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Egresso do INES, pesquisador surdo passa em primeiro lugar para doutorado na UFPel
Em Libras
Um ex-aluno do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) foi aprovado em primeiro lugar para o doutorado em Letras da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul. Darley Nunes, mestre em Educação Bilíngue pelo INES, obteve nota máxima no processo seletivo que aconteceu nos meses de julho e agosto, voltado ao desenvolvimento do macroprojeto interdisciplinar "Acessibilidade e emoções mediadas por Inteligência Artificial (IA): pesquisa interdisciplinar e tecnopoética". O pesquisador inicia o curso agora, em setembro, com bolsa concedida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), para investigar os usos da inteligência artificial na comunicação por língua de sinais.

- Darley Nunes iniciou o mestrado no INES em 2022
Durante o mestrado profissional no INES, no qual ingressou em 2022, Darley desenvolveu uma pesquisa focada na produção acadêmica em língua brasileira de sinais no ensino superior, analisando vídeos e manuais de cursos de diferentes instituições. Com contribuições inovadoras, segundo Cristiane Taveira, professora do curso, o trabalho resultou no site público "Cardápio: Gravações de Vídeos Acadêmicos em Libras", que reúne produções do gênero acadêmico em língua de sinais. "Foi uma experiência transformadora... O mestrado me deu dois presentes: a certeza da minha identidade como professor bilíngue e a motivação de seguir como pesquisador", destaca Darley, relembrando o orgulho que sentiu. "Aprendi muito sobre gramática visual e instrução em Libras, o que me ajudou a levar novos conhecimentos para meus alunos surdos, já que eu atuava como professor em uma escola bilíngue", acrescenta.
A motivação de Darley vem também de sua experiência pessoal com a surdez. Ele teve o diagnóstico ainda bebê, e foi na infância, em sala de aula, que teve o primeiro contato com a Libras. Estudou tanto em turmas bilíngues quanto inclusivas, com apoio de tradutores-intérpretes. Considerada por ele "desafiadora", a língua portuguesa foi uma conquista gradativa, impulsionada pela curiosidade e pela tecnologia: "Quando meu pai me deu um computador, comecei a aprender português de maneira prática: minha mãe escrevia mensagens no MSN e no Orkut e eu ia tentando responder. Assim, consegui desenvolver leitura e escrita com muito mais segurança", lembra. Agora, com o doutorado, ele segue explorando as possibilidades entre linguagem, tecnologia e educação — temas que conectam também suas trajetórias pessoal, profissional e acadêmica.