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Conab entrega oito mini colheitadeiras de arroz ao território quilombola Kalunga, assentados e agricultores familiares de Goiás e Tocantins
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) entregou, nesta segunda-feira (27), oito mini colheitadeiras do Programa Arroz da Gente a quilombolas, assentados da reforma agrária e agricultores familiares de Goiás e Tocantins durante a 1ª Festa da Colheita do Arroz Kalunga, realizada em Cavalcante (GO). As máquinas, voltadas à colheita de arroz, feijão, sorgo, milheto e gergelim, vão beneficiar 667 famílias, em sua maioria quilombolas, distribuídas em cinco territórios dos dois estados. Entre eles está o Território Kalunga, um dos maiores quilombos do país, com mais de 300 anos de história. Cerca de 250 pessoas das comunidades atendidas participaram da cerimônia, que reuniu representantes da Conab, dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), além de lideranças locais, gestores municipais e representantes de movimentos sociais.
Do total de equipamentos entregues, cinco permanecerão em Goiás e três serão destinados ao Tocantins, com cessão de uso compartilhado entre os beneficiários. Em Goiás, serão atendidas 414 famílias, distribuídas em 21 comunidades e sete municípios — Catalão, Cavalcante, Ceres de Goiás, Ipiranga de Goiás, Monte Alegre de Goiás, Teresina de Goiás e Vianópolis —, nos territórios Chapada dos Veadeiros, Estrada de Ferro e Vale do São Patrício. No Tocantins, outras 253 famílias serão contempladas em 20 comunidades e oito municípios — Almas, Araguatins, Arraias, Buriti do Tocantins, Dianópolis, Esperantina, Paranã e Porto Alegre do Tocantins —, nos territórios Quilombola e Bico do Papagaio.
A superintendente regional da Conab no Distrito Federal e Entorno, Regina Gonçalves, avaliou que a entrega representa um avanço concreto para as famílias, ao reduzir o trabalho pesado e abrir perspectivas de permanência das novas gerações no campo. “A entrega dessas máquinas representa um passo importante para as comunidades. A iniciativa facilita a colheita, especialmente do arroz, e reduz o esforço físico dos trabalhadores”, afirmou.
Na mesma linha, os superintendentes da Conab em Goiás e no Tocantins ressaltaram os benefícios da iniciativa na modernização da colheita e na integração entre os territórios. Para Luiz Carlos do Nascimento (GO), a ação amplia a capacidade operacional das comunidades. “As máquinas terão resultado direto na produção”, acrescentou. Já Marco Túlio do Nascimento (TO) enfatizou a abrangência territorial do programa. “A entrega atende a um território amplo, como o Kalunga, que envolve mais de uma unidade da federação”, pontuou.
O impacto da mecanização — Sede da atividade, o Quilombo Kalunga mantém forte tradição na produção de arroz, com sete variedades cultivadas atualmente, de um total de 18 já registradas ao longo das gerações. Além do cereal, as famílias produzem milho, feijão, gergelim, mandioca, abóbora, batata-doce, cana-de-açúcar e frutos do Cerrado, além da criação de gado, porcos e galinhas. O território ocupa cerca de 305 mil hectares e reúne aproximadamente 8 mil pessoas em 52 comunidades entre Goiás e Tocantins. As máquinas da Conab devem potencializar especialmente a produção de arroz.
Beneficiária do Arroz da Gente, a quilombola Kerlande Pereira, da comunidade Kalunga Vão do Moleque, relatou a experiência com a colheitadeira e os impactos no dia a dia. “Vai ajudar muito e agilizar o trabalho. Tive o privilégio de pilotar a colheitadeira e foi uma experiência e tanto. Quando vi a máquina pela primeira vez, pensei que seria difícil, porque nunca tinha pilotado nenhuma. Mas me explicaram direitinho, peguei a manha e, rapidinho, colhemos seis sacos de arroz. A máquina faz o trabalho de 30 ou mais homens por dia. É bem evoluída”, contou.
O agente social de acompanhamento comunitário do Arroz da Gente, Joelson Costa, ressaltou que a iniciativa melhora as condições de produção e fortalece o campesinato. “A máquina ajuda bastante na colheita do arroz, pois diminui o trabalho árduo. Ficamos muito felizes com essa conquista. Estamos aqui dando apoio e força para expandir esse projeto”, afirmou.
Além da entrega das máquinas, o evento também marcou o anúncio de novo apoio aos territórios. Foi confirmada a compra, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), de parte do arroz produzido por famílias quilombolas, com investimento de R$ 200 mil do MDS. A produção será destinada a cozinhas solidárias, contribuindo para o enfrentamento da insegurança alimentar. Na mesma agenda, foi apresentado o Armazém Kalunga, iniciativa voltada a ampliar a comercialização da produção local e a gerar novas oportunidades de renda para as famílias produtoras.
Presenças — Também participaram do evento o secretário de Territórios e Sistemas Produtivos Quilombolas e Tradicionais do MDA, Edmilton Cerqueira; a representante da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Camila Carneiro; a gerente de projeto da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Naiara Bittencourt; o presidente da Associação Quilombo Kalunga (AQK), Carlos Kalunga; e a coordenadora do Curso Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio do Instituto Federal de Campo Belo, Francielle Rego.
Foto: Palloma Pires/Conab.
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