Versão para profissionais de saúde
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Prevenção e fatores de risco
Prevenção
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Vacinação contra HPV
A vacina está disponível no SUS para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, em dose única. É também indicada para usuários de Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) e pessoas com papilomatose respiratória recorrente (PRR), além de pessoas que vivem com HIV e Aids, pacientes oncológicos, transplantados, pessoas imunocompetentes e vítimas de violência sexual, de 9 a 45 anos, com três doses.
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Rastreamento e Tratamento de lesões precursoras;
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Controle de fatores de risco, como tabagismo e imunossupressão.
Oriente as pacientes que desejam parar de fumar a buscar apoio no SUS.
Cartilha educativa Você está querendo parar de fumar?
Locais de tratamento do fumante no SUS
Fatores de risco
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Incidência maior em mulheres acima de 60 anos;
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Associação com HPV, especialmente os subtipos 16 e 18;
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Doenças dermatológicas crônicas (líquen escleroso);
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Tabagismo;
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Imunossupressão (HIV, uso crônico de corticoides).
Câncer Relacionado ao Trabalho
No que diz respeito à prevenção e aos fatores de risco para o câncer de vulva no contexto do trabalho, é importante ressaltar que, de acordo com a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), as trabalhadoras do sexo estão formalmente incluídas na listagem de ocupações, o que implica o reconhecimento de riscos específicos associados ao exercício dessa atividade. Nesse contexto, é fundamental reconhecer que a exposição ocupacional aos vírus HPV e HIV, ambos classificados pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) como carcinogênicos para humanos (IARC, 2025), pode contribuir para o desenvolvimento do câncer de vulva, configurando-se como uma neoplasia potencialmente relacionada ao trabalho. Profissionais do sexo apresentam maior suscetibilidade devido ao contato repetido, frequente e, por vezes, desprotegido com múltiplos parceiros, o que aumenta a probabilidade de infecção persistente por subtipos oncogênicos do HPV, especialmente os tipos 16 e 18, bem como de coinfecção pelo HIV.
Nesse contexto ressalta-se que a atuação da equipe de saúde é essencial na prevenção do câncer de vulva. Entre as medidas recomendadas incluem-se: vacinação contra HPV para todas as pessoas elegíveis, orientação sobre uso regular de preservativos, e vigilância de grupos ocupacionais vulneráveis, como trabalhadores do sexo. Além disso, é fundamental fortalecer ações de educação em saúde e reduzir barreiras de acesso aos serviços, garantindo que populações expostas recebam acompanhamento contínuo, orientação específica e intervenções preventivas baseadas em risco.
REFERÊNCIAS
IARC. List of classifications by cancer sites with sufficient or limited evidence in humans, IARC Monographs Volumes 1–138. [S. l.]: International Agency for Research on Cancer, 2025. Disponível em: https://monographs.iarc.who.int/wp- content/uploads/2019/07/Classifications_by_cancer_site.pdf. Acesso em: 22 jun. 2025.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Vacinação: HPV. Brasilia, 2025. Acessado em: 08 de dezembro de 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hpv.
Ministério da Saúde (BR). Portaria GM/MS nº 5.674, de 1º de novembro de 2024. Altera a Portaria de Consolidação GM/MS nº 5, de 28 de setembro de 2017, e atualiza a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT). Diário Oficial União. 5 nov 2024.
OTERO, Ubirani Barros et al. Câncer relacionado ao trabalho: relato de experiência do Instituto Nacional do Câncer na atualização da Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho do Ministério da Saúde no Brasil. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, [s. l.], vol. 50, p. edoc1, 2025.
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Detecção precoce
A mulher deve ser orientada a conhecer o seu corpo, saber quais são os sinais e sintomas suspeitos e a procurar atenção médica para a avaliação oportuna de possíveis alterações na região vulvar. Os médicos e enfermeiros da atenção primária à saúde devem ser capacitados a reconhecer os sinais e sintomas suspeitos e encaminhar a mulher para a investigação diagnóstica. A avaliação ginecológica realizado pela mulher periodicamente, por ocasião dos exames preventivos de câncer do colo do útero e de mama, também pode ser uma oportunidade para a detecção precoce do câncer de vulva.
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Diagnóstico
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Exame clínico detalhado e colposcopia;
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Biópsia excisional para avaliação histopatológica;
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Estadiamento com ressonância magnética, tomografia ou PET-CT em casos avançados.
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Classificação e estadiamento
Estadiamento (FIGO 2021)
Estágio I – Tumor confinado à vulva/períneo
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IA – ≤2 cm e invasão estromal ≤1 mm
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IB – >2 cm ou invasão estromal >1 mm
Estágio II – Tumor de qualquer tamanho com extensão para estruturas adjacentes (terço inferior da uretra, vagina ou ânus), sem metástases linfonodais
Estágio III – Envolvimento linfonodal
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IIIA – 1 linfonodo metastático (≥5 mm) ou 1-2 linfonodos micrometastáticos (<5 mm)
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IIIB – 2 ou mais linfonodos metastáticos (≥5 mm) ou 3 ou mais micrometastáticos
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IIIC – Linfonodos com extensão extranodal
Estágio IV – Invasão profunda ou metástase à distância
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IVA – Invasão de uretra superior, bexiga, mucosa retal ou fixação óssea
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IVB – Metástase distante
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Tratamento
Cirúrgico:
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Vulvectomia parcial ou total, com ou sem linfadenectomia inguinal;
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Excisão local ampla em lesões iniciais.
Radioterapia:
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Adjuvante em tumores localmente avançados ou linfonodos positivos.
Quimioterapia:
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Indicação em tumores avançados ou metastáticos, geralmente com esquemas à base de platina.
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Acompanhamento pós-tratamento
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Consultas regulares a cada 3-6 meses nos primeiros 2 anos;
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Exames de imagem e avaliação clínica conforme necessidade;
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Educação da paciente sobre sinais de recorrência.
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Prevenção e fatores de risco