: novos contatos, aproximação com investidores e convites para parcerias que ampliam o horizonte do projeto e reforçam seu potencial de crescimento.
Compromissos que ficam
Além das trocas e dos negócios, o Amazontech foi palco para o fortalecimento de compromissos estratégicos. Durante o evento, o Governo do Brasil avançou em iniciativas voltadas ao turismo responsável, à integridade empresarial e às boas práticas no ambiente de negócios.
Entre elas, a participação de Roraima no Plano Brasis — novo plano internacional de marketing do país, coordenado pela Embratur em parceria com o Sebrae e o governo estadual — e a adesão do Sebrae Roraima ao Pacto pela Integridade Empresarial, junto à Controladoria-Geral da União (CGU), reforçando o compromisso com ética, transparência e integridade.
Ao patrocinar iniciativas como o Amazontech 2025, o Governo do Brasil reafirma uma estratégia clara: promover o desenvolvimento regional com base em ciência, tecnologia e inovação, diretrizes centrais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Em Roraima, essa visão ganhou forma concreta, conectando ciência, mercado e sociedade e abrindo caminhos para um futuro mais sustentável, inclusivo e próspero para toda a Amazônia Legal.