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Chuvas favorecem cultivos de verão no Centro-Oeste, mas o excesso de umidade afeta lavouras de inverno no Sul
As chuvas favoreceram a recuperação da umidade do solo e o avanço da semeadura dos cultivos de verão em áreas do Centro-Oeste, especialmente da soja em Mato Grosso e Goiás. Em contrapartida, o clima chuvoso também impôs restrições às atividades agrícolas em outras regiões. No Sul, o excesso de umidade afetou lavouras de inverno, enquanto a baixa precipitação dificultou o avanço do plantio da oleaginosa em algumas áreas do Norte e do Nordeste.
As informações são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e estão reunidas na edição de outubro do Boletim de Monitoramento Agrícola, publicado nesta sexta-feira (23). O documento analisa as condições agrometeorológicas e o desenvolvimento das lavouras brasileiras entre 1º e 21 de outubro de 2026, com destaque para os efeitos da distribuição irregular das chuvas sobre os cultivos de inverno da safra 2025/26 e os cultivos de verão da safra 2026/27.
Segundo o acompanhamento da Conab, os indicadores de vegetação apontam condições favoráveis no início da safra, com índices acima da média histórica em todas as regiões monitoradas, embora a comparação com o ciclo anterior apresente diferenças regionais. Na comparação com a safra passada, os índices estão acima dos níveis registrados no sul de Goiás e no sudoeste de Mato Grosso do Sul, enquanto no norte de Mato Grosso e no oeste do Paraná permanecem próximos aos do ciclo anterior.
O monitoramento por cultura detalha os efeitos das condições climáticas sobre o andamento das safras. No trigo, o excesso de chuvas prejudicou a qualidade dos grãos em São Paulo e no Paraná e contribuiu para o avanço mais lento da colheita no Rio Grande do Sul. Já nos cultivos de verão, a semeadura ocorre em ritmos distintos entre os estados, com destaque para o avanço da soja em Mato Grosso e para as dificuldades operacionais provocadas pelo excesso de umidade em outras regiões.
SAFRA 2025/26
Trigo – Chuvas afetam qualidade dos grãos em São Paulo e no Paraná
O excesso de chuvas comprometeu a qualidade do trigo em São Paulo, onde a colheita está em finalização. Grande parte dos grãos já colhidos apresenta qualidade inferior ao padrão esperado pela indústria de moagem. No Paraná, a qualidade também foi afetada, com o produto apresentando peso hectolítrico (PH) abaixo do esperado. A colheita paranaense já alcança 75% da área plantada.
No Rio Grande do Sul, o avanço da colheita é lento devido ao volume elevado de chuvas e à menor radiação solar. A maioria das lavouras está em enchimento de grãos e maturação, fases sensíveis à ocorrência de doenças nas espigas. Em Santa Catarina, a sequência de períodos chuvosos aumenta a preocupação com doenças fúngicas, como giberela, ferrugens, oídio e manchas foliares, sobretudo nas áreas mais precoces.
Em Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, a colheita foi concluída.
SAFRA 2026/27
Soja – Mato Grosso supera 60% da área prevista para semeadura, enquanto condições de umidade do solo dificultam o plantio em parte das demais regiões
Em Mato Grosso, a semeadura avança em todas as macrorregiões e já supera 60% da área prevista. Os produtores aproveitaram as condições favoráveis de umidade do solo para intensificar os trabalhos. No Paraná, o plantio também progride, e a maior parte das lavouras implantadas apresenta bom desenvolvimento. No entanto, o excesso de umidade pode provocar falhas na germinação, favorecer o surgimento de plantas invasoras e aumentar a ocorrência de pragas e doenças.
O ritmo da semeadura em Goiás varia entre regiões: no sudoeste, os trabalhos avançam favorecidos pela umidade do solo, e devem ser concluídos ainda em outubro. No sul, enquanto alguns municípios intensificaram as operações, outros suspenderam temporariamente o plantio devido à rápida perda de umidade após o revolvimento do solo. Já nas regiões leste, oeste e norte, a semeadura em áreas de sequeiro é pouco expressiva, e as operações se concentram nas áreas irrigadas.
Em Mato Grosso do Sul, a elevada umidade do solo levou à suspensão temporária da semeadura na maior parte das regiões produtoras. A exceção são as regiões norte e nordeste, onde chuvas esparsas permitiram a continuidade dos trabalhos. No Rio Grande do Sul, os produtores aguardam a redução do encharcamento da terra e dias sem chuva para intensificar as operações. Em Minas Gerais, a semeadura avança nas áreas de sequeiro. Já em São Paulo, o excesso de umidade dificulta o acesso e o deslocamento de máquinas nas lavouras, limitando o avanço do plantio.
Arroz – Semeadura alcança cerca de 40% no Rio Grande do Sul e supera metade em Santa Catarina
Cerca de 40% da área prevista para a semeadura do arroz no Rio Grande do Sul havia sido plantada até a primeira quinzena de outubro. Grandes volumes de chuva e o excesso de umidade do solo encarecem as operações de campo e prejudicam o desenvolvimento inicial das lavouras. Em Santa Catarina, segundo maior produtor nacional, atrás apenas do Rio Grande do Sul, o plantio havia alcançado pouco mais da metade da área prevista no mesmo período. As condições climáticas recentes, porém, têm dificultado tanto a semeadura quanto o desenvolvimento vegetativo inicial das lavouras recém-implantadas.
No Maranhão e no Pará, o cultivo já começou nas áreas irrigadas. Nas áreas de sequeiro dos dois estados, a semeadura está prevista para novembro e dezembro, período em que se espera maior regularidade das chuvas.
Milho primeira safra – Semeadura avança em ritmos distintos nos estados produtores
A semeadura do milho primeira safra no Paraná está próxima do fim, e as lavouras encontram-se em desenvolvimento vegetativo. Chuvas acompanhadas de granizo e vendavais provocaram desfolhamento em áreas pontuais e favoreceram a ocorrência de pragas, como lagartas e tripes. Em Goiás, o avanço do plantio varia entre as regiões produtoras, com destaque para a região leste, onde alguns municípios já semearam entre 50% e 70% da área prevista.
Enquanto em Minas Gerais a semeadura avança de forma lenta e gradual, o Rio Grande do Sul já supera 80% da área prevista. No estado gaúcho, a combinação de nebulosidade persistente, temperaturas amenas e alta umidade do ar aumenta a pressão de doenças, especialmente nas lavouras em estádios mais avançados de desenvolvimento ou atingidas por granizo.
O Boletim de Monitoramento Agrícola é fruto da parceria entre a Conab, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Grupo de Monitoramento Global da Agricultura (Glam). A análise completa integrando dados de satélites, mapas, gráficos e análises detalhadas sobre o comportamento climático e o desenvolvimento das lavouras está disponível no portal da Conab.
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