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Programa Mecaniza+ dá início à capacitação para uso de maquinário em Feira da Agricultura Familiar em Campinas
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizou o ato simbólico de cessão de uso dos kits de maquinários a dez entidades da agricultura familiar para início da capacitação durante a Feira Nacional de Máquinas e Tecnologias para a Agricultura Familiar, realizada no Expo Dom Pedro, em Campinas (SP), ontem, segunda-feira (16). Os equipamentos têm potencial para elevar em até 30% a produtividade dos agricultores, além de reduzir o esforço físico no trabalho rural e aumentar a eficiência das atividades no campo.
A iniciativa integra o Programa Mecaniza+, voltado à modernização da agricultura familiar, e é resultado de parceria entre a Conab e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN). O diretor-executivo de Desenvolvimento, Inovação e Gestão de Pessoas da Conab, Lenildo Morais, destacou que a ação busca ampliar o acesso dos agricultores a tecnologias que aumentem a produtividade e melhorem as condições de trabalho.
“Trazer o programa Mecaniza+ para a Feira Nacional de Máquinas é muito importante, pois mostramos o que a Conab, em parceria com o IFRN, está fazendo pela modernização da agricultura familiar no país. Essa parceria com a instituição de ensino é fundamental para levar tecnologia e mecanização aos pequenos produtores rurais, principalmente às entidades que participam das políticas públicas operacionalizadas pela Companhia. Hoje, estamos com esse grande projeto, e em breve, levaremos esse trabalho para outros estados do Brasil”, afirmou.
Além do ato com os equipamentos, a programação da Companhia, ao longo do evento, reuniu debates sobre inovação, mecanização e políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar.
Debates abordam mecanização e políticas públicas
Durante a programação, especialistas e representantes de órgãos públicos discutiram iniciativas para ampliar o acesso dos agricultores familiares a tecnologias adaptadas à produção em pequena escala.
O assessor da presidência e da Diretoria de Desenvolvimento, Inovação e Gestão de Pessoas (DIGEP) da Conab, Jurandir Vieira, destacou que as ações de mecanização começaram a ser estruturadas em 2024, com a distribuição de equipamentos para testes em campo.
“Essas ações começaram com a assinatura de um termo de execução descentralizada, em que 150 kits de equipamentos foram adquiridos com um investimento de R$ 13 milhões, e distribuídos para agricultores para testes e validação no campo. A partir desses resultados, novas aquisições virão no âmbito do programa Mecaniza+, um projeto robusto que terá financiamento externo de cerca de US$ 250 milhões, em negociação com o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF)”, frisou.
Políticas públicas e combate à fome
Outro ponto debatido durante o evento foi o papel das políticas públicas de abastecimento no enfrentamento da insegurança alimentar e nutricional. A superintendente regional substituta da Conab em São Paulo, Marisete Belloli, ressaltou a importância de programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa de Venda em Balcão (ProVB) para fortalecer a produção familiar e ampliar o acesso da população a alimentos.
“O PAA cumpre um papel muito importante para garantir a segurança alimentar e nutricional das pessoas em vulnerabilidade social, e foi uma das políticas públicas responsáveis por tirar o Brasil do Mapa da Fome da ONU outra vez. O ProVB, que vende milho para pequenos criadores, também é de grande relevância para garantir alimentação animal a preço justo e fazer com que chegue proteína à mesa de milhares de brasileiros. Então, quando fortalecemos o pequeno produtor, combatemos também a fome em nosso país”, disse.
Segundo ela, o acesso a equipamentos e tecnologias também pode melhorar as condições de trabalho no campo e contribuir para reduzir o êxodo rural. “A mecanização reduz a penosidade do trabalho e pode impedir que jovens deixem o campo em busca de oportunidades nas cidades”.
Inovação e tecnologia no campo
A programação também incluiu discussões sobre a aproximação entre universidades, centros de pesquisa e agricultores para ampliar o acesso a soluções tecnológicas no campo.
“A agricultura familiar precisa de inovação. A tecnologia é um combustível para aumentar a produtividade e melhorar as condições de produção, seja com um trator de apoio, sistemas de irrigação, análise de solo ou outras soluções tecnológicas”, finalizou Marisete Belloli.