Versão para profissionais de saúde
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Detecção precoce
As estratégias para a detecção precoce do câncer são o diagnóstico precoce (abordagem de pessoas com sinais e/ou sintomas iniciais da doença) e o rastreamento (aplicação de teste ou exame numa população assintomática, aparentemente saudável, com o objetivo de identificar lesões sugestivas de pré-câncer e câncer e, a partir daí encaminhamento dos pacientes com resultados alterados para investigação diagnóstica e tratamento) (WHO, 2007).
Diagnóstico Precoce
A estratégia de diagnóstico precoce contribui para a redução do estágio de apresentação do câncer (WHO, 2017). Nessa estratégia, destaca-se a importância de ter a população e os profissionais aptos para o reconhecimento dos sinais e sintomas suspeitos de câncer, bem como o acesso rápido e facilitado aos serviços de saúde.
O diagnóstico precoce do câncer anal deve ser buscado com a investigação de sinais e sintomas mais comuns, como (NICE, 2015; NCI, 2021):
- Tumoração ou úlcera anal inexplicadas
- Hematoquezia
- Incontinência fecal.
Rastreamento
O rastreamento do câncer é uma estratégia dirigida a um grupo populacional específico no qual o balanço entre benefícios e riscos dessa prática é mais favorável, com maior impacto na redução da mortalidade e da incidência, nos casos de existência de lesões precursoras. Os benefícios são o melhor prognóstico da doença, com tratamento mais efetivo e menor morbidade associada. Os riscos ou malefícios incluem os resultados falso-positivos, que geram ansiedade e excesso de exames; os resultados falso-negativos, que resultam em falsa tranquilidade para o paciente; o sobrediagnóstico e o sobretratamento, relacionados à identificação de tumores de comportamento indolente (diagnosticados e tratados sem que representem uma ameaça à vida) (BRASIL, 2010; INCA, 2021).
Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de ânus traga mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado (NICE, 2015; NCI, 2021).
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Rastreamento. Cadernos de Atenção Primária, n. 29 Brasília: Ministério da Saúde, 2010. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderno_atencao_primaria_29_rastreamento.pdf Acesso em: 30 jun. 2025.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA (INCA). Detecção precoce do câncer. – Rio de Janeiro : INCA, 2021. Disponível em: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document/deteccao-precoce-do-cancer_0.pdf . Acesso em: 30 jun. 2025.
NATIONAL HEALTH SERVICE (NCI). Anal Cancer—Health Professional Version. Published: 29 june 2021. Disponível em: https://www.cancer.gov/types/anal/hp. Acesso em: 30 jun. 2025.
NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Guideline Suspected cancer: recognition and referral. Published: 23 June 2015. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng12. Acesso em: 30 jun. 2025.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Early detection. Geneva: WHO, 2007. (Cancer control: knowledge into action: WHO guide for effective programmes, module 3). Disponível em: https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/43743/9241547338_eng.pdf?sequence=1 Acesso em: 30 jun. 2025.
Estudos clínicos abertos:
Confira os estudos clínicos abertos para inclusão de pacientes no INCA.
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Estudos clínicos abertos
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Prevenção e Fatores de Risco
É importante reconhecer que a exposição ocupacional aos vírus HPV e HIV, ambos classificados pela IARC como carcinógenos para humanos (IARC, 2025), pode contribuir para o desenvolvimento do câncer anal, configurando esse tumor como uma neoplasia potencialmente relacionada ao trabalho (CRT) em grupos específicos. Profissionais do sexo apresentam maior vulnerabilidade em razão do contato repetido e desprotegido com múltiplos parceiros, o que aumenta a probabilidade de infecções persistentes pelos subtipos oncogênicos HPV-16, HPV-18 e HPV-33, além da possível coinfecção pelo HIV. Esse contexto ocupacional intensifica o risco de progressão da infecção viral para lesões precursoras e, posteriormente, para o câncer, reforçando a necessidade de políticas de prevenção e proteção voltadas à saúde dessa população.
O uso consistente do preservativo, controle adequado do HIV, cuidado com lesões anais e acesso regular a serviços de saúde, são medidas ainda mais importantes para profissionais do sexo e pessoas vivendo com HIV, que têm maior risco de desenvolver o câncer anal.
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Detecção precoce