"A Caixa representa o que muitas outras instituições poderiam fazer para o esporte brasileiro. Nós seríamos bem maiores (como país) se tivessem outras instituições que pensassem como a Caixa pensa. Porque a Caixa hoje patrocina praticamente todo o esporte brasileiro, todas as modalidades. Com a gente, já tem muitos anos essa parceria e ela tem feito grandes diferenças no nosso clube. Com o apoio da Caixa a gente tem podido levar os meninos para as competições, pagar hospedagem, oferecer alimentação, oferecer uniforme. Essas coisas fazem com que os atletas, quando vão se destacando, ainda fiquem em Brasília".
O relato, da ex-atleta e treinadora de atletismo Gianetti Oliveira Sena Bonfim, vem de uma pessoa cuja trajetória pessoal e familiar se confundem com o atletismo em geral e com a marcha atlética, em particular. Como marchadora, Gianetti, hoje com 60 anos, foi recordista brasileira, campeã ibero-americana e sul-americana, acumulou oito títulos em Campeonatos Brasileiros e disputou quatro Copas do Mundo. Hoje, Gianetti empresta toda a sua experiência ao Centro de Atletismo de Sobradinho (CASO), que atende a cerca de 500 jovens no Distrito Federal.
UMA FAMÍLIA NO ATLETISMO — Como treinadora, atuando ao lado do marido, o também técnico de atletismo João Evangelista Sena Bonfim, os dois viram o filho, Caio Bonfim, expoente brasileiro da marcha atlética, se transformar em um dos ícones do esporte nacional. Principalmente após as conquistas da medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 na prova dos 20 km da marcha atlética, e das medalhas de ouro nos 20 Km e de prata nos 35 Km na mesma modalidade no Campeonato de Atletismo de Tóquio em 2025.
As conquistas do filho no Japão renderam a Gianetti o troféu de Melhor Treinadora do Prêmio Brasil Olímpico 2025, concedido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), premiação que vem a se somar aos Prêmios de Treinadora do Ano do Atletismo do COB, que ela conquistou em 2023 e 2024.
Conquistas do Centro
CASO — A vida da família Bonfim, entretanto, vai além das conquistas nas pistas. Juntos, Gianetti, João e Caio estão ligados a algo talvez maior do que a força das medalhas conquistadas. O Centro de Atletismo de Sobradinho, patrocinado pela Caixa Econômica Federal e pelo Governo do Brasil desde 2013, foi fundado em 24 de fevereiro de 1990. Atualmente, a instituição conta com 348 atletas cadastrados junto à Confederação Brasileira de Atletismo (CBAT).
Com histórico de excelência e amparado pelos patrocínios federais, o CASO já revelou seis atletas olímpicos e conquistou mais de 600 medalhas em competições nacionais e internacionais. O projeto visa promover a inclusão social, a formação esportiva e o desenvolvimento humano de jovens entre 8 e 35 anos, especialmente em situação de vulnerabilidade.
APOIO TRANSFORMADOR — Caio Bonfim ressalta que sem a presença da Caixa e do Governo do Brasil o CASO jamais teria alcançado o impacto que tem hoje na vida de tantas pessoas. "Esse apoio federal é fundamental, ainda mais quando mantemos um trabalho social, que tem a ousadia de tentar fazer dessa garotada atletas de alto rendimento", frisa.
"Temos aqui no CASO toda essa preocupação inicial do menino se alimentar, ter um calçado adequado, uma roupa adequada para praticar atletismo, oportunizando a ele descobrir o seu talento dentro do atletismo. Isso vai transformando a vida dele. Alguns conseguem pegar a Seleção, viajar a outros estados, outros países, e outros viram medalhistas. Mas com outros a gente ocupa aquele tempo mais vulnerável dele, fazendo um esporte onde ele se autoconhece, aprende a vencer, aprende a perder. Mas tem que ter apoio, né? Não dá para fazer isso sozinho. Quando uma instituição acredita nesse poder de transformação através do esporte, que é o que a gente faz, isso torna tudo mais fácil", continua o campeão.
IMPACTO — Aos 17 anos, Iasmim de Jesus Silva é uma das atletas cuja vida foi impactada pelo CASO. Marchadora e moradora de Sobradinho, ela treina no projeto há três anos. Iasmim não precisou de muitas palavras ao ser indagada sobre o que o Centro de Atletismo de Sobradinho representa para sua vida: "É uma família", diz, sem rodeios e sem precisar de muito tempo para pensar. "Porque o CASO sempre foi muito acolhedor. Me acolheu sempre que precisei, sempre esteve comigo, e me ajudou muito quando eu precisei".
