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Boletim de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil – 14/01/2026 ANO 08 Nº 86
- Foto: Alan Pimentel
A presente edição do Boletim Mensal de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Unidade de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresenta: (a) avaliação das ocorrências e alertas para desastres de origem hidro-geo-climático (inundações, enxurradas e movimento de massa) para o mês de dezembro, e (b) o diagnóstico e cenários dos extremos pluviométricos (secas e inundações) e seus impactos em diferentes setores econômicos do Brasil para o trimestre janeiro, fevereiro e março (JFM) de 2026.
Envio de Alertas e Registro de Ocorrências
O mês de dezembro de 2025, foram enviados pela Sala de Situação do Cemaden 420 alertas, sendo 236 de origem hidrológica e 184 de origem geológica.
Risco Hidrológico: Situação Atual e Prevista
Situação dos níveis dos principais rios do Brasil em relação à média climatológica das estações hidrológicas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), referente ao dia 14 de janeiro, conforme ilustrado na Figura 1a. Observa-se que, na porção oeste da região Norte, porção noroeste da região Centro-Oeste, porção leste da região Nordeste e grande parte da região Sul do Brasil estão com níveis acima ou muito acima da média média climatológica. Por outro lado, muitos rios localizados na porção leste da região Norte, porções leste e sul da região Centro-Oeste e grande parte da região Sudeste do Brasil, estão com níveis abaixo da média climatológica.
A previsão sazonal para os próximos 45 dias - JF do modelo Sistema Global de Alerta para Inundações (GloFAS) na Figura 1b, indica a permanência de probabilidade para ocorrência de vazões acima ou muito acima da média climatológica para o período na porção oeste da região Norte, probabilidade de vazões abaixo da média na porção leste das regiões Norte, porção sudeste da região Centro-Oeste, porção oeste da região Nordeste e grande parte da região Sudeste e probabilidade para vazões próximas da média climatológica nas demais áreas do país.
Impactos da Seca na Vegetação e na Agricultura
O número de municípios em situação de seca severa diminuiu de 490 em novembro para 413 em dezembro, o que representa uma redução de 15,7%, segundo o Índice Integrado de Seca (IIS-3, Figura 2a). No mesmo período, a seca moderada diminuiu de 1.424 para 1.194 municípios (-16,1%), enquanto a seca fraca aumentou de 1.707 para 2005 municípios (+17,5%). No mês de dezembro, três municípios registraram condição de seca extrema, Contagem (MG), Jesuânia (MG) e Piranguinho (MG), e não houve registros de seca excepcional em nível municipal. No entanto, áreas localizadas dentro de municípios do sul de Goiás, do interior de São Paulo e do Triângulo Mineiro apresentaram condição de seca excepcional, evidenciando a presença de núcleos de maior severidade dentro desses territórios.
No recorte de seis meses (IIS-6, Figura 2b), os mesmos três municípios acima apresentaram seca extrema. Já o número de municípios em seca severa diminuiu de 488 para 473 uma queda de 3,1%, enquanto a seca moderada passou de 1.538 para 1.242 municípios (-19,7%) e a seca fraca aumentou de 1.578 para 2.025 municípios (+27%).
A região central do país segue concentrando as áreas mais críticas, com a seca persistindo no corredor que se estende pelo Sudeste (Minas Gerais e São Paulo), pelo Centro-Oeste (Goiás e Mato Grosso) e pelo Norte (Tocantins).
A descrição da estimativa do IIS e a avaliação dos impactos de secas a nível nacional e também na agricultura familiar podem ser consultados, respectivamente:
Boletim de Monitoramento de Secas e Impactos no Brasil
RiSAF - Boletim de Risco de Seca na Agricultura Familiar
Convidamos você a contribuir com informações sobre os impactos das secas em sua região através do Formulário para Registro e Avaliação de Impactos das Secas.
Impactos da Seca nos Recursos Hídricos
O monitoramento das secas hidrológicas no Brasil no mês de dezembro, a partir do Índice Padronizado Bivariado Precipitação–Vazão (TSI), revela um cenário ainda crítico e espacialmente heterogêneo, com forte concentração de condições severas mais abrangentes nas regiões Sudeste e Centro-Oeste (Figura 3).
Na região Sudeste, o Sistema Cantareira permanece classificado em seca excepcional, com impactos significativos sobre o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, atingindo níveis críticos de vazão e armazenamento. As bacias associadas às UHEs Três Marias e Furnas, também encerraram o período em condições de seca excepcional. No Centro-Oeste, a bacia da UHE Serra da Mesa mantém-se em seca extrema, com vazões significativamente abaixo da média histórica. Na região Sul, destaca-se a seca excepcional na bacia do rio Paraná.
Na região Norte, prevalecem condições hidrológicas normais nas bacias dos rios Madeira, Tapajós e Amazonas, enquanto os rios Xingu e Negro apresentam seca moderada.
As previsões hidrológicas indicam, para os próximos meses, predominância de estabilidade ou intensificação da seca nas regiões Sudeste, Sul, parte do Centro-Oeste e no leste da região Norte, em resposta a cenários de precipitação próximos ou abaixo da média climatológica. O restante da região Norte tende a manter condições mais estáveis e relativamente favoráveis, sem indicação de agravamento significativo no curto prazo.

- Obtenha mais Informações
Para obter informações mais detalhadas, consulte o Boletim de Impactos e baixe também a apresentação da Reunião de Impactos disponíveis para download nos links abaixo.
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Notas Importantes
1. Os relatórios com informações mais detalhadas sobre a situação atual das principais reservas hídricas e condições de seca em todo o País, bem como as projeções hidrológicas e possíveis cenários de impactos da seca, encontram-se disponíveis e atualizados no Website do Cemaden ( hhttps://www.gov.br/cemaden/pt-br ).
2. As informações/produtos apresentados não podem ser usados para fins comerciais, copiados integral ou parcialmente para a reprodução em meios de divulgação, sem a expressa autorização do Cemaden/MCTI e dos demais órgãos com os quais o Cemaden mantém parcerias. Os usuários deverão sempre mencionar a fonte das informações/dados da instituição como sendo do Cemaden/MCTI. Ressaltamos que a geração e a divulgação das informações/produtos consideram critérios de qualidade e consistência dos dados.
3. Registramos, ainda, que os dados da rede de monitoramento de desastres naturais disponibilizados via Mapa Interativo no website do Cemaden não passaram por nenhum tratamento, portanto poderá haver inconsistências nesses dados.
Equipe Responsável
Diretora: Regina Célia dos Santos Alvalá
Coordenador Responsável: José A. Marengo
Revisor Científico desta Edição: José A. Marengo
Pesquisadores Colaboradores: Adriana Cuartas, Ana Paula Cunha, Alan Pimentel, Elisângela Broedel, Fabiani Bender, Larissa Silva, Lidiane Costa, Márcia Guedes, Marcelo Seluchi, Marcelo Zeri, Rafael Luiz.

