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Funarte reverencia Roberto Tibiriçá
(Divulgação)
A Fundação Nacional de Artes (Funarte) reverencia Roberto Tibiriçá (1954-2026), maestro, pianista e diretor artístico, uma das grandes personalidades da música de concerto no Brasil e referência na regência sinfônica, na valorização da música brasileira e na formação de novos músicos e regentes.
Nascido em São Paulo, Roberto Tibiriçá iniciou sua formação musical pelo piano e, ainda jovem, passou a se dedicar também à música de câmara. Estudou com nomes como Dinorah de Carvalho, Gilberto Tinetti e Antonio Bezzan e teve contato próximo com pianistas como Guiomar Novaes e Magda Tagliaferro. No início dos anos 1980, direcionou sua carreira para a regência e tornou-se aluno e assistente de Eleazar de Carvalho, com quem trabalhou por quase 18 anos.
Durante esse período, participou dos Festivais de Inverno de Campos do Jordão e venceu por duas vezes o Concurso para Jovens Regentes da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), passando a atuar como principal regente convidado da instituição. Sua formação incluiu ainda estudos em Nova York com Lukas Foss e experiências internacionais ligadas à regência e ao repertório sinfônico.
Paralelamente à carreira como maestro, Tibiriçá atuou, desde 1974, como diretor artístico de gravadoras brasileiras. Nesse campo, participou de projetos pioneiros de registro de música clássica no país, incluindo a produção do único LP gravado no Brasil por Guiomar Novaes dedicado exclusivamente à música brasileira. No final dos anos 1980, fundou em São Paulo a Orquestra Nova Filarmonia, com a qual também acompanhou importantes artistas, entre eles o tenor italiano Luciano Pavarotti.
Em 1994, Tibiriçá transferiu-se para o Rio de Janeiro e assumiu a direção adjunta da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). No ano seguinte, tornou-se diretor artístico e regente titular da instituição. À frente da OSB, desenvolveu projetos de grande alcance de público e recebeu, em 1995, o Prêmio Estácio de Sá, concedido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, além de ser escolhido pela crítica especializada como Músico do Ano.
O maestro participou de diferentes edições do Projeto Aquarius e, em 1997, esteve à frente da orquestra na Missa Campal celebrada pelo papa João Paulo II, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, apresentação que reuniu um público estimado em cerca de dois milhões de pessoas.
Em 2000, assumiu a direção artística e a regência titular da Orquestra Petrobras Pró-Música, posteriormente Petrobras Sinfônica. Durante sua gestão, a orquestra ampliou sua presença no cenário musical brasileiro, com temporadas, gravações e projetos voltados à música de concerto e à formação de novos públicos. Tibiriçá também criou iniciativas voltadas à valorização de artistas brasileiros e à formação de jovens, entre elas os concursos para Jovens Solistas, Jovens Regentes e Jovens Compositores.
Com a Petrobras Sinfônica, realizou gravações de obras de compositores brasileiros como Hekel Tavares e Heitor Villa-Lobos e desenvolveu projetos que aproximavam a música de concerto de intérpretes da música popular brasileira. Ao longo dos anos, trabalhou com artistas como Wagner Tiso, Rita Lee, Gilberto Gil, Daniela Mercury, Zizi Possi, Sivuca, Frejat, Simone, Ivan Lins, Francis Hime e Paulo Moura.
Tibiriçá também construiu uma trajetória internacional como regente. Em 2001, a convite da pianista Martha Argerich, regeu o concerto de abertura do Festival Martha Argerich, em Buenos Aires, com apresentação no Teatro Colón. Em 2005, assumiu a direção artística do Instituto Baccarelli e esteve à frente da Orquestra Sinfônica Heliópolis. Sua atuação no projeto contribuiu para o desenvolvimento artístico do grupo e para a formação de jovens músicos. Em 2010, participou da turnê europeia da orquestra, que passou por cidades da Alemanha, com o violinista Shlomo Mintz como solista.
Entre 2010 e 2013, foi maestro titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, onde conduziu concertos e produções de ópera, incluindo “Tosca e La bohème”, de Giacomo Puccini. A relação com a música mineira permaneceu presente em sua trajetória e, em 2024, Tibiriçá recebeu da Universidade Federal de Minas Gerais o título de Doutor por Notório Saber.
A formação de novos regentes também foi uma constante em sua atuação. Em 2008, publicou o livro “O regente sem orquestra”, dedicado à prática da regência e à relação entre maestro, músicos e conjunto. Em 2003, passou a ocupar a Cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Música, cujo patrono é o padre José Maurício Nunes Garcia, e, em 2018, tornou-se membro honorário da Academia Nacional de Música.
Nos anos 2020, Tibiriçá voltou a reger a Osesp como convidado. Entre os trabalhos realizados nesse período está a estreia mundial da ópera “Cartas portuguesas”, de João Guilherme Ripper, em 2020, além da gravação de obras de Camargo Guarnieri para o selo Naxos. Em 2022, Tibiriçá assumiu a regência titular e a direção musical da Orquestra Sinfônica do Paraná. À frente da instituição, participou de um novo ciclo de programação, com concertos no Museu Oscar Niemeyer e no Teatro Guaíra, além de ações voltadas à renovação do público e ao fortalecimento da estrutura da orquestra.
A Funarte se solidariza com familiares, amigos, colegas, alunos, músicos e admiradores de Roberto Tibiriçá e reverencia o legado deste maestro para a música de concerto, para a valorização da música brasileira e para a formação de novas gerações de artistas e regentes.