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BOLETIM LOGÍSTICO
Fretes agrícolas recuam nas principais praças produtoras de grãos, mas mantêm tendência de alta no comparativo anual
Os fretes agrícolas praticados nas principais rotas de escoamento de grãos apresentaram comportamentos regionalmente distintos no mês de agosto, mas mantiveram tendência altista em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando analisados em conjunto. Com o aquecimento da demanda pela soja no mercado externo, as exportações da oleaginosa alcançaram 92,7 milhões de toneladas no acumulado de janeiro a agosto, o equivalente a um crescimento de 7% em relação aos oito primeiros meses de 2025. Para o milho, os embarques atingiram 14,5 milhões de toneladas no mesmo período, com recuo de 7,9% na correlação anual, em um cenário de valorização do cereal tanto no país quanto no mercado internacional, como mostra a última edição do Boletim Logístico, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quarta-feira (30).
No estado de Goiás, as cotações apresentaram elevação na maior parte das rotas, com logística aquecida por fluxos internos destinados ao suprimento de sorgo em Minas Gerais, especialmente no final do mês. A demanda pelo cereal por parte de empresas produtoras de ração favoreceu as movimentações de média e curta distância, levando à valorização de até 22,9% nos valores praticados no transporte. Apesar do predomínio de percentuais negativos nas rotas, em Mato Grosso os fretes permaneceram firmes em relação ao patamar esperado para a temporada. A tendência de valores próximos à estabilidade é reflexo do mercado estadual do milho, que tem apresentado demanda para alimentação animal e combustíveis. Essa dinâmica também foi verificada em Mato Grosso do Sul, com inclinação das tarifas para retração e estabilidade. Já no Distrito Federal, embora tenha havido redução em todos os corredores logísticos monitorados no mês, os patamares seguem elevados na equiparação anual.
Na Bahia, as variações mensais nos fretes foram positivas em quase todas as rotas, com incremento de até 4,8%. Com a estimativa de fortalecimento dos embarques de algodão nos próximos meses, poderá haver maior pressão sobre o transporte rodoviário nas regiões produtoras e de ligação com os terminais portuários. Ainda na região Nordeste, o Piauí registrou alta nas movimentações logísticas, com cotações oscilando entre redução de 9,10% e aumento de 5,6%. Já no Maranhão, após concentração do escoamento da produção de soja no primeiro semestre, a movimentação de cargas agrícolas e os fretes decresceram.
As praças paulistas mantiveram-se estáveis em relação a julho, oscilando entre o recuo de até 6,7% e a valorização de até 5,7%, quadro que reflete a relação entre a oferta e a demanda de veículos nas regiões produtoras. Minas Gerais, por sua vez, registrou aquecimento logístico motivado principalmente pelo avanço na colheita do café. No estado mineiro, maior produtor do grão, os fretes alcançaram a variação positiva de até 36,2%, com destinos concentrados na região sul-mineira. Dentre os estados que fazem parte da análise, a Conab também registrou leve valorização das cotações para o transporte de feijão no Paraná. Para os demais grãos, o movimento estadual apresentou variações com tendência à queda na maior parte das rotas.
Exportações - De janeiro a agosto de 2026, os portos do Arco Norte foram responsáveis pelo escoamento de 48,98% das exportações de milho. Na sequência, o porto de Santos concentrou 27,08% dos embarques do cereal. Já para a soja, 38,85% das exportações foram realizadas pelo Arco Norte e 34,42%, via porto de Santos. O terminal do litoral paulista também concentrou 44,02% dos embarques de farelo de soja.
Importações - As importações de fertilizantes acumuladas até agosto de 2026 atingiram 25,38 milhões de toneladas. O valor é aproximadamente 13,7% inferior ao verificado no mesmo período de 2025.
A pesquisa analisou as principais rotas de escoamento de grãos do país, abrangendo dez estados. As informações completas estão disponíveis no Boletim Logístico - Setembro/2026.
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