O mesmo se deu quando Iasmim foi questionada sobre o que pensava ao ouvir a palavra "Esporte". "Pra mim é vida. Porque se eu não estivesse no esporte eu acho que eu mesmo não sei o que eu estaria fazendo da vida hoje".
Pódio masculino com medalhistas
Caio Bonfim e mais dois atletas masculinos sorriem no pódio da Copa Brasil de Marcha Atlética 2026. Os atletas seguram suas medalhas e, ao fundo, um painel apresenta as marcas de patrocinadores e entidades esportivas.
OS IRMÃOS RIBEIRO — Ao contrário de Iasmim, o pequeno Emanuel Ribeiro, de 10 anos, e seu irmão, João Pedro Ribeiro, de 13, estão no CASO há apenas alguns meses, desde outubro do ano passado. Apesar disso, o Centro de Atletismo de Sobradinho já ganhou um lugar de destaque na vida dos dois. "Eu gosto muito de correr velocidade, de fazer os 400 metros. Quando eu chego aqui, sinto uma coisa boa, porque eu vou estar me evoluindo e isso é muito bom", conta Emanuel. O irmão vai mais longe. "Só de a gente estar numa equipe muito boa, que tem vários campeões que apoiam a gente, já é incrível. A gente está evoluindo tecnicamente e está evoluindo para nossa vida, porque a gente aprende disciplina e tudo que a gente precisa pra levar para a vida", ressalta João Pedro.
TRABALHANDO TALENTOS — Com o apoio da Caixa e do Governo do Brasil e contando com uma das famílias de maior tradição do atletismo brasileiro no comando, o CASO celebra o sucesso de vários de seus atletas sem deixar de olhar para o futuro. João Sena Bonfim aponta para uma menina que passa marchando à sua frente, Luise Rosa Braga, e diz: "Aquela moça ali é campeã brasileira sub-20. É o primeiro ano dela adulta", revela.
Em seguida, João Sena prossegue: "Temos a Luise, temos o Vinícius Moura Galeno, foi para o campeonato mundial (de Tóquio) participar do revezamento dos 400 metros. Ele tem 20 anos. Temos o Claubert, campeão brasileiro e que já é para a geração futura da marcha atlética. Temos a Gabi Neves e o Max Batista, que já foram para a Olimpíada de Paris e para o Mundial de Tóquio. E nós temos a meninada nova, porque se nós vivemos do passado, aí acabou tudo", continua o treinador. "A meninada nova tem muito talento. E nesse contexto, a Caixa é o nosso bem maior. É o nosso patrocinador master. Já tem mais de 15 anos que eles estão com a gente e sem a Caixa nada disso seria possível", conclui João.
COPA BRASIL – Além de tudo o que já vivem no dia a dia do atletismo, os integrantes do CASO ganharam mais um incentivo após a campanha vitoriosa da equipe na Copa Brasil de Marcha Atlética, competição de nível bronze do Tour Mundial da World Athletics, disputada no dia 25 de janeiro, em Brasília. A equipe do CASO foi a grande campeã geral da competição no masculino e no feminino, tendo se classificado em primeiro lugar na categoria adulta, no sub-20, e em primeiro no sub-16 feminino.
Os atletas do CASO conquistaram nove medalhas: quatro de ouro, com Caio Bonfim e Gabriela Muniz na meia maratona (21,1km) e com Elianay Barbosa e Max Santos, na maratona (42,2km); uma prata, com Samuel Costa (10.000m sub-20); e quatro de bronze, com Lucas Mazzo (meia maratona), Diego Lima (maratona), Iasmim Silva (10.000m sub-20) e Ana Luiza Cavalvanti (3.000m sub-16).
CAMPEONATO MUNDIAL — Os atletas do CASO se preparam agora para um desafio ainda maior. O CASO tem seis atletas classificados para o Campeonato Mundial de Marcha Atlética por Equipes 2026, que será disputado em Brasília, no dia 12 de abril. O Governo do Brasil, por meio do Ministério do Esporte, destinou um aporte de R$ 483.420,00 para a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAT), voltados para hospedagem e alimentação, além de material de coleta e honorários da equipe de antidopagem.
